Rogério Cardoso como Rolando Lero na Escolinha do Professor Raimundo (Divulgação/Canal Viva)
Rogério Cardoso como Rolando Lero na Escolinha do Professor Raimundo (Divulgação/Canal Viva)

Já faz 15 anos que o inesquecível Rogério Cardoso nos deixou. Em 24 de julho de 2003, o ator e comediante sofreu um infarto fulminante em sua casa no bairro carioca de Copacabana. Muito conhecido do público por trabalhos como Escolinha do Professor Raimundo, Zorra Total e Explode Coração (que termina essa semana no Viva), ele poderá ser visto a partir de agosto no mesmo canal. A série A Grande Família voltará às telas no Viva em 6 de agosto.

Nascido em 1937 na cidade paulista de Mococa, a cerca de 260 quilômetros da capital, Rogério entrou para o rádio aos 15 anos, como contrarregra. Alguns anos depois iniciou o curso superior de Odontologia, entretanto, abandonou-o para dedicar-se à arte. Tendo estreado no teatro em 1958, participou de mais de 40 montagens. Por outro lado, o cinema só surgiu em sua vida no fim dos anos 1990.

O início da carreira de Rogério Cardoso na TV

A televisão veio na década de 1960, na TV Excelsior. Na emissora dos Simonsen, Rogério integrou o elenco de humorísticos como Times Square e A Cidade se Diverte, assim como do Moacyr Franco Show. Em 1969, Rogério fez um comercial muito famoso para a Volkswagen, anunciando a Variant, que você pode ver abaixo:

Em seguida Rogério teve uma passagem pela TV Record, na qual integrou o elenco de A Praça da Alegria, ainda com Manoel de Nóbrega.

Há 27 anos, Escolinha do Professor Raimundo se tornava um programa solo

Rolando Lero, talvez o personagem mais marcante de Rogério Cardoso

Provavelmente, o personagem mais marcante da carreira de Rogério Cardoso foi Rolando Lero. O aluno puxa-saco marcou a Escolinha do Professor Raimundo, humorístico de Chico Anysio. Seu bordão “Captei a vossa mensagem, amado mestre” ao receber pequenas dicas da resposta que deveria dar, e logo em seguida jogar sua nota 10 por terra ao não saber aproveitar a deixa dada pelo professor. Mesmo com a incredulidade de Rolando Lero acerca da morte de figuras sabidamente já falecidas, por exemplo, a comicidade maior da criação estava no talento de Rogério aliado ao texto inteligente.

A Grande Família: Rogério Cardoso se torna avô do Brasil

Elenco da segunda versão de A Grande Família (Divulgação/TV Globo)
Elenco da segunda versão de A Grande Família (Divulgação/TV Globo)

Em 2001, a Globo decidiu resgatar um programa emblemático dos anos 1970. Criada por Oduvaldo Vianna Filho e Armando Costa inicialmente a partir da série norte-americana Tudo em Família, A Grande Família se tornou uma janela dos problemas do povo no momento. O cotidiano de uma família pobre, que luta para sobreviver, caiu no gosto da audiência. Na ocasião a série durou de 1972 a 1975.

O avô da família, pai da matriarca Nenê (Marieta Severo), era Floriano. Aposentado, um pouco rabugento, mas de bom coração, Seu Floriano (ou Seu Flor) às vezes discutia com o genro Lineu (Marco Nanini). Ou com o genro deste, Agostinho (Pedro Cardoso), marido de sua neta Bebel (Guta Stresser). Mas ainda que de vez em quando saísse alguma faísca, a união da família era inabalável. Um retrato das famílias brasileiras em geral. Em 2013, a série dedicou um episódio à memória de Rogério Cardoso, nos 10 anos de sua morte.

Nair Bello e Rogério Cardoso como Santinha e Epitáfio em Zorra Total (Divulgação/TV Globo)
Nair Bello e Rogério Cardoso como Santinha e Epitáfio em Zorra Total (Divulgação/TV Globo)

Quando faleceu, Rogério estava no ar como Seu Flor. Ainda, nas noites de sábado brilhava com Nair Bello no quadro “Epitáfio e Santinha”, no Zorra Total. O marido banana e a mulher dominadora que lhe dava boas tamancadas ao perder a paciência integravam um dos quadros mais queridos.

Rogério Cardoso na dramaturgia

Salgadinho (Rogério Cardoso) e Lucineide (Regina Dourado) em Explode Coração (Divulgação/ TV Globo)

Os noveleiros se recordam com carinho de duas participações de Rogério Cardoso em novelas, uma vez que os programas de humor foram seu forte. Uma foi bastante breve, em A Gata Comeu (1985). O ator deu vida a Brandão, agiota para quem Edson (José Mayer) devia grande quantia em dinheiro. Já de Explode Coração (1995/96) Rogério participou do início ao fim. Seu personagem era Salgadinho, dono de um bar no subúrbio carioca de Maria da Graça. Ele vivia às voltas com as presepadas da mulher Lucineide (Regina Dourado).

Relembre os sucessos da trilha sonora da novela Explode Coração

Destacam-se ainda duas minisséries e uma série com atuações de Rogério Cardoso. Em Hilda Furacão (1998), interpretou Ventura, marido da beata Loló (Eva Todor). Logo depois foi o medroso Padre João em O Auto da Compadecida. Bem como nos anos 1990 participou de alguns programas de Brasil Especial, como O Homem que Sabia Javanês.

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