Samba é marca registrada da trilha da novela Lado a Lado, da Globo
Samba é marca registrada da trilha da novela Lado a Lado, da Globo (Reprodução/TV Globo)

Símbolo maior da identidade nacional quando se trata de música, o samba está em toda a cultura brasileira, obviamente. Porém, é na fusão com outro representante do povo deste país que há um resultado interessante. Algumas novelas adotaram o ritmo musical como tema de abertura ou mesmo na trilha sonora dos personagens. Tudo isso culminou, claro, numa explosão de brasilidade.

O samba surgiu marginalizado, no Rio de Janeiro, no início do século passado, passou por um processo de aceitação até ser reconhecido de fato como um ritmo urbano e nacional. Neste processo de popularização, os compositores cariocas foram fundamentais ao criarem letras que descrevem, entre outras coisas, o jeito de ser do povo brasileiro.

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Considerando que neste 2 de dezembro se comemora o Dia Nacional do Samba, o Observatório da Televisão preparou um material especial para recordar algumas novelas e personagens que trouxeram esse ritmo musical para dentro da narrativa.

Um exemplo que vale a pena considerar é o da novela Senhora do Destino. Exibida originalmente em 2004 e, atualmente, nas tardes da Globo, a trama de Aguinaldo Silva tinha uma pegada extremamente popular. O elemento carioca mais presente no roteiro, inclusive, é o samba. Em determinado momento da trama, os personagens chegam a desfilar, de verdade, pela escola fictícia, na Marquês de Sapucaí.

Danielle (Ludmila Dayer) e Regininha (Maria Maya) demonstram rivalidade na quadra da escola de Senhora do Destino
Danielle (Ludmila Dayer) e Regininha (Maria Maya) demonstram rivalidade na quadra da escola de Senhora do Destino (Reprodução/TV Globo)

Ao contrário do que alguns podem imaginar, o samba no contexto da novela foi muito bem aceito pelo país inteiro e cenas memoráveis foram levadas ao ar. Quem não se lembra das disputas entre Daniele e Regininha na quadra da escola da novela? Ambas queriam ser rainhas de bateria da Unidos de São Miguel. Era muito difícil decidir quem tinha mais samba no pé.

 

Célio (Raul Cortez) fala com integrantes de samba em Pai Herói
Célio (Raul Cortez) fala com integrantes de samba em Pai Herói (Reprodução/TV Globo)

Curiosamente, Partido Alto, novela escrita também por Aguinaldo Silva, porém, em parceria com Glória Perez, em 1979, também tinha samba e um personagem que lembra o Giovani Improtta, de Senhora do Destino, o Célio, feito por Raul Cortez e definido como banqueiro do jogo do bicho. Ele é, na trama, o presidente da escola de samba Acadêmicos do Encantado.

 

José Alfredo (Alexandre Nero) ajuda Cora (Marjorie Estiano) a subir em carro alegórico
José Alfredo (Alexandre Nero) ajuda Cora (Marjorie Estiano) a subir em carro alegórico (Reprodução/TV Globo)

Silva colocou samba, também, em Império, produzida em 2015 e um dos maiores sucessos de sua carreira. O protagonista José Alfredo é, inclusive, reconhecido como Marquês de Sapucaí, e foi tema do desfile da fictícia União de Santa Teresa.

 

 

Ana Preta (Glória Menezes) pulando carnaval na Marquês de Sapucaí, em Pai Herói
Ana Preta (Glória Menezes) pulando carnaval na Marquês de Sapucaí, em Pai Herói (Reprodução/TV Globo)

Em tempos mais antigos, a folia foi retratada eficientemente. A novela Pai Herói, por exemplo, de 1979, tinha até uma casa de samba, um ponto de encontro dos personagens. A dona da gafieira era Ana Preta, feita pela Glória Menezes, que morava no subúrbio. Uma das cenas memoráveis é justamente uma das últimas, quando ela aparece sambando sozinha em um carro alegórico na Sapucaí.

 

Tuquinha (Maria Ceiça) é esfaqueada em quadra da escola de samba, em Felicidade
Tuquinha (Maria Ceiça) é esfaqueada em quadra da escola de samba, em Felicidade (Reprodução/TV Globo)

Já nos anos 90, uma trama que marcou foi Felicidade, de Manoel Carlos. No último capítulo, por exemplo, uma das cenas mais recordadas, mais emblemáticas ocorreu justamente na quadra da escola Estácio de Sá.

A pobre Tuquinha, feita pela Maria Ceiça, foi esfaqueada e morta por Tide (Maurício Gonçalves). O lugar que é de alegria e festa foi palco para o fim trágico da personagem. Um contraste de sentimentos eficientemente bem realizado.

Já no final daquela década, foi Nivea Stelmann quem tomou para si o protagonismo. Eliete era ninfomaníaca e amava pagode. Sim, aquele ritmo romântico que explodiu no país em 99. Para completar, o concurso fictício Garota do Bumbum Dourado mexeu com a imaginação do telespectador. Quer embarcar nesta atmosfera? Dê um play no vídeo e escute o tema de Eliete em bom pagode.

Voltando para meados dos anos 2000, quem não cantava no Tempo de Dondon? A canção, interpretada por Dudu Nobre, na novela Celebridade, cobria as cenas populares no bairro do Andaraí, no Rio de Janeiro. Esse samba, sem dúvida, foi fundamental para trazer o ar boêmio para a trama de Gilberto Braga.

Não muito tempo depois, entrou em cena o personagem Feitosa, de América, novela de Glória Perez, em 2005. Interpretado por Aílton Graça, o personagem caiu no gosto do povo. Boêmio, toda que vez que começava a canção Meu ébano, – “Você é um negão de tirar o chapéu, não posso dar mole se não você créu” -, o povo já sabia que Feitosa iria dar o ar da graça.

No megassucesso internacional Avenida Brasil, também teve samba. No Meu Lugar, interpretado por Arlindo Cruz, foi adaptada para o bairro fictício do Divino, o principal da novela. Com muito carioquismo e um ritmo extremamente brasileiro, a canção foi uma das que mais chamaram atenção na novela escrita por João Emanuel Carneiro, em 2012.

Para encerrar, a novela Lado a Lado, talvez, tenha a sido a produção que mais encantou – em tempos recentes – quando o objetivo é trazer as raízes brasileira no samba para a dramaturgia.

A própria trama apresentou um pouco da origem histórica do samba. A abertura da novela contribuiu para que a produção fosse um espetáculo quando se trata de representar artisticamente a cultura nacional.

Com Liberdade! Liberdade! Abra as Asas sobre Nós!, interpretado por Dominguinhos do Estácio, a novela impactou os telespectadores das 18h, da Globo. A música foi o samba da Imperatriz Leopoldinense do carnaval de 1989. A escola conquistou o título, naquele ano. Essa abertura vale a pena conferir.

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