Roberto Cabrini no Conexão Repórter
Roberto Cabrini no Conexão Repórter (Divulgação/ SBT)

Conexão Repórter desta segunda-feira, 18 de março, traz uma entrevista exclusiva de Roberto Cabrini com o homem apontado como testemunha-chave do caso Marielle Franco. Pela primeira vez, o policial militar Rodrigo Jorge Ferreira, O Ferreirinha, decide falar sobre o crime que chocou o país.

Ele responde a acusações graves e chega acompanhado de sua advogada, Camila Moreira Nogueira, que acabou envolvida nas investigações. Em uma entrevista tensa, admite ter participado de uma das mais violentas milícias do Rio de Janeiro. Seus inimigos afirmam que ele continua ativo e que teria interesse em desbancar a liderança do grupo, Orlando Curicica, acusado pelo PM de ser o articulador da execução da vereadora ao lado do vereador Marcello Siciliano. 

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No subúrbio do Rio de Janeiro, Cabrini tem acesso aos bastidores de uma milícia e vai até o Complexo da Maré, onde começou a lenda em torno de Marielle. O programa mostra uma guerra pelo poder e revelações dos bastidores do crime organizado. O telespectador vai acompanhar detalhes da milícia “Bonde do Jou” e como a linha entre o poder público e o Estado paralelo está cada vez mais tênue.

Confira frases da entrevista de Ferreirinha ao Conexão Repórter

Cabrini: O Sr não tinha ambições dentro da milícia? 
Ferreirinha: Não tinha e não tenho.

Cabrini: Qual o ideal da milícia Orlando Curicica, bando do Joe? 
Ferreirinha: Extorquir, matar, impor as regras na base da força. Quem não entrar na regra é morto. Ele não tem ideais. Só pensa em dinheiro. Extorquir, matar e espancar as pessoas.

Cabrini: Com toda sinceridade…quem matou Mariele Franco e Anderson Gomes? 
Ferreirinha: Eu não tenho como responder categoricamente, mas posso responder que Orlando Curicica está envolvido 

Cabrini: É uma convicção? 
Ferreirinha: É uma convicção.

Cabrini: E como o Sr. descreveria Roni Lessa?
Ferreirinha: Não tenho muita informação pra dar porque não conhecia ele pessoalmente. Só o vi de vista uma vez, mas envolvido com a milícia…

Cabrini: Quem matou Marielle Franco? 
Ferreirinha: O Orlando articulou. Ele tem articulação na morte. 

Cabrini: Mas é uma suspeita ou certeza?
Ferreirinha: É uma certeza porque o Orlando é uma pessoa que gosta muito de aparecer, sempre foi assim, de achar que é o todo poderoso. Falso poder, digamos assim.  

Cabrini: Para você, Orlando Curicica foi mentor da morte de Marielle Franco?
Ferreirinha: Sim, sim. Foi o mentor.

E mais

Cabrini: De zero a cem, qual seu grau de convicção?
Ferreirinha: Cem, cem.

Cabrini: Ele foi o mandante?
Ferreirinha: Foi.

Cabrini: Um dos? 
Ferreirinha: Um dos, o articulador. Ele tem envolvimento na morte dela.

Cabrini: E o outro?
Ferreirinha: Marcelo Siciliano.  

Cabrini: Por que você tem certeza do envolvimento de Marcelo Siciliano?
Ferreirinha: Pela conversa que eu escutei deles pessoalmente. 

Cabrini: Quando você percebeu que a vida de Marielle Franco estava em risco?
Ferreirinha: Só após a morte.

Cabrini: Mas nesse dia, você achou que algo assim…
Ferreirinha: Eu não sabia que ela era vereadora. Não tinha ligação… eu não sabia que Marielle era a Marielle Franco vereadora, eu não sou ligado à política.

Cabrini: E hoje, qual a sua explicação?
Ferreirinha: Ela foi assassinada porque incomodava a milícia.

Cabrini: Em algum momento você desmentiu a fala de Marcelo Siciliano com Orlando?
Ferreirinha: Desmenti sob ameaça e coação na Polícia Federal.

Cabrini: Como foi exatamente essa ameaça e coação?
Ferreirinha: Me jogaram numa sala, incomunicável. Tinha 6 agentes do meu lado me encarando, mas até aí…o delegado falou para mim que eu já ia sair dali preso, e que dali eu ia pra Mossoró, ficar na cela ao lado do Orlando, e se eu não acabasse com essa história ele ia me deixar preso até… Ele falou – meu neto, meu neto tinha acabado de nascer – “você só vai ver seu neto quando sair do exército”. Falei: “é neta”. “Então vai ver ela só quando ela sair da faculdade”. Minha neta tinha 2 dias de nascida 

Cabrini: Acabasse com essa historia significava o que?
Ferreirinha: Eu desmentir a verdade. 

Cabrini: O sr. fez isso?
Ferreirinha: Fiz sob coação.

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