Mayara Magri

Recentemente, com as reprises de A Gata Comeu (Canal Viva) e A Escrava Isaura (Record TV), a curiosidade em torno de por onde anda Mayara Magri se reacendeu junto ao público. Sempre muito bonita, talentosa e agradável em cena, a atriz que estreou ainda muito jovem – em 1981, na novela Os Adolescentes – emendou por muitos anos diversas novelas, filmes e peças de teatro. Desde abril de 2005, com o fim de A Escrava Isaura, não fez mais novelas inteiras, e está longe dos estúdios desde quando fez participações especiais no humorístico Toma Lá, Dá Cá (Globo) e na novela Vende-se Um Véu de Noiva (SBT), em 2009.

Já na segunda novela, Ninho da Serpente (Bandeirantes, 1982), de Jorge Andrade, Mayara viveu a empregada Marinalda, que comete a “ousadia” de se apaixonar por Karl (Paulo César Grande), um dos netos de Guilhermina Taques Penteado (Cleyde Yaconis). Jorge havia escrito Os Adolescentes do meio para o fim, em substituição a Ivani Ribeiro. “Eu tive muita sorte porque tinha entrado na EAD [Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo] com um texto do Jorge Andrade, Pedreira das Almas, e fui escalada pro Ninho da Serpente por ele. Foi um encontro, marcou demais a minha vida. Foi um grande começo”, conta a atriz.

Marinalda ganhou destaque no decorrer da novela e acabou morta a mando de Guilhermina. Ainda quase uma menina, Mayara estava rodeada por um elenco de grandes nomes, sob a direção de Henrique Martins e supervisão de Antonio Abujamra. “Eu era muito tímida e ficava muito nervosa quando tinha que gravar com a Cleyde Yaconis, com a Beatriz Segall… Eu tremia por dentro. O que me ajudou foi fazer par com o Paulo César Grande, era sua primeira novela, a gente pelo menos estava no mesmo barco”.

Após mais uma novela na emissora do Morumbi – Sabor de Mel (1983), também de Jorge Andrade, na qual interpretou a estudante Terezinha – e da série Casal 80, Mayara se transferiu para a Rede Globo, onde estreou na novela Amor Com Amor se Paga, de Ivani Ribeiro. Sua personagem era Rosemary, filha da americanófila Maria da Graça, ou melhor, Grace (Yoná Magalhães), e seu casamento com João Paulo, o Johnny (Matheus Carrieri), acompanhava o desacerto da relação entre Grace e o pai do rapaz, o viúvo Bruno (Carlos Eduardo Dolabella). “Quando fui para a Globo também gravei com grandes ídolos, como a Yoná, o Dolabella e o grande Ary Fontoura”, recorda Mayara.

O trabalho seguinte, também de Ivani Ribeiro, acabou se tornando um dos mais queridos do público: a Babi de A Gata Comeu. A mocinha de corte de cabelo bastante característico, o “rabicho da Babi”, mantinha com Tito (Jayme Periard), um delinquente, um relacionamento desaprovado por seu pai, Gustavo (Cláudio Corrêa e Castro), e era alvo do sincero amor de Zé Mário (Élcio Romar). Para se aproximar da moça, Zé Mário se fazia passar por cego, para que Babi lesse para ele, e não foi descoberto por algum tempo porque no escritório onde trabalhava era conhecido por um apelido que aludia a seu sobrenome – Braguinha.

Mayara Magri, sobre trabalhos na TV: “Meu nome estava na lista de uma novela da Record”

“Eu imaginava que A Gata Comeu ia fazer sucesso no Viva, mas foi muito além das minhas expectativas. Teve muito ibope no Vale a Pena Ver de Novo [foi reprisada na sessão em 1989 e em 2001], mas agora, com a internet, foi muito bacana. Fizeram um grupo da gata e marcaram encontro na Urca, onde se passou a novela. Eu fui pro Rio, foi uma das coisas mais lindas, porque você vê seu trabalho, seu passado voltando, e os fãs doidos pela novela.”

Em 1986 Mayara deu uma escapada para a Rede Manchete, onde deu vida a Maria Sampaio, irmã mais moça do protagonista Antônio (Gracindo Júnior), em Dona Beija, novela de Wilson Aguiar Filho baseada na obra literária de Thomas Leonardos (Dona Beija, a Feiticeira do Araxá). Mas mal concluiu seu trabalho e já estava de volta à Globo para interpretar Helena, a “filha incompreendida” do magnata Renato Villar (Tarcísio Meira), como era apresentada nas chamadas de Roda de Fogo, um grande sucesso do horário das 20h que em julho voltará às telas pelo Canal Viva. Nessa época, Mayara posou para a revista Playboy.

“Na época não dava para aceitar todos os convites, mas mesmo assim trabalhei muito, e cheguei a fazer teatro em São Paulo e novela no Rio ao mesmo tempo em dois momentos. Foi uma época frutífera. Por um sete anos só queria trabalhar”, relembra a atriz.

Novamente, mal terminou uma novela e iniciou outra: Helena, de Mário Prata, na Manchete. A obra de Machado de Assis serviu de base à produção que contava a história do amor de Helena (Luciana Braga) e Estácio (Thales Pan Chacon). Mayara vivia Eugênia, filha do Dr. Camargo (Othon Bastos) e noiva de Estácio.

