Outros atores que morreram cedo demais, assim como Flora Diegues e Gabi Costa, no #TBTdaTelevisão

No último domingo, 2 de junho, duas jovens e promissoras atrizes nos deixaram: Flora Diegues, aos 32 anos, e Gabi Costa, aos 33. A primeira, filha do cineasta Cacá Diegues, participou do mais recente filme do pai, O Grande Circo Místico, lançado no final do ano passado, e das novelas Além do Tempo (2015) e Deus Salve o Rei (2018). A segunda, por sua vez, estava no elenco de Órfãos da Terra no papel de Nazira, mulher do médico Faruq (Eduardo Mossri), fez participações em outras novelas e atuava também como dubladora. Diante dessa triste coincidência da morte de ambas no mesmo dia e tão jovens, o #TBTdaTelevisão relembra nesta semana outros atores que morreram cedo demais.

Na década de 1970, dois grandes exemplos de atores que morreram cedo demais

Em 1972, aos 27 anos, a lendária Leila Diniz faleceu em decorrência da queda do avião que a transportava, em Nova Délhi, Índia. Símbolo sexual de sua geração, para além da beleza Leila também representou uma figura libertária em termos sociais e políticos. Ao combater o machismo e a moral hipócrita, vivendo o amor como e com quem achava que devia, a atriz causou bastante polêmica. Leila Diniz participou de filmes como Todas as Mulheres do Mundo, Mãos Vazias e Azyllo Muito Louco, e de novelas como Eu Compro Esta Mulher, O Sheik de Agadir e Anastácia, a Mulher Sem Destino. Sua vida foi contada pelo cineasta e amigo Luiz Carlos Lacerda no filme Leila Diniz, lançado em 1987.

Outro dos atores que morreram cedo demais nos deixou aos 32 anos, em 1978. Trata-se de Zanoni Ferrite. À época, ele havia acabado de protagonizar uma novela das 20h na Rede Tupi, Um Sol Maior, ao lado de Rodolfo Mayer e Laura Cardoso, e já havia começado a gravar como Dom Jorge Luís no remake de O Direito de Nascer. Uma semana antes da estreia, sofreu um acidente automobilístico e não resistiu aos ferimentos. Anteriormente, Zanoni participou de novelas da Rede Globo, como Pecado Capital (1975/76) e Anjo Mau (1976).

Nos anos 1980, dois atores que morreram cedo demais, vítimas da AIDS

Em 1981, aos 31 anos, faleceu o ator Maneco Bueno. Ele despontava na carreira, havia estreado em novelas em 1979 como o Sérgio de Memórias de Amor e em 1980 vivera o Dr. Acélio Castanho em Olhai os Lírios do Campo, ambas exibidas às 18h pela Globo. Um câncer no fígado foi apontado como a causa da morte de Maneco. No entanto, o ator pode ser apontado como a primeira vítima da AIDS em nosso meio artístico, ou uma das primeiras. Todavia, isso não foi claramente divulgado na época. Houve muita especulação, muito terrorismo e preconceito difundidos em meio às muitas descobertas que eram feitas a respeito da AIDS e, em virtude dessas circunstâncias, se quem eventualmente descobre ser portador do vírus HIV nos dias de hoje enfrenta discriminação e o julgamento da sociedade, imagine há quase 40 anos?

Um dos maiores galãs das novelas dos anos 1980, ídolo da juventude, Lauro Corona faleceu em 1989 aos 32 anos. Ele também foi uma vítima da AIDS. As dificuldades de saúde o levaram a pedir afastamento da novela Vida Nova (1988/89), na qual interpretava o português Manuel Victor, par de Ruth (Deborah Evelyn). O personagem saiu da história antes do final, numa cena triste e emocionante que marcou época. Foram 11 anos de uma carreira de sucesso na televisão, iniciada na série Ciranda Cirandinha (1978) e continuada em Dancin’ Days (1978/79), Baila Comigo (1981), Direito de Amar (1987) e outras novelas.

Anos 1990, uma década triste no quesito “atores que partiram cedo demais”

Entre 1992 e 1997, podemos destacar ao menos seis atores que partiram ainda jovens, com muitos trabalhos pela frente. Desde Daniela Perez, assassinada aos 22 anos no final de 1992, quando fazia a Yasmin da novela De Corpo e Alma, escrita por sua mãe, Glória Perez, até Thales Pan Chacon, falecido aos 40 anos devido a complicações provocadas pelo vírus HIV, todos são lembrados com saudade e carinho pelos fãs que os acompanharam. Ou por aqueles que os conhecem só por agora, em virtude de reprises como as do Canal Viva, que exibiu duas das novelas que tiveram Daniela no elenco: Barriga de Aluguel (1990/91) e O Dono do Mundo (1991).

Thales esteve no Viva como o Henrique de Meu Bem, Meu Mal (1990/91) e em sua participação como Nelson, professor de violão com quem Heloísa (Cláudia Abreu) perde a virgindade na minissérie Anos Rebeldes (1992). Além disso, recentemente o Viva reapresentou Fera Radical (1988), na qual Thales interpretou Heitor, noivo de Marília (Carla Camuratti). Aliás, Carla foi esposa do ator na vida real durante seis anos. O último trabalho de Thales na televisão foi Os Ossos do Barão, no SBT, cujo desfecho fora exibido poucas semanas antes de seu falecimento.

O vírus HIV e acidentes automobilísticos, causas recorrentes de mortes de ídolos jovens

Num intervalo de poucos dias no começo de 1994, dois ícones da juventude dos anos 1980 faleceram, e pelo mesmo motivo: complicações de saúde decorrentes do vírus HIV e sua ação no organismo. Cláudia Magno, falecida aos 35 anos, e Caíque Ferreira, que morreu com 39, fizeram bastante sucesso em novelas e filmes ao longo da década anterior.

Cláudia participou de Final Feliz (1982/83), Champagne (1983/84), Roda de Fogo (1986/87) e Tieta (1989/90), entre outras. Caíque, por sua vez, esteve no elenco de Brilhante (1981/82), Paraíso (1982/83), Amor Com Amor se Paga (1984) e O Sexo dos Anjos (1989/90), só para exemplificar.

Em acidentes automobilísticos, a exemplo de Zanoni Ferrite e de Osmar de Mattos, morto em 1980 aos 22 anos quando despontava para o sucesso, também faleceram Chiquinho Brandão, em 1991, aos 39 anos, e Alexandre Lippiani, aos 32, em 1997. A coincidência da causa da morte também impressiona, principalmente, porque tanto Chiquinho quanto Alexandre estavam com trabalhos em curso quando morreram. O primeiro era o pescador Chico Bagre na minissérie O Sorriso do Lagarto, enquanto o segundo vivia o Padre Eurico na novela Xica da Silva, da Rede Manchete.