Relembre as novelas de 1994, ano ao qual Verão 90 chegou em sua reta final, no #TBTdaTelevisão desta semana

Quando Verão 90 estreou, o #TBTdaTelevisão relembrou as novelas de 1990, ano em que a história teve seu início ambientado. Agora, que a história termina (nesta sexta-feira, dia 26), vamos recordar as novelas de 1994. O enredo da novela chegou a esse ano em sua reta final.

Um grande sucesso e uma produção problemática no horário global das 20h entre as novelas de 1994

Edson Celulari como Raimundo Flamel em Fera Ferida (Divulgação/TV Globo)

Durante todo o primeiro semestre de 1994, a novela das 20h da Globo foi Fera Ferida, que estreou em novembro de 1993. Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares desenvolveram sua história a partir de elementos da obra do escritor fluminense Lima Barreto, autor de Triste Fim de Policarpo Quaresma. Feliciano Mota da Costa Júnior (Diogo Bandeira) vê os pais, Feliciano (Tarcísio Meira) e Laurinda (Lucinha Lins), morrerem após uma fuga mal-sucedida da cidade de Tubiacanga, da qual seu pai era prefeito. A ironia é que eles haviam fugido justamente para escapar à morte, em virtude da ira de todos os habitantes contra Feliciano. Este convenceu todos a darem dinheiro para o estabelecimento de um negócio de mineração que renderia dividendos.

Passados 15 anos, Feliciano Júnior volta a Tubiacanga sob a identidade de Raimundo Flamel (Edson Celulari). Um misterioso alquimista capaz de transformar ossos humanos em ouro. Tratava-se de um plano para enredar os grandes responsáveis pelo infortúnio de seu pai: Major Bentes (Lima Duarte), Numa Pompílio de Castro (Hugo Carvana) e Demóstenes Massaranduba (José Wilker). À parte a trama central de vingança e do amor de Flamel e Linda Inês (Giulia Gam), a história tinha interessantes tramas paralelas. E, com efeito, foi mais um título a compor o mosaico regionalista da obra dos autores.

Corrupção, desonestidade e problemas de bastidores no horário das 20h

A sucessora no horário a partir de julho foi Pátria Minha, de Gilberto Braga. Com ela o autor pretendia fechar uma trilogia sobre a honestidade do brasileiro. Iniciou-a com Vale Tudo (1988) e seguiu em O Dono do Mundo (1991). Raul Pelegrini (Tarcísio Meira) é um empresário inescrupuloso e egoísta, para quem apenas o dinheiro importa. Um de seus muitos negócios envolve a expulsão de um grupo de famílias sem-teto que invadiram o terreno no qual devem ocorrer as obras.

A jovem Alice (Cláudia Abreu) se coloca em defesa dos desfavorecidos. Grande ironia do destino se revela no decorrer da história: Alice é filha de Gustavo (Kadu Moliterno), filho único de Raul e Teresa (Eva Wilma). Sua mãe, Natália (Renata Sorrah), sempre escondeu isso da jovem. Gustavo desejou que ela abortasse ao saber de sua gravidez.

Os bastidores de Pátria Minha foram bastante tumultuados, a saber, pelos problemas com Vera Fischer. A atriz interpretava Lídia Laport, alpinista social, uma das personagens centrais. Lídia fazia com que Raul e Teresa se separassem, para poder se casar com o empresário. Todavia, um envolvimento sincero ocorria com Pedro (José Mayer), após a morte de Ester (Patrícia Pillar), esposa dele. Vera e seu marido na época, Felipe Camargo, que vivia o personagem Inácio, acabaram afastados da novela. E isso por ordens da diretoria-geral da emissora. Eles se atrasavam e faltavam a gravações. Seus problemas particulares da época repercutiram no trabalho. Gilberto Braga criou um incêndio, no qual Lídia e Inácio morreram. Para fazer par com Pedro foi criada a personagem Isabel (Luiza Tomé). Ao passo que Raul se envolveu com Cilene (Isadora Ribeiro). A novela foi ao ar até março de 1995, a saber.

