#TBTdaTelevisão: Vídeo Show e seu fim às vésperas dos 36 anos

Nesta semana, o #TBTdaTelevisão do Observatório da Televisão fala do vespertino Vídeo Show, cuja saída do ar amanhã, dia 11, foi anunciada abruptamente pela Rede Globo anteontem. Seu tempo de arte será ocupado provisoriamente por mais uma edição do Álbum da Grande Família. A Sessão da Tarde subirá para as 14h, após o Jornal Hoje. Na semana que vem, não haverá Lineu e companhia em virtude da dobradinha do Vale a Pena Ver de Novo. Os cinco capítulos finais de Belíssima serão exibidos com os cinco primeiros de Cordel Encantado, o novo cartaz.

Globo acerta ao extinguir Vídeo Show, mas deveria ter planejado melhor a despedida

Mais de três décadas de história: Vídeo Show no #TBTdaTelevisão

Desde sua estreia, em março de 1983, o Vídeo Show foi o maior espaço de divulgação da Globo na própria Globo. Sua proposta inicial era resgatar o acervo dos primeiros 18 anos da emissora. O que na prática representou resgatar material de pouco mais de 10 anos, uma vez que muito se perdeu nesse ínterim. Todavia, a atração foi se estabilizando na grade e conquistando público cativo. Nos primeiros 11 anos no ar, o Vídeo Show era semanal, aos sábados ou domingos, conforme a época. Só em abril de 1994 ele se tornou diário, como até agora. Seu formato ideal, na fase diária, contava 30 minutos no ar.

Foram muitas as fases e diversos os apresentadores do Vídeo Show nestes mais de 30 anos. Desde os primeiros programas com Tássia Camargo até a dupla formada por Joaquim Lopes e Sophia Abrahão. Os 15 anos com Miguel Falabella e outros mais de 10 com André Marques, sozinho ou acompanhado. Bem como muitos foram os repórteres da atração, desde Cissa Guimarães e Carla Camuratti a Chris Couto e Sarah Oliveira, passando por Renata Ceribelli, Zezeh Barbosa, Patrícia de Jesus e Vivian Amorim.

Bastidores e falhas das gravações e novidades sobre o que viria pela frente na telinha. Clássicos do passado resgatados, por vezes até de outras emissoras… O Vídeo Show sempre foi um deleite para os apaixonados por televisão. Pena que tenha se descaracterizado, por equívoco de muitos ao longo do tempo.

Destino dos funcionários do Vídeo Show é definido

Alterações abruptas na grade não são do feitio da Globo, mas também não são novidade

O tema do nosso #TBTdaTelevisão desta semana não está sozinho nessa. Em algumas ocasiões ao longo de sua história, a Rede Globo promoveu alterações drásticas e repentinas. A exemplo desta saída do ar do Vídeo Show. Por exemplo, em 1990, com o grande sucesso de Pantanal na Rede Manchete, a Globo limou quase todas as atrações de sua linha de shows. Levados ao ar às 21h30, mesmo horário de Pantanal, programas como TV Pirata e Delegacia de Mulheres passaram por dificuldades. Em virtude dos problemas de audiência, foram cancelados. Sobraram apenas a Tela Quente e o Globo Repórter na ocasião.

TV Zona (1994), com Luiz Thunderbird, a série Casa do Terror (1995), Sociedade Anônima (2001), com Cazé Peçanha, e Norma (2009), com Denise Fraga, são outros exemplos de programas retirados no ar sem choro nem vela pela Globo. Após poucas edições exibidas, em virtude de seus resultados aquém do esperado eles saíram do ar.

Apesar dos pesares dos últimos tempos, o programa deixa saudade

Foi através do Vídeo Show que por muitos anos o público se informou a respeito dos bastidores da emissora. Assim como foi por meio do programa que toda uma geração, mais de uma até, se informou a respeito do passado da nossa televisão. Novelas, musicais, humorísticos, o trabalho de profissionais falecidos ou que abandonaram a carreira… Este jornalista que vos escreve mesmo. O quanto aprendeu, conheceu e se encantou com o que viu no Vídeo Show, desde criança, é impossível dimensionar. Inclusive, agradeço, seguramente também em nome de diversos outros noveleiros, ao trabalho de todos os envolvidos no programa nesses 36 anos. Eu mesmo já estive lá, em 2009, como participante do Vídeo Game com Angélica, na fase em que recebeu candidatos anônimos.

A Rede Globo pode, ou já pode, bancar fracassos, desde que deseje fazê-lo em nome do valor das atrações pouco vistas. Claro, estudando sempre maneiras de alcançar os melhores resultados comerciais e artísticos. O Vídeo Show ainda pode sobreviver na internet, por exemplo, ou um dia voltar à grade de programação? Acredito que sim, desde que tenha novamente definida uma cara condizente com sua história. E os propósitos que teve sempre, aliados aos novos tempos. Sempre soou anacrônico o programa repercutir comentários feitos nas redes sociais, ou noticiar fofocas do mundo dos famosos, para emular o que rouba sua audiência nos canais concorrentes.