#TBTdaTelevisão: Os 25 anos da versão SBT de Éramos Seis

O tema do nosso #TBTdaTelevisão nesta semana é a novela Éramos Seis, em sua versão produzida pelo SBT em 1994, que completa 25 anos nesta quinta-feira, 9 de maio. A saber, já era a quarta vez que o romance de Maria José Dupré se transformava em novela de TV. Só para ilustrar, as versões anteriores foram produzidas pela TV Record (1958) e pela TV Tupi (duas vezes, em 1967 e 1977).

Em tempos de produção de uma quinta versão, agora pela TV Globo, nada mais próprio do que relembrar aquela que lhe servirá de base, escrita por Silvio de Abreu e Rubens Ewald Filho. Aliás, já a versão do SBT era baseada no texto de Silvio e Rubens feito para a Tupi nos anos 1970, com algumas adaptações. Relembre essa emocionante história no #TBTdaTelevisão.

Abertura da novela Éramos Seis, exibida pelo SBT em 1994.

A família Lemos e seus seis integrantes

Ambientada entre os anos 1920 e os anos 1940, Éramos Seis conta a vida dos integrantes da família Lemos, liderada por Lola (Irene Ravache) e Júlio (Othon Bastos). Carinhosa e abnegada, ela se dedica com ardor aos filhos, ao marido e à casa. Júlio é muito trabalhador, funcionário de uma casa de tecidos, mas um pouco infeliz e violento. Não hesita em castigar os filhos com surras quando considera necessário.

Carlos (Jandir Ferrari/Caio Blat) é o mais velho, preferido de Lola, estudioso e bom garoto. Alfredo (Tarcísio Filho/Wagner Santisteban) é uma peste, revoltado e inconsequente. Julinho (Leonardo Brício/Rafael Pardo) se torna egoísta, pensa apenas em si e ambiciona subir na vida. A única menina, Maria Isabel (Luciana Braga/Carolina Vasconcelos), é um pouco sonhadora e obstinada. Os problemas de relacionamento entre eles, os conflitos amorosos e a falta de dinheiro conduzem os capítulos da história.

O #TBTdaTelevisão resgata a trajetória de um dos maiores êxitos da teledramaturgia do SBT

Anúncio de Éramos Seis nos jornais
Anúncio de Éramos Seis nos jornais (Reprodução)

Em 1993, o SBT começou os preparativos para reativar seu núcleo de dramaturgia. Isso após dois anos sem produzir nada no setor e com um horário nobre que habituou o público da emissora a enlatados os mais variados desde 1986. Já em 1993 Henrique Martins dirigiu unitários de A Justiça dos Homens, programa que Eliakim Araújo conduzia. Eram histórias fictícias, centradas em assuntos polêmicos, com a participação de juristas e advogados no estúdio para “julgar” as questões abordadas.

Othon Bastos, Maria Estela, Elizângela, João Vitti e Flávia Monteiro foram alguns dos atores que participaram dos episódios. Posteriormente, todos participaram de Éramos Seis. Além disso, nomes como Lília Cabral e Nuno Leal Maia foram contratados para compor o elenco da casa.

Curiosidades do elenco de Éramos Seis, no #TBTdaTelevisão

Quando Nilton Travesso, diretor responsável pelo Núcleo de Teledramaturgia do SBT, optou por Éramos Seis para inaugurar os trabalhos dessa nova fase, sabia o que estava fazendo. A exemplo da Tupi em 1977, desejava-se uma vez mais uma novela “para a família”, com potencial de audiência e já conhecida de parte do público.

Um remake de A Fábrica (1971/72), de Geraldo Vietri, foi por algum tempo considerado para a reativação do núcleo, mas logo Éramos Seis ficou com a vaga. Posteriormente, o SBT pretendia inaugurar um segundo horário com uma novela infantojuvenil ainda em 1994. Seria Mariana, a Menina de Ouro, escrita por Flávio de Souza. Mas o projeto nunca saiu do papel. Então contratada da casa, Angélica seria a protagonista.

Othon Bastos, quem diria, não foi a primeira escolha para viver Júlio

Gessy Fonseca (1958), Cleyde Yaconis (1967) e Nicette Bruno (1977) haviam sido as protagonistas das versões de Éramos Seis já produzidas até aquela época. Atrizes talentosas e de apelo emocional, para dar vida à sofrida Dona Lola. Nilton Travesso optou por Irene Ravache para a produção do SBT. Na ocasião, aliás, Irene estava afastada do gênero havia seis anos, desde o término de Sassaricando (1987/88), também de Silvio de Abreu. Este, contratado pela Globo, não pôde atuar em eventuais modificações que a história pedisse, ficando estas a cargo de Rubens Ewald Filho apenas.

Escolhido para viver Júlio, Othon Bastos não foi a primeira opção para o papel. Inicialmente o ator interpretaria Assad, o comerciante turco para quem Júlio trabalhava, enquanto Herson Capri e Osmar Prado foram cogitados para viver Júlio. Herson foi fazer Tropicaliente na Globo. Osmar passou de marido a cunhado de Lola. Ganhou o papel de Zeca, marido da irmã mais nova da protagonista, Olga (Denise Fraga).

Atores que participaram das versões de 1977 e 1994 de Éramos Seis, no #TBTdaTelevisão

Jussara Freire e Paulo Figueiredo não apenas integraram os elencos das versões de 1977 e 1994 como também formaram par romântico em ambas. Foram primeiro Olga e Zeca e depois Clotilde e Almeida.

Chica Lopes interpretou a mesma personagem em 1977 e 17 anos depois, no SBT. Ela foi a boa e fiel Durvalina, empregada de Lola que a ajudou a criar os quatro filhos. Ainda, Lia de Aguiar integrou o elenco das duas novelas, mas fazendo apenas breves participações. Nos anos 1970, a atriz participou do final da novela, como a madre superiora do convento onde Lola vai morar na velhice. Já em 1994 Lia se fez presente na primeira fase, como Dona Marlene, mãe de Júlio.

O #TBTdaTelevisão relembra: curiosamente, apesar do grande sucesso, uma única reprise

Éramos Seis é saudada como a melhor novela já feita pelo SBT. Ou pelo menos uma das melhores. De tal forma que provoca curiosidade o fato de ter sido reprisada apenas uma vez nesses 25 anos. Em 2001, inesperadamente, a emissora relançou a história às 18h, em 22 de janeiro. Visto que os capítulos tinham mais tempo de arte do que os originais, a reprise terminou em 23 de maio. Competia diretamente com a novela das 18h da Globo. Pegou os últimos dois meses de O Cravo e a Rosa e dois terços da curtinha Estrela-guia. Ambas estão atualmente em reprise no Canal Viva.

Silvio e Rubens venderam os direitos de produção de seu texto para a Globo, que partirá dele para produzir a substituta de Órfãos da Terra. Ângela Chaves foi a autora-roteirista designada para escrever essa nova versão, que contará com elementos seus, inexistentes nas anteriores. A informação de que Cássio Gabus Mendes interpretará um homem que passou a vida apaixonado por Dona Lola (Glória Pires) atesta isso. Só para ilustrar, esse personagem não existe no romance de Maria José Dupré. Tampouco fez parte de qualquer das versões já feitas, ao que consta. Dado a surpresas e “armas secretas”, quem sabe Silvio Santos não coloca sua versão de novo no ar na mesma época da estreia da novela global, a despeito dos impedimentos conhecidos? Não seria de admirar.