#TBTdaTelevisão: Os 25 anos de A Viagem

Nesta semana, o #TBTdaTelevisão do Observatório da Televisão resgata uma das novelas de maior sucesso de todos os tempos: A Viagem, de Ivani Ribeiro. Originalmente exibida pela Rede Tupi em 1975, a história foi refeita pela Rede Globo em 1994, e esta segunda versão completa 25 anos de estreia neste 11 de abril. Foi a maior audiência do horário em toda a década de 1990.

O núcleo central da trama de A Viagem

Dinah (Christiane Torloni) se divide entre as atenções à família e os expedientes de que se utiliza para vigiar o marido Téo (Maurício Mattar). Ele é mais jovem do que ela e os dois têm uma filha, Patrícia (Viviane Pinheiro). O sucesso de Téo com as mulheres leva Dinah a sentir muita insegurança em relação ao casamento e, apesar dos avisos de todos, especialmente da irmã Estela (Lucinha Lins), com quem tem forte ligação, ela sufoca o marido com seu ciúme que passa do limite.

Outros irmãos de Dinah e Estela são Raul (Miguel Falabella), sócio de Téo num escritório de arquitetura e casado com Andrezza (Thaís de Campos), e o caçula Alexandre (Guilherme Fontes). Este é irresponsável, inconsequente e pouco dado ao trabalho. Sempre foi mimado por todos e isso explica muito de seu comportamento.

O pontapé inicial de A Viagem, no #TBTdaTelevisão

A história começa quando Alexandre é flagrado por Waldomiro (Nildo Parente) tentando roubar dinheiro do cofre da empresa onde ambos trabalham. Desesperado ante a perspectiva de ser entregue, Alexandre mata Waldomiro e foge. Sua investida contra Téo e Raul para que eles lhe deem dinheiro e o ajudem a fugir logo revela o crime que a provocou. E eles o denunciam à polícia. Preso, Alexandre jura se vingar de todos que o levaram para a cadeia e o impediram de fugir com a namorada Lisa (Andréa Beltrão). Além do irmão e do cunhado, neste rol de alvos está também Otávio Jordão (Antonio Fagundes). Respeitado por sua competência, ele se nega a defender o rapaz, uma vez que Waldomiro era seu grande amigo. E não só Otávio se nega a representar Alexandre como faz questão de integrar a equipe de acusação.

Alexandre é condenado e se suicida na cadeira. Mas não sem antes prometer vingança contra todos que, sob seu ponto de vista, prejudicaram-no. Ou seja, Téo, Raul e Otávio. Atuando como um espírito obsessor, Alexandre tumultua a vida dos vivos e causa muitos problemas. Antes amável, simpático e sorridente, Téo se torna ciumento, possessivo e violento, especialmente após seu envolvimento com Lisa.

A pensão de Cininha, o vagabundo Agenor, a banda dos jovens: a vila de A Viagem, no #TBTdaTelevisão

Como o horário das 19h da Rede Globo na ocasião já vinha de 15 anos de tônica principal baseada na comédia, o remake de A Viagem se garantiu com elementos que atraíssem o público que eventualmente estranhasse a história central. A pensão de Dona Cininha (Nair Bello), já presente no original, foi mantida e seus moradores tiveram bastante destaque na história, servindo de contraponto à temática espírita. Embora um deles, Seu Tibério (Ary Fontoura), também compusesse o “time espírita” e falasse com um amigo que só ele via, seu guia.

Outros momentos cômicos surgiam do comportamento de Agenor (John Herbert). Pai de Lisa e de Zeca (Irving São Paulo), ele é viúvo há muitos anos e não faz muita força para trabalhar. Vive na aba dos filhos, sobre quem tem bastante ascendência, apesar do corpo mole. Agenor se envolve com Fátima (Lolita Rodrigues), dona de um salão de beleza que vai morar na pensão de Cininha.

