#TBTdaTelevisão: Recorde novelas com ousadias narrativas

O atual cartaz das 18h da Rede Globo, Espelho da Vida, apresenta uma história inspirada, na qual a protagonista Cris (Vitória Strada) mergulha em sua vida passada, como Júlia Castelo, uma mulher da sociedade, através de um determinado espelho. Entre a década de 1930 e a atualidade, diversos personagens têm seus duplos, relacionados com a vida de Júlia/Cris. Pode parecer confuso, mas não é. Ousadias como esta em novelas são o tema do #TBTdaTelevisão desta semana, com Fábio Costa, no Observatório da Televisão.

#TBTdaTelevisão: Relembre alguns personagens que morreram (SQN) nas novelas

Lauro César Muniz: #TBTdaTelevisão resgata algumas das arrojadas novelas do autor

Lauro César Muniz
Lauro César Muniz

Nos anos 1970, foram feitas algumas das mais memoráveis novelas da nossa TV. Com toda a certeza, Lauro César Muniz escreveu mais de uma delas. E sempre propôs coisas arrojadas para o gênero, sem acomodação e sem subestimar o público. Sua primeira novela das 20h na Rede Globo, Escalada (1975), já apresentou uma novidade. Se hoje é comum termos novelas com mais de uma fase, dando prosseguimento à trajetória de um ou mais personagens, na época isso não acontecia. No caso, foi Antônio Dias (Tarcísio Meira) quem teve a vida acompanhada em três fases distintas pelo público. Os problemas da vida profissional alinhavados junto à divisão entre duas mulheres: Cândida (Susana Vieira) e Marina (Renée de Vielmond).

Não contente, Lauro César inovou ainda mais no ano seguinte. O Casarão (1976) também contava sua história em três épocas. No entanto, essas três épocas se intercalavam na narrativa. Ou seja, podia haver uma cena em que Carolina já idosa (Yara Cortes) abrisse uma porta e outra câmera revelasse a Carolina moça (Sandra Barsotti) entrando no cômodo em questão. Ao invés de “o que vai acontecer agora?”, símbolo da expectativa do telespectador, a frase que se podia dizer no decorrer da novela era “como isso aconteceu?”.

Em 1977, com Espelho Mágico, a ousadia de Lauro César Muniz já não foi tão bem recebida. Ao se dispor a contar a vida dos astros da televisão, e ainda mostrar o desenrolar de uma novela que seus personagens faziam como atores, o dramaturgo confundiu alguns espectadores e irritou outros, desiludidos da visão que tinham dos grandes titãs da telinha. Muito se confundia os atores com seus personagens e os conflitos que viviam em duas instâncias ficcionais.

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Outras ousadias na estrutura das novelas no #TBTdaTelevisão desta semana

Alinne Moraes e Rafael Cardoso, protagonistas de Alem do Tempo
Alinne Moraes e Rafael Cardoso, protagonistas de Além do Tempo (Divulgação/TV Globo)

Além das obras de Lauro César Muniz supracitadas, o #TBTdaTelevisão relembra outros casos. Inclusive um de autoria da mesma Elizabeth Jhin de Espelho da Vida. A saber, a novela Além do Tempo (2015/16). Anteriormente à própria Escalada, a hoje cultuada O Rebu (1974/75), de Bráulio Pedroso. Aqui, praticamente a novela toda numa festa da elite e seu desenrolar.