Congelamentos e efeitos nos finais de capítulos das novelas, assim como em Avenida Brasil, no #TBTdaTV

De vez em quando, o gancho das novelas para atrair o público para o capítulo do dia seguinte é acompanhado de um efeito especial, como um “congela”, a exemplo de Avenida Brasil, atual cartaz do Vale a Pena Ver de Novo. Um close num personagem após o “climão” do dia e vrá! – imagem congelada, que em seguida fica frequentemente em preto e branco e se destaca do fundo, “flutuando” na tela. Anteriormente, diversas novelas fizeram algo para destacar os encerramentos de cada noite. Vamos relembrar alguns dos efeitos nos finais de capítulos das novelas no #TBTdaTV desta semana.

Em histórias de Gilberto Braga, já houve várias vezes efeitos nos finais de capítulos

Gilberto Braga e Dennis Carvalho trabalharam juntos, o primeiro como autor e o segundo como diretor, em uma série de trabalhos desde 1984, quando a parceria teve início em Corpo a Corpo. A saber, a dupla deve se repetir na próxima novela de Gilberto para a TV Globo, a ser exibida em 2020. Na citada Corpo a Corpo a imagem congelava e junto com o efeito podia-se ouvir os acordes iniciais do tema de abertura da novela, “Tão Beata, Tão à Toa”, com Marina Lima.

Em Vale Tudo (1988), de Gilberto com Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, o close num dos atores também ficava em preto e branco. Na sequência a imagem se desvanecia, ao som de um samba característico. Posteriormente, Celebridade (2003) repetiu o expediente do destaque em tom de cor diferente do usual. Todavia, a imagem ganhava tons avermelhados, não ficava em preto e branco. Paraíso Tropical (2007) voltou à carga do P&B.

Efeitos nos finais de capítulos em novelas de Carlos Lombardi

Duas novelas de Carlos Lombardi apostaram na rememoração de fatos marcantes do dia para os efeitos nos finais de capítulos. Quatro por Quatro (1994) fixava num mosaico as cenas mais significativas da história. Ao passo que Pé na Jaca (2006) fazia coisa parecida, mas focando apenas nos cinco personagens centrais. Arthur (Murilo Benício), Lance (Marcos Pasquim), Maria (Fernanda Lima), Gui (Juliana Paes) e Elizabeth (Deborah Secco), amigos de infância cujas vidas se cruzam novamente na pequena Deus me Livre, tinham uma foto deles ainda crianças substituída por closes seus na fase adulta, em cenas vistas minutos antes.

Vale destacar os efeitos nos finais de capítulos de Pecado Mortal (2013), escrita por Lombardi para a Record TV. A cena final de cada noite ficava marcada nas dezenas de placas que compunham um globo de luz tal qual os utilizados em iluminação de discotecas. A história se passava na década de 1970, logo, o efeito caiu muito bem.

Manoel Carlos e os efeitos nos finais de capítulos de suas novelas

Cada capítulo de Felicidade (1991) terminava com a imagem de algum dos atores congelada e um arco-íris, símbolo da novela, surgia por trás da figura. Já Páginas da Vida (2006) fazia algo semelhante ao visto em Quatro por Quatro: cenas marcantes do capítulo que se encerrava eram relembradas na tela final, ao som do verso “Vou te contar…” do tema de abertura, “Wave”, em interpretação de Daniel Jobim.

Livros e quadros nos efeitos de finais de capítulos

Era Uma Vez… (1998), de Walther Negrão, e Alma Gêmea (2005), de Walcyr Carrasco, são duas das novelas que se valeram de livros para um efeito especial ao final de cada capítulo. A cena final de ambas as novelas, dirigidas por Jorge Fernando, se congelava e se convertia numa das ilustrações de um livro.

Quadros ou gravuras que representem o clímax do capítulo também já foram utilizados nos efeitos de finais de capítulos das novelas. Pedra Sobre Pedra (1992), de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares, se valeu do recurso. Também Pátria Minha (1994), mais uma da dupla Gilberto-Dennis, mostrava “quadros” do elenco. Anos depois, Alto Astral (2014) fez coisa parecida, com ilustrações semelhantes às utilizadas na própria abertura, aquarelada. Anteriormente, Vamp (1991) transformava a cena final num desenho, que reproduzia o último ator em cena naquele dia.

Outros exemplos

Vira-lata (1996), outra novela de Carlos Lombardi, tinha todos os dias a ação “lambida” por um cachorro. Ti-ti-ti (2010), escrita por Maria Adelaide Amaral a partir da obra de Cassiano Gabus Mendes, se encerrava toda noite com um zíper “fechando” a tela, em alusão ao mundo da alta-costura no qual os protagonistas Ariclenes (Murilo Benício) e André (Alexandre Borges) se digladiavam. Outra novela de Adelaide, Sangue Bom (2013), se utilizava dos presentes na cena final do capítulo congelados e se destacando do fundo, que ficava mais opaco.

Que Rei Sou Eu? (1989), de Cassiano Gabus Mendes, terminava seus capítulos com uma espada que “rasgava” a tela. A saber, sua trama se passava no final do século 18, e era de capa-e-espada. A Próxima Vítima (1995), de Silvio de Abreu, tinha noite após noite o elenco em congelamento seguido de um alvo de arma e da explosão da tela em cacos, como se a pessoa levasse um tiro certeiro. Com efeito, essa foi uma ótima ideia, que reforçava a premissa do autor de que qualquer um dos personagens poderia ser assassinado. De maneira que se tornaria assim a próxima vítima do título. Sete Pecados (2007) trazia os personagens em close tornando-se figuras de cartas de baralho.

Imagens que são envelhecidas, para dar a impressão de serem registros antigos, da época em que as novelas se passam, também já foram utilizadas. Terra Nostra (1999), ambientada no final do século 19, e Lado a Lado (2012), cuja trama era situada na década de 1910, concluíam seus capítulos assim. A cena “falhava” nas bordas da tela e sumia como se fosse pegar fogo, ou coisa parecida, como em filmes antigos em técnicas rudimentares de exibição.

Efeitos recentes

Atualmente em reprise no SBT, Cúmplices de Um Resgate (2015) encerrava seus capítulos com uma foto do último personagem a falar, que se transformava num post ao estilo feed do Instagram. A inédita As Aventuras de Poliana encerra a ação de cada dia com um “congela” do elenco que em seguida é envolvido num fundo vermelho com raios de luz “mágicos” dourados.