Guilhermina Guinle e Elaine Cristina em O Direito de Nascer
Guilhermina Guinle e Elaine Cristina em O Direito de Nascer (divulgação)

Nesta quarta-feira de Cinzas, a TV Aparecida deu prosseguimento à sua programação de novelas, após a exibição de A Padroeira (2001/02), de Walcyr Carrasco, numa parceria inédita com a Rede Globo, e estreou O Direito de Nascer, escrita por Aziz Bajur e Jayme Camargo com a colaboração de Alcione Carvalho e supervisão de texto de Crayton Sarzy a partir do original radiofônico do cubano Félix B. Caignet. Esta versão, a terceira produzida no Brasil no formato de telenovela, foi gravada em 1997 pela JPO Produções – e exibida apenas em 2001 pelo SBT.

A história se passa nas primeiras três décadas do século 20 em Cuba, e tem como protagonista Maria Helena de Juncal (Guilhermina Guinle), filha do poderoso e temido Dom Rafael (Luiz Guilherme) que é iludida com promessas de casamento pelo namorado, Alfredo Martins (Fernando Eiras), com quem perdeu sua virgindade e de quem engravidou. Alfredo é filho do sócio de Dom Rafael, Dom Ramiro (Renato Borghi), que em plena festa de réveillon é desmascarado como ladrão dos estoques de café da própria empresa, que desviava para os Estados Unidos e com isso lucrava sozinho.

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A rejeição da parte do homem amado, o impedimento para o casamento e a total aversão de Dom Rafael à ideia de ser avô de um neto bastardo serão apenas o começo do sofrimento de Maria Helena, que é obrigada a ir para uma fazenda da família acompanhada de Dolores (Dudu Moraes), a boa “mãe preta” que a criara e que toma uma atitude extrema: ao descobrir que Dom Rafael mandou seu capataz Bruno (Paulo Ivo) dar fim à criança tão logo nasça, Dolores foge com o bebê, um menino, para livrá-lo de tão triste destino. Esse ato desencadeia um novo sofrimento para Maria Helena, que além de tudo pensa que sua querida Mamãe Dolores desferiu-lhe um duro golpe por maldade, sem saber da real motivação da criada.

Os anos vão passando e, enquanto Dolores pula de vilarejo em vilarejo criando como filho o pequeno Albertinho (Kaíto Ribeiro), Maria Helena inicia uma vida reclusa como freira, na qual adota o nome de Irmã Helena da Caridade, após recusar pedidos de casamento de um pressionado Alfredo e de Jorge Luiz de Monteverde (João Vitti), banqueiro que passa a vida apaixonado por ela, embora se case com Emília (Cynthia Benini).

28 anos depois da primeira fase, Alberto (Jorge Pontual) é homem feito e médico formado, e se apaixona pela prima Isabel Cristina (Ana Cecília Costa) sem conhecer esse parentesco. Já dizia o tema de abertura de uma antiga novela do mesmo SBT que “A justiça de Deus não falha”, e temos em O Direito de Nascer mais uma mostra disso: o avô malvado tem sua vida salva pelo neto que quis matar, hoje médico.

Além da apresentação de grande sucesso como radionovela na lendária Rádio Nacional, com Albertinho Limonta na voz de Paulo Gracindo, outras duas adaptações para telenovela foram produzidas. Em dezembro de 1964 estreou na TV Tupi de São Paulo às 21h30 a primeira delas, com texto de Thalma de Oliveira e Teixeira Filho e direção de Lima Duarte e José Parisi – que também dava a vida a Dom Jorge Luiz. Nathalia Timberg era a sofrida Maria Helena; Isaura Bruno interpretava Mamãe Dolores; Amilton Fernandes e Guy Loup ficaram marcados por seus papéis de Albertinho Limonta e Isabel Cristina (tanto que a atriz assinou por algum tempo após a novela o nome de sua personagem); Elísio de Albuquerque foi Dom Rafael; Henrique Martins viveu Alfredo. A comoção foi tanta ao final da história, em agosto de 1965, que duas apresentações especiais do desfecho foram programadas, ao vivo, em locais de grande porte: o Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, e o Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, praça em que a novela, por uma questão peculiar como as da época, era exibida pela TV Rio.

A mesma Tupi desejava reviver os momentos de euforia do público com a novela ao produzir uma segunda versão, em 1978, dessa vez com texto de Teixeira Filho e sua esposa, Carmem Lídia, e direção de Antonino Seabra. Essa versão foi ambientada no México, embora a época da ação (primeiras três décadas do século 20) tenha sido mantida, mas ao invés de apresentar os fatos em ordem cronológica os adaptadores optaram por desde o início mostrarem a fase “atual” e contarem os antecedentes dos fatos em flash-back. Eva Wilma era a Irmã Helena, vivida na juventude por Suzy Camacho; Aldo César o tirano Dom Rafael; Henrique Martins era agora Dom Ricardo; Dom Jorge Luiz era o papel de Adriano Reys, que substituiu ainda no início das gravações Zanoni Ferrite, falecido em desastre de automóvel; Carlos Augusto Strazzer e Beth Goulart (substituindo Débora Duarte, que se desentendeu com a produção e abandonou o trabalho) deram vida a Albertinho e Isabel Cristina; Percy Aires interpretou Alfredo, que na juventude era o papel de Beto Sigolo. Apresentada às 19h30, não atingiu o mesmo sucesso da versão de 13 anos antes.

Na TV Aparecida a novela vai ao ar de segunda a sexta duas vezes por noite: às 19h e às 22h30. A emissora divulgou que exibirá compactos com o melhor da semana, nos mesmos horários, aos sábados.

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