Band: tradição em debates entre candidatos a cargos do Executivo há mais de 30 anos (Divulgação)
Band: tradição em debates entre candidatos a cargos do Executivo há mais de 30 anos (Divulgação)

Debates políticos costumam angariar a atenção de telespectadores preocupados em escolher a melhor opção para o voto. Os candidatos a cargos majoritários no Poder Executivo, e mesmo para o Legislativo, como senador, são convidados para encontros com os oponentes diante do público para expor suas ideias e questionarem-se entre si. Vamos recordar alguns momentos marcantes, polêmicos e até engraçados de debates eleitorais dos últimos 36 anos.

O recorte temporal se deve tanto à facilidade dos registros como a ter sido em 1982 a volta das eleições diretas para os governos dos estados. Em 1985, a saber, foi a vez dos prefeitos das capitais e áreas de segurança nacional. Por sua vez, o presidente da República voltou a ser escolhido pelo povo em 1989.

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Década de 1980: debates políticos acalorados pela ressaca da ditadura

O primeiro debate político promovido pela televisão no retorno gradual do País à democracia ocorreu em 1982. A Band, que ainda atendia por Rede Bandeirantes, exibiu um debate de 3 horas com os candidatos ao governo do estado de São Paulo. Franco Montoro (que foi o vencedor da eleição) e Jânio Quadros marcaram presença. Além deles, Luiz Inácio Lula da Silva em sua primeira disputa. Ainda, Rogê Ferreira e Reynaldo de Barros. Jornalistas de grandes jornais do estado também estavam presentes no estúdio, para fazer perguntas aos candidatos. Especialmente Montoro e Jânio protagonizaram momentos de confronto, em virtude de diferenças partidárias da época. O ex-presidente, que renunciou ao cargo em 1961 sete meses após a posse, dispensou leitura de passagem de um livro de Carlos Lacerda por Montoro.

É famosa a pergunta que Boris Casoy fez a Fernando Henrique Cardoso, então candidato a prefeito de São Paulo, em 1985. Não falta quem aponte que Boris involuntariamente levou FHC a perder o pleito para Jânio Quadros. É provável que, ao questioná-lo sobre sua crença em Deus, Casoy influenciou a virada de Jânio às vésperas da eleição.

Num dos debates entre presidenciáveis que ocorreram em 1989, Paulo Maluf e Leonel Brizola foram as figuras de uma cena tão engraçada quanto curiosa, aos olhos de hoje. Maluf fazia algumas considerações sobre a necessidade de estabilidade psicológica dos candidatos. Brizola pediu-lhe um aparte, conforme as regras do debate. Negado o aparte, Brizola chamou Maluf e integrantes da plateia de “malufistas” e “filhotes da ditadura”.

Década de 1990: caráter sim, propostas nem tanto

Em 1998, Mário Covas disputava a reeleição ao governo de São Paulo. Paulo Maluf passou com ele ao segundo turno do pleito. Durante considerações num debate na Band, Covas disse que o eleitor desejava avaliar o caráter dos candidatos, e não apenas o programa de propostas.

No ano 2000, algumas das melhores sequências se originaram nos embates entre Maluf e Marta Suplicy, que disputavam a prefeitura da capital paulista. Marta chegou, inclusive, a mandar Maluf calar a boca, o que tirou o político de sua tranquilidade habitual. Por sua vez, “Dona Marta do PT” era como ele se referia à candidata. Só que foi ela quem acabou eleita e governou a cidade por quatro anos.

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Décadas de 2000 e 2010: as forças de esquerda e a polarização

Candidatos a prefeito de São Paulo em 2000, Fernando Collor e Enéas Carneiro foram os personagens de uma passagem curiosa. Num debate da Band, tradicional no filão, Collor abriu mão de todas as falas em favor de Enéas a certa altura. No entanto, o fez de forma desdenhosa. “Fale qualquer coisa aí.” Anteriormente, ambos concorreram à presidência da República, na histórica campanha de 1989.

Em 2014, Aécio Neves chamou a presidenta e candidata à reeleição Dilma Rousseff de leviana. O fato se deu diante da citação feita por ela a irregularidades na construção de um aeroporto na gestão de Aécio. A saber, o político governou o estado de Minas Gerais nos anos 2000. Dilma chegou também a ser irônica ao declarar ao oponente que suas propostas sociais nada mais eram do que prosseguimento do que ela mesma já fazia. Com efeito, Dilma era presidenta desde 2011.

Para finalizar, no último debate entre presidenciáveis de 2018, promovido pela Rede Globo, um dos melhores momentos ficou por conta de Guilherme Boulos. Em participação sua com Fernando Haddad, Boulos chamou a atenção de todos para o perigo da ditadura. Citou o fato de ter nascido sob uma e não desejar que suas filhas cresçam sob outra.