No próximo dia 5 de agosto, segunda-feira, a atriz Nathalia Timberg completará 90 anos. Também em 2019 ela celebra 65 anos de carreira, uma vez que sua primeira peça como profissional foi encenada em 1954: Senhora dos Afogados, de Nelson Rodrigues. No ar atualmente como Gladys em A Dona do Pedaço, cartaz global das 21h escrito por Walcyr Carrasco, Nathalia Timberg é merecidamente apontada como uma das maiores atrizes brasileiras. Não há qualquer exagero na qualificação. O #TBTdaTelevisão desta semana é uma homenagem a essa profissional das mais importantes em nosso cenário artístico.

As origens e o início da carreira

Nathalia Timberg é carioca, de origem judia. Seu pai era polonês e sua mãe, belga. Nascida em 1929, ela estou Belas Artes no Rio de Janeiro e no fim dos anos 1940 começou a fazer teatro amador com um grupo intitulado Teatro Universitário. Já aí se encontraria com um parceiro de décadas: Sérgio Britto. Em virtude de seu desempenho num espetáculo dessa fase amadora inicial, A Dama da Madrugada, Nathalia ganhou uma bolsa para estudar Interpretação em Paris, e para lá partiu. Ao regressar ao Brasil, ela tomou parte nos espetáculos do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), onde esteve no elenco de peças como O Anjo de Pedra, O Pagador de Promessas, A Casa de Chá do Luar de Agosto e Rua São Luiz, 27, 8º Andar.

No Grande Teatro Tupi, centenas de trabalhos

Pela mesma época, meados dos anos 1950, com o amigo Sérgio Britto e colegas como Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Zilka Salaberry, Ítalo Rossi, Francisco Cuoco e Cláudio Cavalcanti, Nathalia passou a se apresentar semanalmente na televisão com o Grande Teatro Tupi. Exibido às segundas-feiras (dia de folga das companhias teatrais, que na época levavam os espetáculos de terça a domingo), o programa teve quase 500 edições. Nathalia e Fernanda se revezavam nos papéis centrais femininos.

Nathalia Timberg e as novelas

A primeira novela das mais de 40 de Nathalia Timberg foi em 1964, na TV Rio: O Desconhecido, de Mário Brasini, ao lado do próprio e de Jece Valadão, entre outros. Em São Paulo a produção foi apresentada pela TV Record. Ao final do mesmo ano, já em dezembro, Nathalia estreou uma das novelas mais marcantes de sua extensa carreira: o fenômeno de repercussão O Direito de Nascer. A produção da TV Tupi paulista era exibida no Rio pela TV Rio e se baseava num clássico do rádio, apresentado na década anterior.

O papel de Nathalia era o da sofrida Maria Helena, que após muitos reveses da vida e o sequestro do filho Alberto (Amilton Fernandes) quando ainda bebê de colo se dedica aos pobres como freira e chega a Sóror Helena da Caridade. Só para ilustrar, em versões brasileiras posteriores de O Direito de Nascer a personagem foi interpretada por Eva Wilma e Guilhermina Guinle.

Uma atriz que trabalhou em praticamente todas as redes de TV do Brasil

TV Rio, TV Tupi, TV Globo, TV Excelsior, TV Record, TV Bandeirantes, TV Cultura, TV Manchete, SBT… Todas contaram com o talento de Nathalia Timberg em suas produções de teledramaturgia. E não só, já que ela foi além dos estúdios de novelas. No primeiro ano de suas atividades, 1965, a Globo teve Nathalia entre os apresentadores do noticiário Teleglobo.

A alternância de emissoras

Nathalia Timberg nunca se prendeu por muito tempo a uma mesma emissora. Ou por outra, se manteve algum tempo em várias delas. De modo que, ao acompanharmos sua carreira na televisão, não é difícil identificar as idas e vindas da atriz de emissora em emissora. Só para exemplificar, vamos considerar a década de 1970. Entre 1971 e 1980, Nathalia participou de 10 novelas em quatro emissoras, a saber: quatro na Record, duas na Tupi, uma na Globo. Logo após uma curta ausência da TV, a atriz voltou na Record (no Rio, pela TVS) para mais uma novela, outra na Globo e uma reinaugurando as atividades do setor na Bandeirantes depois de alguns anos. Nesse meio tempo, a atriz também atuava no teatro.

