Akihiro Sato
Akihiro Sato

Quem o vê hoje cuidando do restaurante da família, na praia de Camburi, Litoral Norte de São Paulo, nem imagina se tratar de um astro com uma legião de fãs no outro lado do mundo.  Desconhecido do grande público no Brasil, o modelo, ator e surfista paulista Akihiro Sato venceu o reality show Survivor nas Filipinas, sudeste da Ásia.

Foi em 2010, no auge de uma carreira que tinha deslanchado em outro país distante, a Tailândia. Agora, aos 36 anos, Akihiro está prestes a voltar para as Filipinas para rodar um programa para a Netflix. Para o astro, o porte e tipo físico o favoreceram na carreira internacional, mas a afinidade com a natureza e esportes também lhe renderam pontos.

Filho de mãe brasileira e pai descendente de japoneses, Akihiro mora na praia desde os três anos de idade, na região de São Sebastião, onde a família sempre atuou no negócio de restaurantes. Aos 15 anos de idade, ganhou o concurso Dakota Elite Models, com direito a contrato de modelo no exterior.

“Eu era muito jovem para ir morar fora”, conta Sato. Os planos foram adiados para alguns anos depois, após ele ganhar mais experiência e fazer desfiles como os da São Paulo Fashion Week, ir para Nova York e Milão.  Porém, ele lembra que o dinheiro era pouco. “Para homem os ganhos eram muito abaixo do que as mulheres ganhavam, algo menor que 10%”.

A grande oportunidade veio em 2004. Foi quando Akihiro fechou contrato para atuar na Tailândia, onde seu biotipo e 1m85 de altura renderam trabalhos como campanhas publicitárias para as marcas Chanel e Armani, comerciais de TV, tornando-se o principal rosto da mídia local, com rotina de viagens para trabalhos em regiões adjacentes na Ásia, como Cingapura, Hong Kong e Filipinas.   

Nas Filipinas, país com forte presença da religião católica e com história de colonização espanhola, a familiaridade maior com a cultura e o idioma o levaram a atuar na televisão. As primeiras participações foram em programas de música, dança, filmes independentes e, finalmente, contrato com a TV aberta para fazer novelas no horário nobre.

Veio uma edição especial do programa Survivor para celebridades e ele não titubeou em aceitar o convite: “Eu tinha muita curiosidade de saber como seria essa vivência num reality show de sobrevivência”, conta Sato. Mal sabia ele que sua experiência de vida à beira da praia o salvaria de situações extremas.

O Survivor é um programa internacional, criado na Suécia em 1997 e lançado pela CBS dos Estados Unidos em 2000, que teve sua versão brasileira No Limite (em quatro edições, entre 2000 e 2009) produzida pela Globo e sob o comando do apresentador Zeca Camargo. A atração leva os participantes a situações de resistência em plena mata.

Foram 36 dias do Survivor Philippines: Celebrity Showdown, gravado numa ilha da Tailândia com 18 participantes em condições muito extremas. “Era uma região de mangue. Tínhamos de dormir ao relento, achar comida. Passei fome, vários dias sem água. Tive até de comer insetos –cigarra, barata, escorpião”, relata, numa lembrança que não tem nada de agradável. Para piorar, Akihiro sofreu com inchaço e coceira por alergia causada por picada de mosquitos.

“Foi aí que eu entendi o que era um reality show de verdade. Foi tão intenso que três participantes desistiram”, ele lembra. Seu diferencial na competição lhe deu grande vantagem diante dos concorrentes, pois o garoto da praia sabia procurar alimentos, buscava mariscos, era o único no show que conseguia achar comida. Como ajudava os demais participantes, ganhou o apelido de “Mr. Nice Guy” (algo como “o cara legal”) que o acompanhou até a final.

A vitória veio pelo jogo limpo que ele praticou e foi coroada com um prêmio em dinheiro – correspondente a 100 mil dólares – e um automóvel que ele conquistou numa das provas de resistência. Neste tipo de disputas, a boa forma física como praticante de surfe, jiu-jitsu e judô também o favoreceram.

O astro vivia na longínqua Ásia dias de ídolo sem sossego. Quando o pai e a irmã enfrentaram as 34 horas de viagem para visitá-lo, a chegada dos familiares foi acompanhada pelas câmeras de TV. A ida ao shopping tinha de ser cercada por seguranças, tamanha agitação que a sua presença causava.

Mas a saudade de casa era grande, não dava para vir sempre para o Brasil e, em uma das visitas, Akihiro decidiu que era hora de ficar aqui, curtindo a família e a então namorada, com quem algum tempo depois teria uma filha. A menina, Mayumi, hoje tem seis anos de idade e vive com a mãe também no Litoral Norte de São Paulo.

De volta ao Brasil, Akihiro seguiu ao lado da família, investiu no restaurante, abriu sua própria academia de artes marciais. “Não me importam o poder, o dinheiro, a fama. O maior bem que temos é a família, meus irmãos. Eu tenho uma vida muito boa, tenho a praia que eu amo, meus amigos. Uma vida simples mas rica em espírito”, ele assinala.

Em Camburi, ele se divide entre trabalho, academia, família e a praia. No restaurante, Akihiro administra o atendimento, conversa com os clientes, ajuda a servir. Na sua academia, treina e ensina artes marciais como jiu-jitsu e muay thai. Na praia, surfa e encontra os amigos – o campeão mundial de surfe, Gabriel Medina, da vizinha Maresias, é um deles.

Com a permanência no Brasil, os contratos nas Filipinas foram cancelados, mas os fãs continuaram pedindo sua volta e a popularidade se manteve em alta. Akihiro credita muito de sua fama para as ações filantrópicas que fez, além de doações e campanhas de preservação do meio ambiente. Ele dá nome até a um orfanato e a marca do Mr. Nice Guy se manteve forte.

A volta às Filipinas já está agendada para este mês de outubro e o galã está animado com a nova proposta de trabalho. “Estão me chamando para apresentar um programa sobre gastronomia, surfe, esportes radicais e cultura voltado ao turismo”, explica o modelo e agora também apresentador de televisão. O novo contrato é de seis meses.

Com uma trajetória tão peculiar, é de se estranhar que Akihiro não tenha ainda feito nada na TV brasileira.  Ele conta que foi sondado quatro vezes para o Big Brother Brasil, fez entrevistas, mas nunca teve confirmação de participação. Então, já que o diretor Boninho não o selecionou, para conferir a performance na tela deste ídolo brasileiro de traços orientais é esperar que o programa de turismo da Netflix também chegue aqui.

*Por Edianez Parente

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