Zeca, Sofia e a banda

Alguns personagens jovens formavam uma banda. Além de Zeca, era também o caso de Boca (Walther Verve), Dedé (Eduardo Felipe), Gordo (Gerson Steves) e Bárbara (Chris Pitsch). Chris faleceu muito jovem, aos 25 anos, em 1995. Outros personagens jovens de destaque na história eram Naná (Keila Bueno) e Padilha (Renato Rabello), ambos moradores da pensão. O rapaz era também empregado do estabelecimento e sofria com piadinhas relativas a sua sexualidade. No entanto, posteriormente foi considerado entre os suspeitos de terem engravidado Sofia (Roberta Índio do Brasil). Também inquilina de Dona Cininha, a moça engravidou após um baile de máscaras. Isso tumultuava seu romance com Zeca, que era justamente o pai da criança. No decorrer da história a mãe de Sofia, Salomé (Myriam Pérsia), também se muda para a pensão.

Algumas curiosidades em torno de A Viagem, no #TBTdaTelevisão

Pouca gente sabe ou se lembra, mas Christiane Torloni, por incrível que pareça, não foi o primeiro nome pensado para o papel de Dinah. Anteriormente, Regina Duarte foi a escalada, já com Antonio Fagundes como seu par, Otávio. Bem como por breve período a emissora se dividiu entre colocar A Viagem no ar como novela das 18h ou das 19h, já que pela mesma época, com diferença de poucas semanas, tanto Sonho Meu quanto Olho no Olho chegariam ao final. Mas ela poderia, com toda a certeza, ser novela das 20h, como foi na Tupi, embora às 19h tenha sido um respiro dramático de muita qualidade.

O mito dos 160 capítulos de A Viagem

Segundo dados apurados por livrarias especializadas no tema espiritismo, a exibição da novela aumentou em 50% a venda de livros sobre o assunto. Além disso, embora conste em todos os registros como tendo 160 capítulos, A Viagem teve 167, no ar ao longo de 28 semanas de abril a outubro de 1994. A reorganização da grade motivada especialmente pela cobertura especial da Copa do Mundo de Futebol não apenas mudou em diversas ocasiões o horário da novela, como também a duração dos capítulos. Ou seja, em certas noites acabou sendo exibida apenas parte do que se pretendia em condições “normais”. Podemos definir o remake de A Viagem como uma novela que teve 160 capítulos escritos e gravados, mas desdobrados em 167 na edição para exibição. Só para ilustrar, a versão de 1975/76 foi um pouco mais curta: teve 141.

De César para Otávio, de Maria Lúcia para Bia: os personagens que mudaram de nome

Alguns personagens mudaram de nome de uma versão para outra de A Viagem. A já citada Dona Cininha no original era Dona Cidinha (Leonor Lambertini). Uma de suas pensionistas, Edineia (Mara Manzan), chamava-se Edméa (Maria Viana) na novela da Tupi. O próprio Otávio se chamava César quando vivido por Altair Lima anos antes. Seu nome foi trocado, primeiro para Renato e depois para Otávio, porque em Olho no Olho o grande vilão se chamava César (Reginaldo Faria). No remake o advogado ficou Otávio César Jordão. Seu filho Tato ganhou esse apelido por ser Otávio Júnior, mas em 1975, quando interpretado por Carlos Alberto Riccelli, ele era simplesmente Júnior.

Outros personagens rebatizados

A Naná de Keila Bueno havia sido Nenê na Tupi, com Tereza Sodré como intérprete. Dona Josefa (Tânia Scher), a mãe de Téo, chamava-se Josefina (Yolanda Cardoso) na versão original. Por sua vez, a mãe de Dinah, Estela, Raul e Alexandre foi Dona Isaura (Carmen Silva) nos anos 1970. Bia (Fernanda Rodrigues), filha de Estela, chamava-se Maria Lúcia antigamente. O irmão de Lisa (Elaine Cristina) na primeira versão tinha o nome de Hélio (Ricardo Blat). Quando Otávio chega ao Nosso Lar, reencontra sua primeira esposa Júlia (Rejane Goulart), que no original tinha o nome de Verônica (Annamaria Dias). O orientador dos que chegavam a essa nova dimensão da vida, Irmão André (Lafayette Galvão), foi antes chamado de Conselheiro Daniel (Cláudio Corrêa e Castro).