As duas novelas que fez na Globo nos anos 1970 marcaram época. Em Escalada (1975) viveu Fernanda, professora de meia-idade que se envolvia com um rapaz mais jovem, Felipe (Ney Latorraca). Já em A Sucessora (1978/79) surgiu no papel da sombria governanta Juliana, dedicada obsessivamente à imagem da patroa morta, Alice (Alessandra Vieira).

Na década seguinte não foi diferente. De 1981 a 1990, Nathalia Timberg participou de 11 novelas e minisséries em três emissoras. Entre elas, Ti-ti-ti (1985/86), na qual interpretou Cecília, a velhinha que desenhava arrojados modelos para vestir suas bonecas. Devidamente apresentados por Ariclenes (Luís Gustavo) como se seus fossem, em sua identidade de Victor Valentim no mundo da moda. Além da Tia Maria de Corpo Santo (1987) e de uma tia famosa, a Celina de Vale Tudo (1988). Irmã de Odete Roitman (Beatriz Segall), ela era carinhosa com os sobrinhos Helena (Renata Sorrah) e Afonso (Cássio Gabus Mendes).

Uma parceria de sucesso com grandes personagens: Nathalia Timberg e Gilberto Braga

Vale Tudo marcou o primeiro encontro de Nathalia Timberg com Gilberto Braga na teledramaturgia. Posteriormente, eles se reuniriam em O Dono do Mundo (1991), na qual a atriz viveu um de seus melhores papéis. Sem dúvida, também dos mais detestáveis. Constância Eugênia era mãe adotiva do crápula Felipe Barreto (Antonio Fagundes), cujos atos inescrupulosos conduziam a trama. Depois, a Idalina de Força de Um Desejo (1999), de Gilberto e Alcides Nogueira, foi outra vilã das boas. Avó do mocinho Inácio (Fábio Assunção), ela foi uma pedra no sapato da amada dele, Ester (Malu Mader). Antiga cortesã, Ester se casou com o pai de Inácio, o Barão Henrique Sobral (Reginaldo Faria). E ocupou um lugar que havia sido da filha de Idalina, Helena (Sônia Braga).

Da trambiqueira à grande empresária

Outras três novelas do autor trouxeram Nathalia Timberg no elenco. Ela entrou em Celebridade (2003/04) dois meses depois da estreia para mais uma vez ser avó de Fábio Assunção (agora Renato Mendes). Ademais, novamente era de poucos escrúpulos. Yolanda dava golpe em cima de golpe e se aproveitava de toda oportunidade para se dar bem. Vitória Drummond foi uma grande empresária em Insensato Coração (2011), de Gilberto e Ricardo Linhares. E os dois mais João Ximenes Braga criaram para ela a Estela de Babilônia (2015). Mãe da vilã Beatriz (Glória Pires), ela vivia há décadas com a advogada Teresa (Fernanda Montenegro). Com efeito, o beijo dado pelas duas já no primeiro capítulo causou muito burburinho. Seja de admiração e respeito, seja de recalque e preconceito, por certo.

Nathalia Timberg no teatro e no cinema

A vida basicamente dividida entre estúdios de televisão e palcos de teatro levou Nathalia Timberg a participar de um número relativamente pequeno de filmes em 65 anos de carreira. Foram menos de 20. No entanto, além das centenas de personagens que interpretou na televisão, a atriz conta mais de 40 espetáculos teatrais desde 1954. Entre eles, podemos destacar Panorama Visto da Ponte, Antígona, A Morte de Um Caixeiro Viajante e Longa Jornada Noite Adentro. Além de Ensina-me a Viver, A Cerimônia do Adeus e Conduzindo Miss Daisy, numa gama variada de autores e gêneros. Além disso, Meu Querido Mentiroso foi encenada duas vezes por Nathalia e Sérgio Britto entre os anos 1960 e os 1980, e a atriz ganhou o Molière de Melhor Atriz em ambas as ocasiões.

Nathalia Timberg queria ser médica no início da vida. Seu grande interesse pelo ser humano, seus problemas e a vontade que ela tinha de compreender a dinâmica do homem levaram-na à busca de expressão na pintura e, depois, no teatro. Tornou-se atriz e se encontrou. Ganhamos todos, com toda a certeza.

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