O #TBTdaTV desse 31 de outubro celebra o Halloween com personagens aterrorizantes da TV

O #TBTdaTV caiu bem no dia de Halloween, 31 de outubro. Ou Dia do Saci, conforme o calendário brasileiro, exaltando o nosso folclore. Alguns personagens aterrorizantes que já surgiram na telinha, no embalo da celebração dessa data, cada vez mais popular no Brasil após anos de contato através de filmes, séries e livros, são a base do nosso encontro nesta semana.

Saci-Pererê: ele consta dos personagens aterrorizantes, embora não faça maiores males a ninguém

Atualmente no ar como Fabrício na novela das 19h, Bom Sucesso, o ator Romeu Evaristo marcou a infância de toda uma geração. Na versão do Sítio do Picapau Amarelo exibida entre 1977 e 1986 pela TV Globo, ele viveu o Saci-Pererê. O menino negro de uma perna só, que faz travessuras e pequenas “artes” com a turma do Sítio, sempre de gorro vermelho e fumando cachimbo, faz parte do folclore brasileiro.

De modo que caiu bem a sua inserção no universo do escritor Monteiro Lobato, cujos títulos lançados ao longo de quase 30 anos com os personagens do Sítio do Picapau Amarelo abrigam entre si um intitulado justamente O Saci. Só para ilustrar, o ator Izah Dahora viveu o personagem na versão dos anos 2000, produzida também pela TV Globo. Entre 2001 e 2006 o papel foi dele, até ser substituído na temporada de 2007 (a última) por Fabrício Boliveira.

Lobisomem: um dos personagens aterrorizantes da ficção já esteve presente em algumas novelas

Como o #TBTdaTV citou no programa de 7 de Setembro, que você pode ver ou rever clicando aqui, a novela Saramandaia (1976), de Dias Gomes, teve entre seus personagens o Professor Aristóbulo Camargo (Ary Fontoura). Morador da cidade que vivia entre trocar de nome para Saramandaia ou manter o Bole-Bole dos tempos do Império, Aristóbulo não conseguia dormir. Sua insônia crônica o fazia perambular à noite para driblar a situação, e durante suas andanças ele encontrava personagens históricos, como Dom Pedro I (Tarcísio Meira). Embora se transformasse em lobisomem, o Professor Aristóbulo despertou a paixão de Risoleta (Dina Sfat), a dona do bordel local.

Posteriormente, o mesmo Dias Gomes criou outro lobisomem. Foi na novela Roque Santeiro (1985), escrita com Aguinaldo Silva. Na cidade de Asa Branca, um lobisomem assustava os moradores, nas noites de lua cheia. Embora o Delegado Feijó (Maurício do Valle) tenha se passado pela criatura, para conquistar a dançarina Ninon (Cláudia Raia), por quem se apaixonou, ele não era quem se transformava de fato em lobisomem na cidade. Apenas no último capítulo ficou explícito para os espectadores que era o Professor Astromar (Rui Rezende), o “Rui Barbosa de Asa Branca”. Ele se convertia no indivíduo que se encaixa entre os grandes personagens aterrorizantes da teledramaturgia. Quem era criança na época concorda, com toda a certeza. Ainda mais ao som de Zé Ramalho e seus “Mistérios da Meia-noite”.

Trilogia dos Mutantes: uma série de personagens aterrorizantes com inspiração na literatura e na mitologia

Atualmente em reprise nas tardes da Record TV, a novela de Tiago Santiago Caminhos do Coração inaugurou uma trilogia que explorou em quase 600 capítulos a temática de seres mutantes e sua interação com os humanos “normais”. A partir do complicado romance da artista circense Maria (Bianca Rinaldi) e do policial Marcelo (Leonardo Vieira), tumultuado pela gêmea má Samira (também Bianca Rinaldi) e pela cientista Júlia (Ítala Nandi e Babi Xavier), diversos personagens aterrorizantes foram apresentados pelo autor. A narrativa se complicava cada vez mais à medida que os “mutantes do bem”, digamos assim, passavam a se relacionar e lutar juntos contra os “mutantes do mal”, criados isolados por Júlia numa ilha inóspita.

Complementando o tópico anterior dos personagens aterrorizantes, em Caminhos do Coração também havia um lobisomem. Ou um “lobismenino”, como queiram: Vavá (Cássio Ramos). Seu pai, Pachola (André Mattos), também se converteu num lobisomem no decorrer da história. Inspirados na literatura ou na mitologia clássica, diversos personagens aterrorizantes foram inseridos no enredo por Tiago Santiago. Só para exemplificar, tivemos a Mulher-aranha (Natália Guimarães), o Homem-cobra (Théo Becker), a Rainha Formiga (Carla Cabral), o Minotauro (Fábio Nascimento), o gigante Golias (Ricardo Macchi)… Além de vampiros como Taveira (Gabriel Braga Nunes), o mais representativo deles na história. O próprio Conde Drácula (Mário Frias) dá as caras a certa altura.

Eles despertam medo em alguns e fascínio em outros: os vampiros da teledramaturgia

Pelo menos três novelas merecem destaque por terem trazido vampiros como personagens aterrorizantes em seus enredos. Rubens Ewald Filho, Jayme Camargo e Consuelo de Castro, cada um num estágio da produção, escreveram entre 1980 e 1981 para a TV Bandeirantes a novela Um Homem Muito Especial.

Esse homem tão especial do título não era outro que não o Conde Drácula (Rubens de Falco). Ele vinha da Transilvânia para o Brasil em busca do filho Rafael (Carlos Alberto Riccelli), tirado de seu convívio anos atrás pela criada Hannah (Isabel Ribeiro). Todavia, ao chegar aqui o vampiro se apaixonava pela mesma mulher que Rafael amava. Mariana (Bruna Lombardi), neta da poderosa e má Dona Marta (Cleyde Yaconis). Corcunda, de cabelos e barba desgrenhados e um olhar penetrante e amedrontador, o criado de Drácula, Bóris (Emílio Di Biasi), também merece ser citado como um dos personagens aterrorizantes da teledramaturgia.

Outra novela que falou de vampiros com bastante abrangência em sua trama foi Vamp (1991), de Antonio Calmon, que conquistou especialmente o público infantojuvenil. A personagem principal era Natasha (Cláudia Ohana), uma famosa roqueira que é alvo da obsessão de um vampiro, o Conde Vladimir Polanski. Ou somente Vlad (Ney Latorraca). Na cidade litorânea de Armação dos Anjos, no Rio de Janeiro, vários personagens se transformam em vampiros ao entrarem em contato com Vlad, Gerald (Guilherme Leme) e outros. Merece destaque a família Matoso, toda ela vampirizada pelos vilões: Matoso (Otávio Augusto), Mary (Patrícia Travassos), Matosão (Flávio Silvino) e Matosinho (André Gonçalves).

Uma nova investida

Em 2002, Antonio Calmon voltou ao tema em O Beijo do Vampiro, no mesmo horário das 19h em que Vamp fora ao ar. Ao invés de Jorge Fernando como nos anos 1990, o diretor agora foi Marcos Paulo. Tarcísio Meira era o Duque Bóris Vladesco, que desejava ter consigo o filho Zeca (Kayky Brito), criado por Lívia (Flávia Alessandra). Lívia era a reencarnação da grande paixão de Bóris, a Princesa Cecília (também Flávia Alessandra), morta anos e anos atrás. Ney Latorraca reapareceu, mas como Nosferatu.