Entre as novelas de 1994, uma atração inusitada

A novela das 19h no início de 1994 era Olho no Olho, de Antonio Calmon. O protagonista era Guido (Tony Ramos). Um padre que deixa a batina e se envolve com a escritora Débora (Natália do Valle). Esta era alvo do interesse de César Zapata (Reginaldo Faria), vilão da trama. Líder de uma seita demoníaca, ele utilizava o filho bastardo Fred (Nico Puig) para praticar o mal. Fred e Alef (Felipe Folgosi), um paranormal do bem, filho de Débora, disputavam o amor de Cacau (Patrícia de Sabrit). Embora tenha alcançado índices de audiência bons, Olho no Olho não agradou em cheio nem ao próprio autor.

“Na escuridão, o teu olhar me iluminava…”

Sua substituta a partir de abril de 1994 foi uma atração pouco usual para o perfil da faixa. Com efeito, a novela das 19h em geral abarca comédia e romance. Após o sucesso do remake de Mulheres de Areia, Ivani Ribeiro foi escalada para as 19h com outro resgate. Desta vez, A Viagem, cuja versão original foi exibida pela Rede Tupi em 1975/76 às 20h. Uma história densa, eminentemente dramática, que fala da doutrina kardecista. E demonstra que a morte não determina o fim da trajetória de uma pessoa. O advogado Otávio Jordão (Antonio Fagundes) e a empresária Dinah Toledo (Christiane Torloni) se conhecem em meio a um grande problema. Ela deseja contratar os serviços dele para defender seu irmão caçula, Alexandre (Guilherme Fontes), marginal que assassinou um homem.

Ocorre que o tal homem era grande amigo de Otávio, que declara ter como grande objetivo fazer Alexandre passar o resto de sua vida na cadeia. Ademais, o rapaz se suicida atrás das grades, não sem antes prometer vingança contra Otávio, o cunhado Téo (Maurício Mattar) e o irmão Raul (Miguel Falabella). E seu espírito passa a atuar de maneira obsessora, atrapalhando a vida de todos. Dinah e Otávio acabam por se apaixonar, e vivem um amor que ultrapassa a barreira da morte.

Quatro mulheres se vingando dos homens marcaram as novelas de 1994

Foi o maior sucesso da emissora no horário em toda a década e pelos 10 anos seguintes, já reprisado três vezes. De tal forma que sua substituta tinha uma grande responsabilidade. Mas mostrou-se à altura do desafio. Carlos Lombardi estreou em outubro de 1994 Quatro por Quatro, cujas personagens principais eram mulheres unidas em nome de um objetivo comum: a vingança contra seus companheiros.

Auxiliadora (Elizabeth Savalla) havia sido trocada pelo marido Alcebíades (Tato Gabus Mendes) por uma moça com a idade da filha deles, Elisa Maria (Lizandra Souto). Abigail (Betty Lago) era alvo da intolerância de Gustavo (Marcos Paulo), bem-sucedido médico que a desejava como eterna dondoca fútil. Tatiana (Cristiana Oliveira) foi abandonada no altar por Fortunato (Diogo Vilela). Babalu (Letícia Spiller) pegou o namorado Raí (Marcello Novaes) com a boca na botija: ele estava com outra na cama. Bastante nervosas, elas se conhecem num engavetamento que as une, uma batendo no carro da outra. Tomam conhecimento umas das histórias das outras e se dispõem a ajudar-se mutuamente na vingança contra os homens.

Quatro por Quatro também fez bastante sucesso e durou até julho de 1995. Só para ilustrar, é uma das novelas mais longas da história da Globo, com 233 capítulos. Das produções em cores da emissora, a saber, apenas Barriga de Aluguel (1990/91), de Glória Perez, a suplanta, com 10 capítulos a mais. Só para ilustrar, as novelas globais mais longas do que as duas são da fase em preto em branco: A Grande Mentira (1968/69), com 341 capítulos; Irmãos Coragem (1970/71), 328; O Homem que Deve Morrer (1971/72), 258; e Selva de Pedra (1972/73), com 243.

As novelas de 1994 no horário das 18h: de Curitiba a Fortaleza

Ao longo de todo o ano de 1994, a Globo ambientou seu horário das 18h fora do eixo Rio – São Paulo, sempre presente. Sonho Meu, no ar desde setembro de 1993, se passava em Curitiba. Cláudia (Patrícia França) se envolvia com os ricos irmãos Candeias de Sá, Lucas (Leonardo Vieira) e Jorge (Fábio Assunção). A sucessora foi Tropicaliente, de Walther Negrão. Nas praias “caribenhas” do Ceará, o pescador Ramiro (Herson Capri) e a rica Letícia (Sílvia Pfeifer) reviviam um romance interrompido 20 anos antes.

