Assim como em A Dona do Pedaço, o #TBTdaTelevisão desta semana trata de atores substituídos às vésperas da estreia

Semanas, meses antes da estreia de uma novela ou minissérie, a imprensa já começa a divulgar os atores reservados para integrar o projeto. Isso é mais do que normal, e até necessário para já ir cultivando nos espectadores a expectativa em torno da realização. No entanto, não é sempre que acontece de um ator ou uma atriz deixar um elenco para o qual foi escalado às vésperas da estreia do trabalho. Aconteceu recentemente na novela das 21h, A Dona do Pedaço. Escalada primeiro para viver Cornélia, a mãe de Eusébio (Marco Nanini), Laura Cardoso foi substituída por Betty Faria no final de março. No #TBTdaTelevisão desta semana, outros casos de atores substituídos às vésperas da estreia de novelas, por vezes com cenas já tendo sido gravadas.

A Dona do Pedaço não é a primeira novela de Walcyr Carrasco a ter atores substituídos às vésperas da estreia

Carolina (Drica Moraes) de Verdades Secretas
Carolina (Drica Moraes) de Verdades Secretas (Divulgação/TV Globo)

Isso aconteceu anteriormente em Verdades Secretas (2015), exibida às 23h. O papel de Carolina, mãe de Arlete/Angel (Camila Queiroz), seria de Deborah Secco, e a atriz chegou a gravar cenas da novela na São Paulo Fashion Week. Mas Deborah descobriu-se grávida de sua filha Maria Flor, e teve de sair do projeto. Drica Moraes entrou em seu lugar. Na mesma novela, Ney Latorraca foi escalado para interpretar Maurice Argent, um estilista que se envolve com o gigolô Anthony (Reynaldo Gianecchini). Mas Ney se submeteu a uma cirurgia entre a estreia e o início de suas gravações, e o papel ficou para Fernando Eiras.

Em 1986, um dos casos mais emblemáticos de atriz substituída por outra pouco antes da estreia de uma novela

Foi na segunda versão de Selva de Pedra, de Janete Clair, que ao que consta será reprisada pelo Canal Viva a partir de agosto. Grande sucesso em 1972, a novela foi resgatada pela Globo num remake para manter a boa audiência de Roque Santeiro, fenômeno de repercussão. Cristiano Vilhena e Simone Marques, o casal cuja vida é tumultuada pela ambição na cidade grande, foram agora interpretados por Tony Ramos e Fernanda Torres.

Sílvia Bandeira foi escalada pelo diretor Walter Avancini, que cuidou dos 20 capítulos iniciais, para o papel de Laura, jovem esposa do milionário Artistides Vilhena (Walmor Chagas), tio de Cristiano. No entanto, Daniel Filho, supervisor do projeto e substituto de Avancini enquanto Dennis Carvalho não assumiu os trabalhos, decidiu colocar no lugar de Sílvia a atriz Maria Zilda Bethlem, que ele queria no papel desde o começo. Maria Zilda teve de regravar às pressas as cenas já feitas por Sílvia. Na novela original Laura foi vivida por Arlete Salles.

Joana Fomm: atriz esteve envolvida em pelo menos três casos de substituição

Em 1978, Joana Fomm foi escalada para interpretar Neide em Dancin’ Days, de Gilberto Braga. Era a empregada da casa da família Souza Prado Cardoso, à qual pertencia o protagonista masculino, Cacá (Antonio Fagundes). Norma Bengell tinha o destacado papel de Yolanda Pratini, irmã rica da protagonista feminina, Júlia (Sônia Braga). Criara sua sobrinha Marisa (Glória Pires) como filha. No entanto, Norma e o diretor Daniel Filho se desentenderam e ele achou melhor afastá-la da novela. Deu o papel de Yolanda para Joana Fomm e escalou Regina Vianna para o de Neide.

Já em 2003, a novela Agora É que São Elas, de Ricardo Linhares, contaria com Neusa Borges no papel de Dinorá, uma das costureiras amigas de Antônia (Vera Fischer) na cooperativa que as mulheres mantinham na trama. Pouco antes da estreia da novela, já com chamadas no ar mostrando Neusa, a atriz caiu de um carro alegórico da escola de samba Unidos da Tijuca durante o desfile de Carnaval, e fraturou a bacia. Joana Fomm ficou com o papel.

Problemas de saúde tiraram Joana Fomm de novela em 2007

No ano de 2007, Gilberto e Ricardo assinaram em parceria a novela Paraíso Tropical. Marion Novaes era uma personagem que vivia de expedientes no meio dos ricos. Um péssimo exemplo para os filhos Olavo (Wagner Moura) e Ivan (Bruno Gagliasso). Foi destinada a Joana Fomm, que não pôde aceitá-la devido a problemas de saúde. Vera Holtz foi escalada em seu lugar e em virtude disso deixou o elenco da minissérie Amazônia – De Galvez a Chico Mendes, de Glória Perez. Ela interpretaria Justine na segunda fase da história. Só para ilustrar, na primeira o papel foi de Leona Cavalli e na segunda ficou para Zezé Polessa.

