Tony Ramos
Tony Ramos (Divulgação/ TV Globo)

Neste 25 de agosto, um dos mais talentosos, aplicados e queridos atores brasileiros completou 70 anos: Tony Ramos. Natural da cidade paranaense de Arapongas, Antônio de Carvalho Barbosa nasceu em 1948. Mudou-se com a família para São Paulo ainda na infância. Estreou na TV em 1964 já na Tupi, emissora na qual ficaria até 1977. Nela interpretaria personagens importantes em novelas de autores como Geraldo Vietri, Ivani Ribeiro e Teixeira Filho.

Ainda em 1977 Tony estreou na TV Globo como o Paulo de Espelho Mágico, novela de Lauro César Muniz, e na nova casa deu continuidade à sua trajetória de sucesso. Vamos recordar alguns dos muitos momentos marcantes da carreira de Tony Ramos na TV. Os gêmeos Quinzinho e João Victor de Baila Comigo (1981) não constam da lista, uma vez que podem ser vistos diariamente no Canal Viva atualmente. Ademais, o mesmo vale para o Nikos de Belíssima (2005/06), atual cartaz do Vale a Pena Ver de Novo. Posto que esses três não serão considerados, vamos à relação.

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Luciano de Clermon

Após uma série de personagens num crescendo, nos quais deu mostras de que possuía empatia com o público, talento, disciplina e capacidade de encarar o desafio, Tony foi escalado para viver o mocinho de Ídolo de Pano (1974/75). Luciano era um dos herdeiros da milionária Pauline de Clermon (Carmen Silva), sua avó. Pouco dado aos negócios da família, Luciano nem de longe imaginava que o irmão Jean (Dennis Carvalho) o desprezava. E desejava ser o único dono do império Clermon. Como se não bastasse, Luciano se envolvia justamente com uma moça enganada por Jean, Andréa (Elaine Cristina).

Téo

O advogado Teófilo – ou Téo, como prefere ser chamado – é casado com uma mulher mais velha, Diná (Eva Wilma). Os dois têm uma filha, a pequena Patrícia (Andréa Morales). Eles se amam, só que o casamento vai mal, devido ao excessivo ciúme que Diná sente dele. A união degringola de vez após a morte do irmão mais novo dela, Alexandre (Ewerton de Castro). O rapaz se suicida na prisão e credita a Téo parte da responsabilidade por seu infortúnio. Sua namorada Lisa (Elaine Cristina) desperta a atenção de Téo e os dois se envolvem. É o que basta para que o espírito obsessor de Alexandre faça de tudo para prejudicar Téo. A Viagem (1975/76), novela de Ivani Ribeiro, proporcionou a Tony esse personagem rico e difícil.

Márcio Hayalla

A princípio, inspirado pela filosofia de vida de São Francisco de Assis, um jovem muito rico é tido como louco ao renegar o dinheiro de sua família para viver na miséria. Ainda, deseja dividir o patrimônio com os empregados de suas empresas, já que eles trabalham tanto e ganham tão pouco. No entanto, a morte repentina e misteriosa do pai o leva a assumir o comando das empresas, lutando contra um tio ambicioso. Desse modo, seus momentos de felicidade se resumem aos passados com uma jovem suburbana por quem se apaixona, apesar das diferenças. Esse era Márcio Hayalla, um dos personagens mais marcantes de O Astro (1977/78), novela de Janete Clair. Um grande sucesso popular, a história rendeu a Tony um de seus personagens mais lembrados.

André Cajarana

André foi criado pelo avô paterno no interior de Minas Gerais. A mãe se casou de novo e teve filhos com o segundo marido, e do pai já falecido ficou no filho uma imagem de quase santidade. Em virtude de histórias que ouviu do avô, que sempre escondeu de André a real fama do temível Malta Cajarana. Dessa mesma fama se aproveitou Bruno Baldaracci (Paulo Autran), um seu empregado, que o envolveu numa trama de morte e tomou para si o poder que Malta exercia em Nilópolis, Baixada Fluminense. Ao partir para o Rio em busca da mãe, André se depara com mentiras. E se divide entre a batalhadora Ana Preta (Glória Menezes) e a bailarina milionária Carina (Elizabeth Savalla) na trama de Pai Herói (1979), de Janete Clair. Foi um dos maiores sucessos da história da telenovela brasileira, e mais um ponto na carreira de Tony Ramos.