Na concorrência da Globo, uma história à qual a mesma emissora recorre 25 anos depois

O grande destaque das novelas de 1994 na concorrência da Globo, em termos de teledramaturgia, com toda a certeza foi Éramos Seis, do SBT. Na ocasião a emissora de Silvio Santos adquiriu os direitos sobre o texto de Silvio de Abreu e Rubens Ewald Filho adaptado do romance de Maria José Dupré em 1977, para a Rede Tupi. Foi feita uma nova versão da novela, com eventuais modificações necessárias feitas por Rubens, em virtude de Silvio ser contratado da Globo.

Irene Ravache deu vida à sofrida Dona Lola, matriarca da família cuja trajetória acompanhamos das décadas de 1920 a 1940. Othon Bastos era o marido Júlio, e os filhos eram interpretados por Jandir Ferrari (Carlos), Tarcísio Filho (Alfredo), Leonardo Brício (Julinho) e Luciana Braga (Maria Isabel). Na ocasião, Éramos Seis era adaptado para novela pela quarta vez. A quinta estreará na Globo em outubro às 18h, com Glória Pires no papel de Lola. Com toda a certeza, a versão de 1994 está entre o melhor já feito pelo SBT.

Já em dezembro, outro remake entre as novelas de 1994

Já no finzinho do ano, em dezembro, o SBT atacou com outro remake: As Pupilas do Senhor Reitor. A emissora comprou os direitos da adaptação do romance de Júlio Dinis por Lauro César Muniz, feita para a TV Record em 1970. Ismael Fernandes e Bosco Brasil trabalharam inicialmente a partir da versão de Lauro César. Posteriormente, Analy Alvarez e Zeno Wilde integraram o projeto. Século 19, aldeia de Póvoa do Varzim, Portugal. Os irmãos Daniel (Eduardo Moscovis) e Pedro (Tuca Andrada) se envolvem com as irmãs Guida (Débora Bloch) e Clara (Luciana Braga), as tais pupilas do Sr. Reitor, Padre Antônio (Juca de Oliveira).

Na Rede Manchete, tentativas de recuperar uma audiência perdida

A Rede Manchete iniciou o ano com Guerra Sem Fim no ar em seu horário das 21h30. A novela havia estreado em novembro de 1993, com texto de José Louzeiro e Alexandre Lydia. Os dois autores, mais Regina Braga e Eloy Araújo, escreveram O Marajá. Trata-se de uma minissérie sobre o governo de Fernando Collor de Mello e seus escândalos de corrupção. Todavia, o político conseguiu embargar a exibição do projeto. Aliás, até hoje ele se mantém inédito. Guerra Sem Fim falava do romance surgido entre o bandido Cacau (Alexandre Borges), destacado integrante da facção criminosa Comando Pirata, e a médica Flávia (Júlia Lemmertz), sequestrada para cuidar dele. Aliás, Flávia era filha do deputado Armando César (Rogério Fróes), um dos apoiadores de outra facção. O Comando Patrulha, composto de policiais e também de marginais, a saber.

A novela substituta foi uma produção independente, da TV Plus. 74.5 – Uma Onda no Ar teve argumento de Domingos de Oliveira e foi conduzida por diversos autores. Entre os quais Eloy Araújo e Rose Calza, só para exemplificar. Na fictícia cidade litorânea de Pedra da Lua, Álvaro (Cecil Thiré) comanda a estação de rádio que batiza a história. Sua neta Luiza (Letícia Sabatella) vai para a cidade ao se separar do marido Caíque (Raul Gazolla). Ela se envolve romanticamente com o pescador Miguel (Ângelo Antônio). Caíque se torna rival de Miguel para além do amor, conforme eles se colocam de lados opostos na batalha pela conquista de Pedra da Lua para um audacioso empreendimento imobiliário. Só para ilustrar, Cecil Thiré era diretor da novela, e assumiu o papel inicialmente destinado a Paulo Autran.