Em 1989 Mayara voltou à Globo para mais uma novela de Lauro César Muniz. Em O Salvador da Pátria sua personagem era a rebelde Camila, filha mais velha da fazendeira Marina Sintra (Betty Faria) que tinha prazer em afrontar a mãe. Logo no início engatou um romance com um grande inimigo de Marina, o radialista mau-caráter Juca Pirama (Luís Gustavo), e tinha uma questão amorosa mal resolvida com Sérgio (Maurício Mattar), filho de outro inimigo, o deputado federal Severo Blanco (Francisco Cuoco).

Emendou em seguida a série Delegacia de Mulheres (1990), de Maria Carmem Barbosa, na qual vivia a policial Belinha, dividida entre a carreira e a maternidade. Na novela Salomé (1991), de Sérgio Marques com base no romance de Menotti Del Picchia, sofreu na pele de Mônica, jovem que se casa contra a vontade com o banqueiro norte-americano MacGregor (Rubens de Falco). Ainda em 1991 esteve na minissérie O Portador, de José Antonio de Souza, como Jacira, estudante de passado nebuloso.

Em 1994 Mayara foi para o SBT, onde participou de três novelas – Éramos Seis (1994), de Silvio de Abreu e Rubens Ewald Filho com base no romance de Maria José Dupré, que lhe rendeu uma de suas personagens mais tocantes: Justina, filha da milionária Emília (Nathalia Timberg), tia da protagonista Lola (Irene Ravache), uma jovem que se comportava como criança devido a um trauma de infância; Razão de Viver (1996), de Analy Alvarez e Zeno Wilde, a partir do original Meus Filhos, Minha Vida (1984/85), de Ismael Fernandes, no papel de Olga, infeliz em seu casamento com André (Marco Ricca), que não a amava, mas sim a Zilda (Adriana Esteves), funcionária da confecção da mãe de Olga, Yara (Joana Fomm); e a segunda versão de Os Ossos do Barão (1997), escrita por Duca Rachid, Marcos Lazarini e Mário Teixeira com supervisão de Walter George Durst, retomando o original de Jorge Andrade. Aqui Mayara foi Lourdes, apaixonada por Luigi (Dalton Vigh), filho de italianos, o que o torna um mau partido aos olhos de sua família outrora aristocrática, em especial para o avô Antenor (Leonardo Villar) e o tio Miguel (Othon Bastos).

No final de 1997 participou de duas minisséries na Record TV: Janela Para o Céu, de Paulo Cabral e Lilian Viveiros, como Ângela; e O Desafio de Elias, de Yves Dumont, interpretando Safira. Depois disso, só voltaria às novelas em 2004, novamente pela Record TV, com a personagem Tomásia em A Escrava Isaura, de Tiago Santiago e Anamaria Nunes, baseada na obra de Bernardo Guimarães. Tomásia viveu no passado um romance com o cruel Leôncio (Leopoldo Pacheco), que rejeitou uma gravidez dela e a ideia de casamento, sendo por isso alvo de seu desejo de vingança.

Em 2006, Herval Rossano, diretor de A Escrava Isaura e na ocasião marido de Mayara, transferiu-se para o SBT a fim de tocar o projeto de Cristal, original de Delia Fiallo adaptado por Anamaria Nunes e que teve Mayara na assistência da direção geral, como destacado inclusive nos créditos de abertura. “Na época o Herval estava muito doente. Ele queria que eu fizesse a novela como atriz, mas era uma personagem central, e eu não conseguiria estar ao seu lado, cuidando dele. Então preferi ser sua assistente”, conta Mayara. Herval faleceu pouco depois, em maio de 2007.

A atriz diz sentir falta da televisão, dos estúdios, da rotina de gravações, embora em suas pausas nas novelas tenha se dedicado especialmente a fazer teatro, como nos espetáculos SOS Brasil, Brasil S/A (ambos de Antônio Ermírio de Moraes, cuja companhia teatral integrou entre as décadas de 1990 e 2000), As Pontes de Madison, Ricardo III e Elza e Fred, entre outros. “A arte é a minha vida, é o que me faz respirar, então, quando você sente que não está no palco, num set de gravação, ou de cinema, parece que falta alguma coisa, é um vazio na alma. Sinto falta da televisão.”

Sobre as novelas, Mayara diz que acompanha com assiduidade. “Gosto de saber o que está acontecendo, os atores jovens que estão surgindo, diretores… Acho que tem grandes trabalhos sendo feitos, alguns mais apelativos. Adoro também novelas de época.”

Com a sua volta ao ar em breve, em Roda de Fogo, Mayara, hoje com 55 anos, é só alegria. “Estou muito feliz com a reprise de Roda de Fogo, fazer Helena eu amei. Trabalhei com grandes atores: Renata Sorrah, de quem eu era superfã, Tarcísio Meira, Mário Lago, Rodolfo Bottino, Isabela Garcia… Eu estava num momento completo da minha vida. Texto maravilhoso do Lauro César Muniz, direção primorosa do Dennis Carvalho.”

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