Tonia Carrero perdeu duas vilãs de Gilberto Braga nos anos 1980

Entre 1980 e 1983, Gilberto Braga escreveu três novelas para a Rede Globo, a saber: Água Viva, Brilhante e Louco Amor. Na primeira e na terceira, inicialmente se desejava que Tonia Carrero interpretasse as vilãs, respectivamente Lourdes Mesquita e Renata Dumont. No entanto, nas duas ocasiões a atriz perdeu o papel para uma colega de elenco, com a qual trocou de papel. Água Viva teve Beatriz Segall como Lourdes e Tonia como Stella Simpson, personagem que marcou sua carreira. Já em Louco Amor a embaixatriz Renata foi destinada a Tereza Rachel. Inicialmente ela viveria Muriel, a dona da revista “Stampa”, que ficou com Tonia.

O Direito de Nascer: duas substituições inesperadas em papéis muito importantes

Em 1978, a Rede Tupi resgatou um dos sucessos dos primórdios da telenovela brasileira: O Direito de Nascer. O original de Félix Caignet foi readaptado por Teixeira Filho e Carmem Lídia e exibido numa faixa intermediária entre as 19h e as 20h. Para a personagem Isabel Cristina, mocinha da história em sua segunda fase, foi escalada Débora Duarte. Seu par com Carlos Augusto Strazzer, sucesso em O Profeta (1977/78), seria repetido. Mas a atriz se desentendeu com a produção e deixou a novela, mesmo já tendo gravado alguns capítulos. Beth Goulart foi então deslocada de Roda de Fogo, a novela das 20h, para assumir o trabalho. Já Adriano Reys foi escalado às pressas para o personagem Dom Jorge Luís por um motivo mais triste. Zanoni Ferrite, o intérprete inicial, faleceu após sofrer um acidente de automóvel uma semana antes da estreia.

Em novelas recentes, alguns casos de substituições de atores já com trabalhos iniciados

Em 2017 e 2018 houve alguns casos de atores substituídos em novelas já com as gravações iniciadas. Novo Mundo, de Thereza Falcão e Alessandro Marson, perdeu Giulia Gam e Márcia Cabrita. Foi bem no começo do processo e ambas por motivos de saúde. A primeira seria a Princesa Carlota Joaquina, esposa de D. João (Léo Jaime), que ficou com Débora Olivieri. Ao passo que a segunda viveria Germana, que com o marido Licurgo (Guilherme Piva) cuidava de uma taberna na Corte. Vivianne Pasmanter deitou e rolou com a personagem, um de seus melhores momentos na televisão. Márcia acabou ganhando outro papel, Narcisa, esposa de José Bonifácio (Felipe Camargo). Pouco depois do final da novela, Márcia faleceu, vítima de câncer, aos 53 anos.

Em novela das sete medieval, dois casos de atores substituídos

Já em Deus Salve o Rei foi o mocinho Afonso, príncipe de Montemor, quem trocou de intérprete bem no começo das gravações. Renato Góes e o diretor artístico da novela de Daniel Adjafre, Fabrício Mamberti, se desentenderam. O papel passou para Rômulo Estrela. Este já estava no elenco, a saber, no papel de Tiago, que ficou com Vinícius Redd.

Além disso, na mesma novela, Cláudia Jimenez chegou a iniciar as gravações no papel de Margot. Tratava-se da tia de Lucrécia (Tatá Werneck) que acreditava ser rainha de Alcaluz. No entanto, por motivos de saúde a atriz precisou deixar o elenco. Foi substituída por Cristina Mutarelli.

Não é a primeira substituição na qual Betty Faria se vê envolvida

Em 1984, Betty Faria foi escalada para interpretar Liana em Transas e Caretas, novela de Lauro César Muniz. Todavia, a personagem só entraria em cena quando a trama estivesse adiantada. Por volta do capítulo 80, mais especificamente. Nesse ínterim, Betty aceitou o convite para viver a porta-bandeira Jussara em Partido Alto, novela de Aguinaldo Silva e Glória Perez. Quando Liana apareceu, foi na figura de Lady Francisco, recentemente falecida.

No SBT, alguns casos a contar no quesito “atores substituídos em novelas”

Na teledramaturgia do SBT, também aconteceu de atores confirmados em algumas novelas serem substituídos por outros. Mesmo quando as gravações já haviam se iniciado. No ano de 1996, Silvio Santos fez sua primeira parceria com a televisão argentina. Mandou gravar lá Antonio Alves, Taxista, baseada na obra de Alberto Migré e traduzida por Ronaldo Ciambroni. O Antonio Alves do título (Fábio Jr.) se via dividido amorosamente entre a jovem Mônica (Guilhermina Guinle) e a madrasta dela, Claudine. Esse papel marcaria a volta de Sônia Braga às novelas após 16 anos ausente. No entanto, a atriz se desagradou muito do texto que recebeu e deixou o trabalho. Em seu lugar entrou Branca de Camargo, conhecida por alguns trabalhos na Globo.

Patrícia de Sabrit chegou a iniciar os trabalhos de Amor e Ódio, novela de Henrique Zambelli baseada na obra de Inés Rodena exibida em 2001 pelo SBT. Mas seu porte físico acabou fazendo com que Suzy Rêgo, mais alta e corpulenta, fosse escolhida para o papel em virtude de possuir características mais condizentes com a personagem, de nome Regina.