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Riobaldo

Diadorim (Bruna Lombardi) e Riobaldo (Tony Ramos) em Grande Sertão: Veredas
Diadorim (Bruna Lombardi) e Riobaldo (Tony Ramos) em Grande Sertão: Veredas (divulgação)

Antes de tudo, diga-se que aqui um dos grandes personagens da literatura brasileira foi dado a um dos melhores atores brasileiros numa das mais felizes minisséries da televisão brasileira. Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, ganhou enfim as telas nas comemorações dos 20 anos da TV Globo, em 1985. Na minissérie com texto de Walter George Durst e direção de Walter Avancini, Tony Ramos viveu o jagunço Riobaldo. Em suas andanças no sertão do Brasil do princípio do século 20, ele passa pela dura realidade dos conflitos armados pela posse da terra, enquanto para si o grande amor que sente pelo amigo Diadorim (Bruna Lombardi). No entanto, o que Riobaldo não sabe é que Diadorim é mulher.

Tonico Ladeira

Neurótico, ansioso, complexado, grosseiro, indelicado, inseguro. Após mais de 20 anos geralmente interpretando bons moços, com raras exceções, Tony Ramos ganhou em Bebê a Bordo (1988/89), de Carlos Lombardi, a oportunidade de exercitar sua veia cômica e demonstrar que não era apenas o mocinho ideal. Executivo na empresa de marketing político de Walkíria (Márcia Real), Tonico vivia às voltas com Ana (Isabela Garcia), uma moça sem rumo que conhece durante um assalto a banco. Casado com Soninha (Inês Galvão), Tonico não sabe até certa altura da trama que seu pai é Tico (Sebastião Vasconcelos), antigo amante de sua mãe, Branca (Nicette Bruno).

José Clementino

Tony Ramos
Tony Ramos em Torre de Babel (Divulgação/ TV Globo)

Com efeito, foi um verdadeiro choque. Já nas primeiras cenas do capítulo de estreia de Torre de Babel (1998), de Silvio de Abreu, um homem mata com golpes de pá a mulher e um dos dois homens com quem ela o estava traindo durante uma festa. Esse homem é José Clementino da Silva. Personagem que ninguém imaginaria Tony Ramos interpretando. E que ele interpretou muito bem, com veracidade na transformação de Clementino de amargurado e vingativo num bom homem, de espírito apaziguado e o sincero desejo de recomeçar após pagar sua pena de quase 20 anos. O problema é que o shopping center de César Toledo (Tarcísio Meira), maior responsável por sua condenação, é alvo de uma explosão criminosa. E o autor do crime se valeu dos minuciosos de Clementino para destruir o edifício. Em contraste com o que se esperaria dele, Tony teve um grande momento.

Assim como Tony também deu mostras de seu talento em diversos outros personagens, como Antônio em Simplesmente Maria (1970/71); Tiago em Vitória Bonelli (1972/73); e Marcelo em Os Inocentes (1974). O surdo-mudo Abel de Sol de Verão (1982/83); Pardal em Livre Para Voar (1984/85); o ambicioso Cristiano no remake de Selva de Pedra (1986); e o Edu em Rainha da Sucata (1990). Do mesmo modo, o livreiro Miguel de Laços de Família (2000/01); o “cubano cafona” Manolo Gutierrez em As Filhas da Mãe (2001/02); o Coronel Boanerges em Cabocla (2004); o Totó de Passione (2010). Ainda, mais recentemente o Sr. José Augusto de Tempo de Amar (2017/18). Uma vasta carreira, merecedora de todas as homenagens e que ainda deve render muitos grandes momentos. Ave, Tony!

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