Siechele Barboza, de O Mestre do Sabor
Siechele Barboza, de O Mestre do Sabor

O último dia da fase Na pressão teve peixe filhote, jambu e cupuaçu como ingredientes obrigatórios da prova em grupo, em O Mestre do Sabor. O time do mestre José Avillez levou a melhor e seus integrantes ficaram imunes ao segundo desafio, individual e eliminatório.

Na prova decisiva, os chefs tinham como elementos produtos conservados naturalmente, como filezinho em crosta de grãos e salsicha de pernil. As receitas de Dudu Poerner e Raíssa Ribeiro foram eleitas as melhores da noite.

Já Ricardo Caldas e Seichele Barboza terminaram eliminados. A seguir, os dois competidores falam sobre como foi trilhar a trajetória enriquecedora e surpreendente de Mestre do Sabor.

Entrevista com os eliminados

O que significou participar do Mestre do Sabor?

Ricardo Caldas: Participar do programa foi lindo, muita adrenalina. E conhecer toda a turma de jovens chefs talentosos, tanta gente nota mil, foi um enorme aprendizado. Aos 47 anos de idade, ser selecionado não é pouco. Foi felicidade plena e tentei ser participativo, acolhedor e com o coração aberto para dar e receber.  Foi assim que entrei e é da mesma maneira que sairei: com o coração vibrante como nunca.

Seichele Barboza: Significou um novo começo da minha vida. Um momento de transformação do meu destino. Não foi só um programa ou uma participação em um reality show, eu não vejo desse jeito. Eu me vi de um outro patamar, com um outro olhar, ainda mais forte e mais segura da minha profissão e daquilo que eu sou.

Fora ter mostrado ao Brasil um pedaço da minha terra e da minha gente, de Sergipe. É grandioso demais para medir em palavras. Tenho muita gratidão ao ‘Mestre do Sabor’ não só por enaltecer o profissional da área de gastronomia, mas também a riqueza dos produtos brasileiros em um momento em que a gente pensa que conhece a nossa cultura e a nossa história, e não conhece tão bem assim.

RICARDO CALDAS

Como foi a convivência com os demais competidores e os mestres dos times de vocês?

Ricardo: Foi um relacionamento de admiração por todos os membros e mestres. Nunca pensei que estaria competindo ao lado dos melhores do Brasil, em uma equipe com tantos talentos e maneiras de interpretação. Em um primeiro momento não tivemos tanta sinergia, mas com o desenvolvimento da competição e o dia após dia conseguimos melhorar a nossa interação, no transformando em um time forte e determinado.

Minha escolha de time não foi fácil. Tive em minhas mãos, na fase Prato de entrada, a oportunidade de escolher entre todos os mestres. A escolha foi feita e tentei fazer melhor possível com ela. Percorri o caminho intensamente, ao lado de grandes talentos, como os colegas e o chef Leo Paixão, pessoa fantástica e admirável. 

Seichele: A mestre Kátia foi muito receptiva. Também percebi o nível das pessoas que estavam ao meu lado e o quanto de experiência elas tinham.

Aprendizados

Qual foi o maior aprendizado adquirido no reality?

Ricardo: Meu maior aprendizado foi ser totalmente Ricardo Caldas, do início ao fim: coração aberto para dar e receber. Algo que me encantou muito foi a linha gastronômica escolhida para o reality. Saio valorizando muito mais a nossa linda gastronomia brasileira. Poder conhecer ingredientes que não temos tão disponíveis no nosso dia a dia e aprender com os mestres da gastronomia não tem preço.

Seichele: Foi como fazer uma faculdade de dois anos em alguns dias. Tenho isso muito nítido. Tive contato com equipamentos e profissionais que eu nunca poderia ter tido antes. Vi situações que eu nunca tive a oportunidade de viver, que não existem no meu estado, ou que são difíceis de encontrar.

E estavam todos lá à disposição para mim. Foi um download de alta gastronomia em um curto período de tempo. Me entendi melhor como profissional, como pessoa que é capaz de fazer. Isso me agregou um valor enorme, me deu independência como profissional. Essa foi a minha maior realização.

Experiencia

O que vocês levam da experiência no Mestre do Sabor?

Ricardo: Levo comigo uma bagagem imensurável. Toda a energia gostosa e sadia que todos os times tiveram, a graça e o sorriso das horas boas e horas difíceis. Tudo aconteceu com muita intensidade. Também levo comigo as boas amizades que conquistei, os momentos difíceis, para lembrar que podemos sempre tentar fazer de uma melhor maneira.

E o sorriso estampado no rosto, de quem foi muito elogiado pelos Claude Troisgros, Kátia Barbosa, Leo Paixão e José Avilez. Isso é sem palavras. A sensação de ser desclassificado me incomoda um pouco porque sou uma pessoa muito exigente comigo mesmo. Mas sei que devemos sempre tirar o melhor proveito dos ganhos e perdas.

Tenho muita gratidão por ter vivenciado esse belo momento, levando a boa mesa à sala de milhares de espectadores e amantes da gastronomia! E fica também o meu carinho a todo mundo que nos acompanhou e torceu, vibrou, ligou, enviou lindas frases para me motivar. Agradeço muito também a Florianópolis e a minha família: Julliana, Mariana, Julia e Maribel. 

Seichele: Eu entendi o quanto o psicológico influencia e o quanto eu tenho que controlar o meu emocional, não deixar problemas externos me invadirem e prestar atenção no momento presente, no aqui e agora. É importante manter a calma. E como chefe de cozinha isso me engrandeceu de tal forma que a dinâmica total da minha cozinha mudou. Me vejo como uma empresária, uma pessoa mais forte.

Futuro

Agora, quais são os próximos planos?

Ricardo: A saída me leva a continuar sendo forte, generoso e sempre com muita vontade de aproveitar o melhor da vida. Tenho o restaurante Dolce Vita, no Canto da Lagoa da Conceição, lugar lindo gracioso e muito bem frequentado. E com uma energia contagiante, no próximo ano, concretizaremos mais uma etapa da nossa caminhada: a família Dolce Vita abrirá uma nova casa, com culinária simples, bem executada e ótimos ingredientes.

Seichele: Os planos são meio mundo (risos)! Um deles, que sempre foi o meu sonho, é o de fazer faculdade na Europa, aprender a falar inglês, e eu já estou conseguindo visualizar essa possibilidade. Estou com o projeto “Seu Sergipe pelo mundo”, com o qual quero mostrar meu estado, nossos ingredientes, a nossa história e as minhas técnicas da gastronomia para o mundo inteiro.

Meu livro, fruto do primeiro lugar em um edital cultural, será lançado em janeiro de 2020. Também estou concluindo a reforma que eu comecei no meu restaurante devido à demanda que eu tive depois do Mestre do Sabor. E um ciclo novo se abre. O programa foi um portal para novas possibilidades, novos momentos. Foi o plantio de uma semente e eu vou colher muitos outros frutos no futuro.

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