#TBTdaTelevisão: Relembre as novelas de Aguinaldo Silva

Na próxima segunda-feira, dia 12, Aguinaldo Silva estreará sua décima quinta novela, O Sétimo Guardião. A exemplo desta, as outras 14 também foram exibidas pela Rede Globo e também foram novelas das 21h (antes, 20h). O #TBTdaTelevisão com Fábio Costa relembra nesta semana a obra de Aguinaldo Silva para a TV brasileira no gênero novela.

Aguinaldo Silva, autor de O Sétimo Guardião
Aguinaldo Silva, autor de O Sétimo Guardião (Divulgação)

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O jornalismo policial e a chegada de Aguinaldo Silva à televisão

Após 15 anos atuando no jornalismo, especialmente o policial, Aguinaldo Silva ingressou na TV em 1979, já na Rede Globo. Sua estreia foi como um dos autores da série Plantão de Polícia, que permaneceu no ar até 1981. O personagem principal do programa era Waldomiro Pena (Hugo Carvana), “o último repórter policial romântico”, como dizia o tema de abertura composto por Jorge Ben Jor. Para desenvolvê-lo, claro, Aguinaldo usou muito de sua própria experiência na área.

Após a série, Aguinaldo escreveu algumas das primeiras minisséries da TV brasileira. Inclusive a primeira de todas, Lampião e Maria Bonita (1982), em parceria com Doc Comparato. E também programas para o projeto Quarta Nobre, em 1983. Até que Boni o convidou para escrever uma novela às 20h, junto com Glória Perez. O curioso é que ambos tiveram sua indicação para o cobiçado posto influenciada por Janete Clair, falecida no final de 1983. Glória estreou no gênero colaborando com Janete em Eu Prometo (1983/84), ao passo que Aguinaldo foi indicado a Boni pela novelista veterana. Ao acompanhar a minissérie Bandidos da Falange (1983), Janete disse ao manda-chuva da emissora que Aguinaldo era um novelista.

Aguinaldo e Glória se juntaram para desenvolver Partido Alto, que enfrentou diversos problemas de percurso, especialmente com a Censura. Mais ou menos na metade da história, Aguinaldo deixou-a para adaptar um romance de Jorge Amado, Tenda dos Milagres. Os direitos haviam sido adquiridos recentemente. O trabalho foi exibido como minissérie no ano seguinte.

Roque Santeiro: as controvérsias da autoria e um estouro de audiência

Em 1985, Dias Gomes viu sua novela Roque Santeiro ser desengavetada após 10 anos de censura. Símbolo da transição da ditadura para o Brasil democrático, a novela teve mais de 100 de seus capítulos conduzidos por Aguinaldo Silva. A saber, na ocasião Dias estava à frente da Casa de Criação Janete Clair, que desenvolvia projetos para a dramaturgia da emissora. Em virtude disso, indicou Aguinaldo para escrever a novela. No entanto, reassumiu-a a dois meses do fim, o que desagradou Aguinaldo. Os dois tiveram uma desavença que durou vários anos. No final, fizeram as pazes. O que é conta é que a história da cidade de Asa Branca, que vivia em torno do mito de Roque Santeiro (José Wilker), supostamente morto ao defendê-la, tornou-se o maior sucesso da teledramaturgia brasileira.

Na sequência, Aguinaldo escreveu a história urbana de O Outro (1987), protagonizada por Francisco Cuoco interpretando dois personagens, sósias. O empresário Paulo e o dono de ferro-velho Denizard, que assume o lugar do outro ao perder a memória após um acidente. Falamos dela recentemente também aqui no #TBTdaTelevisão. Ainda, dividiu com Gilberto Braga e Leonor Bassères a autoria de Vale Tudo (1988), um grande sucesso, atualmente em reprise no Canal Viva.

O ciclo das novelas rurais e do realismo fantástico

O Sétimo Guardião tem sido saudada como a volta do autor e do horário das 21h ao realismo fantástico, como salienta o #TBTdaTelevisão esta semana. Entre 1989 e 2001, Aguinaldo Silva escreveu diversas histórias com ambientação e temática semelhantes. Tieta (1989/90) e Porto dos Milagres (2001) foram baseadas em obras de Jorge Amado. Fera Ferida (1993/94), por sua vez, partia da obra de Lima Barreto. Pedra Sobre Pedra (1992) e A Indomada (1997) – esta também atualmente em cartaz no Viva – eram originais. Todavia, guardavam semelhanças com as “irmãs”. A cidade nordestina pequena e atrasada, a galeria de personagens pitorescos, os bordões. As figuras enigmáticas como o Cadeirudo e a Mulher de Branco. Os acontecimentos imprevisíveis envolvendo vilãs que viram fumaça, tempestades de areia e homens puxados pela Lua. E esses são apenas alguns dos muitos exemplos.

A exceção a este clima de realismo fantástico no período foi Suave Veneno (1999). Inspirada no Rei Lear de Shakespeare, a história do empresário Waldomiro Cerqueira (José Wilker) em conflito com a família enfrentou vários percalços. Vale lembrar que Aguinaldo contou com a parceria de Ana Maria Moretzsohn e/ou Ricardo Linhares em quase todas essas novelas.

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A volta ao drama urbano e o sucesso de Senhora do Destino

Após tantas novelas parecidas, como o próprio Aguinaldo reconhece, o novelista decidiu trilhar outros caminhos. Tanto assim que desejava assinar a novela seguinte com pseudônimo, a fim de mostrar que podia inovar e surpreender. Em 2004, com Senhora do Destino, atingiu um dos maiores êxitos da carreira e começou uma sequência de histórias urbanas e modernas. Posteriormente vieram Duas Caras (2007/08), Fina Estampa (2011/12) e Império (2014/15). Aliás, Império guardou algumas semelhanças com Suave Veneno. Como se o autor quisesse contar da forma desejada a história, o que anteriormente não conseguiu.

Só para ilustrar, duas dessas novelas urbanas de Aguinaldo Silva carregam o título de mais vistas de suas respectivas décadas. A saber, Senhora do Destino e Fina Estampa, também relembradas no #TBTdaTelevisão. Visto que O Sétimo Guardião tem características atrativas e diferentes do usual dos últimos anos, pode ser que faça bastante sucesso. E, com isso, obtenha índices expressivos de audiência. Seja como for, não deixa de ser curiosa essa volta de Aguinaldo ao realismo fantástico. O novelista já havia declarado, anos atrás, que descartava a possibilidade de retomar a temática. Diante de uma realidade como a atual, soaria até ingênuo, em suas palavras. Sem dúvida, mudou de opinião.