Há alguns dias, o SBT divulgou que a novela Patinho Feio, que substituiria As Aventuras de Poliana em meados de 2020, foi adiada e que a atual atração, escrita por Íris Abravanel e protagonizada por Sophia Valverde, será esticada até 2021. De maneira que o projeto chegará a mais de 800 capítulos, e sua narrativa será dividida em duas temporadas. Já faz mais de um ano que As Aventuras de Poliana estreou e, com esse esticamento, mal chegamos à metade do que se prevê que a novela dure agora. O #TBTdaTV relembra essa semana outras novelas esticadas demais, o que, com efeito, pode influir na qualidade da história e constitui um desafio à paciência do mais fiel telespectador.

De Carrossel para cá, o SBT só teve novelas esticadas demais

Elenco de Carrossel
Elenco de Carrossel (Divulgação/ SBT)

É fato. Desde a estreia de Carrossel, em 2012, as novelas infanto-juvenis do SBT têm sido cada vez mais longas. Novelas esticadas demais não parecem ser problema para as crianças e adolescentes que as acompanham. Ao contrário, pode-se dizer até que, quanto mais longas, melhor. Todas as novelas produzidas pela emissora desde Carrossel passaram dos 300 capítulos. Ou mesmo dos 400. Chiquititas (2013/15) chegou a quase 600. E agora As Aventuras de Poliana promete pelo menos 800.

Anteriormente, entre outros gêneros nas produções da emissora de Silvio Santos, também houve novelas esticadas demais. Em 1995/96, Sangue do Meu Sangue chegou a 10 meses no ar, tanto porque se precisava do retorno dos investimentos feitos como também para se preparar a contento não uma, mas três novelas que estrearam na sequência, no mesmo dia. Tarcísio Filho, Bia Seidl, Jayme Periard, Lucinha Lins, Lucélia Santos e Osmar Prado interpretavam os personagens principais da história criada por Vicente Sesso.

A dramaturgia da Record TV também padece com as novelas esticadas demais

E não é de hoje, com Os Dez Mandamentos dividida em duas temporadas, separadas por reprises de minisséries igualmente bíblicas. Principalmente ao ser cancelada a exibição de capítulos inéditos aos sábados, em 2009, a impressão de que novelas longas são ainda mais longas se instalou entre os telespectadores. Títulos dessa época, como Poder Paralelo e Ribeirão do Tempo giraram em torno dos 250 capítulos. Bela, a Feia ficou com um pouco menos, em torno de 220.

Já nos seus momentos finais, a TV Manchete manteve uma novela no ar por um ano

Entre 1997 e 1998, a Manchete exibiu a novela Mandacaru. A missão da história, que teve diversos profissionais envolvidos em seu roteiro, como Carlos Alberto Ratton, Yoya Wursch, Zeno Wilde e Tairone Feitosa, era manter a boa audiência de Xica da Silva (1996/97). Todavia, não conseguiu, e se estabilizou em torno de metade – cerca de 7 pontos ante 15 da antecessora. Embora já estivesse numa grande crise que custou a permanência da própria emissora no ar, a Manchete levou Mandacaru ao ar por um ano. Sua sucessora Brida, baseada no romance de Paulo Coelho, foi liquidada em apenas dois meses, em virtude de uma greve dos profissionais envolvidos no projeto, consequência dos muitos problemas da empresa.

Alguns casos na TV Globo

Nos anos 2000, algumas produções da Globo se encaixaram na categoria de novelas esticadas demais. Só para exemplificar, Celebridade e Senhora do Destino, exibidas no horário nobre entre 2003 e 2005, tiveram 221 capítulos cada uma. Também Amor à Vida, em 2013/14, chegou aos 221 capítulos, assim como O Clone (2001/02). Com 243 capítulos, Barriga de Aluguel (1990/91) foi muito esticada devido a circunstâncias de produção da emissora em relação à sucessora Salomé (1991). Histórias longas demais cedo ou tarde costumam padecer da falta de assunto e surge a famosa “barriga”. Nem sempre a “regra” se aplica, com efeito. No entanto, acho que a sensatez alerta para o fato de novelas passarem de 200 capítulos ser plenamente desnecessário. Mais ainda em tempos como os de hoje.

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