Boris Casoy na edição de estreia do TJ Brasil em 1988 (Reprodução/SBT)
Boris Casoy na edição de estreia do TJ Brasil em 1988 (Reprodução/SBT)

O SBT já teve tempos em que seu jornalismo não primava por figuras controversas como Rachel Sheherazade ou inusitadas como Dudu Camargo. Em 1988, como parte da celebração de seus 7 anos no ar, a emissora de Silvio Santos lançou um novo projeto de jornalismo. O Telejornal Brasil, ou TJ Brasil, como se consagrou, entrou no ar em 29 de agosto às 19h10min com uma missão importante: colaborar na credibilização do departamento de jornalismo da casa. “Um jornalismo imparcial, independente e apartidário” era a proposta do novo noticiário – e da nova orientação do SBT.

A intenção era dar um passo a mais num processo que já vinha de algum tempo antes. Mesclar produtos de apelo popular, fiéis ao espírito da emissora, com outros mais “refinados”, atraindo público, bem como anunciantes ainda avessos ao SBT. Um jornalismo respeitado ajudaria nisso. Para tanto, foi contratado o jornalista Boris Casoy, para ser o âncora. Aliás, a figura do âncora era novidade no Brasil à época. Apenas a TV Cultura, com Carlos Nascimento no Jornal da Cultura, tomou medida semelhante. Um jornalista respeitado não apenas dando as notícias, com liberdade para fazer comentários sobre os fatos.

A saber, a intenção de firmar o SBT como um centro de jornalismo respeitável e lucrativo era tamanha que foram criados alguns subprodutos do novo grande jornal da emissora. TJ Manhã, TJ São Paulo (e seus similares nas outras praças), TJ Internacional e Notícias de Primeira Página movimentaram o mercado para os jornalistas. E chamaram a atenção de telespectadores e anunciantes, ante tamanho espaço aberto no SBT para notícias e análises.

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“Isso é uma vergonha”: Boris Casoy, o âncora

Boris Casoy na bancada do TJ Brasil no SBT (Divulgação)

No início de 1988, Silvio Santos já pensava em substituir o Noticentro, então principal jornal do SBT. E também o diretor do departamento, seu amigo Arlindo Silva. Assim sendo, contratou para a função Marcos Wilson, à ocasião secretário de redação do jornal O Estado de S. Paulo. Seu desejo para o projeto do novo noticiário, com um âncora, era ter Miguel Jorge, também do Estadão, na função. No entanto, não foi possível e o próprio Miguel sugeriu o nome de Boris Casoy.

Boris trabalhava havia mais de 10 anos na Folha de S. Paulo, da qual chegou a ser editor responsável, e possuía pouca experiência em TV. Nos anos 1960 havia sido repórter do Mosaico na TV, dirigido à colônia judaica. Muito competente e respeitado no meio, era boa opção para um apresentador que fosse além do simples apresentar. Não se desejava emular o Jornal Nacional. Muitos anos antes do infeliz episódio envolvendo os garis, na Bandeirantes, Boris marcou presença com suas opiniões duras, especialmente a respeito dos políticos. “Isso é uma vergonha”, frase dita por ele num de seus comentários, tornou-se um bordão.

Repórteres e comentaristas do TJ Brasil

Passaram pelo TJ Brasil repórteres e comentaristas como Tonico Ferreira, Mônica Walvogel, Arnaldo Duran, Heraldo Pereira, Anna Davies, Giuliana Morrone, Zileide Silva, Antônio Pétrin, Britto Jr., Salette Lemos, Sérgio Amaral, Celso Teixeira e Silviane Neno. No vídeo abaixo você pode ver reportagens de alguns dos citados:

A saída de Boris e o fim do TJ Brasil

O ano de 1990, com o Plano Collor e a difícil situação econômica do Brasil, marcou a concentração de investimentos no TJ Brasil e o fim de seus “filhotes”. No entanto, a partir de 1991, com o recém-criado e popular Aqui Agora alcançando a posição de “menina dos olhos” do jornalismo do SBT, começaram as brigas internas. A equipe “do Boris”, que fazia o TJ Brasil, foi separada editorial e fisicamente do Aqui Agora e seus profissionais. Chegou-se ao cúmulo de serem enviadas duas equipes distintas, uma de cada noticiário, para as coberturas do dia a dia. Caro e desnecessário. Ainda mais quando falamos de tempos de economia instável. E de altos investimentos da emissora em teledramaturgia e na construção do Complexo Anhanguera, inaugurado em 1996.

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A insatisfação de Silvio com os altos custos ante a baixa audiência dos noticiários e o desgaste ocorrido em virtude de uma situação de cisão levou ao fim do TJ Brasil. Ainda, houve a recusa de Boris em combater o JN num conflito direto, com ambos às 20h, cedendo o horário das 19h para um programa infantil. Boris deixou o SBT em junho de 1997 e transferiu-se para a Record. Até o final do ano, quando o TJ Brasil foi tirado do ar, Boris foi substituído por Hermano Henning. Nessa fase final o horário de apresentação do noticiário era 18h30, após o Aqui Agora. Este também foi reduzido para apenas meia hora e entrava às 18h.

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