Açucena (Bianca Bin) e Jesuíno (Cauã Reymond) em Cordel Encantado (Divulgação/ TV Globo)

A Rede Globo confirmou nesta terça-feira, dia 4, a substituta de Belíssima no Vale a Pena Ver de Novo. A nova novela dos fins de tarde da emissora será Cordel Encantado, de Duca Rachid e Thelma Guedes. Pela direção-geral respondeu Amora Mautner. A reestreia deve ocorrer em janeiro de 2019.

Exibida originalmente em 2011 às 18h, Cordel Encantado marcou uma das melhores audiências do horário nos últimos anos. Seus bons resultados só foram igualados em 2016, com a exibição de Eta Mundo Bom!.

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A história de Cordel Encantado

A novela uniu dois universos aparentemente impossíveis de juntar: o cangaço e os contos de fada. Passava-se entre as décadas de 1910 e 1930. Na fictícia Brogodó, cidade do Nordeste brasileiro, os jovens Açucena (Bianca Bin) e Jesuíno (Cauã Reymond) se amam. No entanto, o amor dos dois tem um obstáculo pela frente: a moça é uma princesa, herdeira do trono de Seráfia, país europeu. Ainda bebê, foi dada como morta quando sua mãe, a Rainha Cristina (Alinne Moraes), faleceu vítima de uma armação de Úrsula (Débora Bloch). Esta desejava casar-se com o marido de Cristina, o Rei Augusto (Carmo Dalla Vecchia).

Jesuíno, por sua vez, também tem um trono a assumir. Só que, no seu caso, é o do cangaço. Filho do temido Capitão Herculano (Domingos Montagner), é desejo de seu pai que ele um dia assuma seu lugar diante do bando. Atento às ações do casal está o mimado, violento e perigoso Timóteo (Bruno Gagliasso), obcecado por Açucena. Esta, inclusive, na verdade se chamava Aurora. Açucena era o nome dado pelos pais adotivos Eusébio (Enrique Diaz) e Virtuosa (Ana Cecília Costa).

Personagens de destaque em Cordel Encantado

O contraste entre os tradicionais reinos europeus e o Nordeste brasileiro rendeu muitas situações cômicas, claro. E foi no campo do humor, além do romance, que a novela marcou muitos pontos. Marcos Caruso e Zezé Polessa divertiram como o “primeiro casal” de Brogodó, o prefeito Patácio e a esposa Ternurinha. Esta traía o marido com o cangaceiro Zoio-furado (Tuca Andrada). Outro entrecho cômico residia na trama do caixeiro-viajante Farid (Mohamed Harfouch), dividido entre três mulheres, sem que uma soubesse da outra.

As muitas referências da novela a romances clássicos, tanto nacionais quanto estrangeiros, bem como a contos de fada e textos teatrais, compuseram um rico painel de fantasia. Na medida certa para o público do horário e sem subestimá-lo, como deveria ser norma entre os autores de novela. Especialmente as mais leves e exibidas mais cedo, como esta. O universo dos príncipes e princesas rendeu muitas sequências alusivas aos filmes da Disney, por exemplo. Se o nome da princesa era Aurora, não lhe faltava como pretendente um príncipe Felipe (Jayme Matarazzo). Como em A Bela Adormecida, aliás.

Outras referências identificáveis em Cordel Encantado

O incansável Conde de Monte Cristo, numa mescla com A Bela e a Fera e O Fantasma da Ópera, também se fez presente. O Duque Petrus (Felipe Camargo), irmão de Augusto cuja esposa Úrsula prendeu numa masmorra com uma máscara de ferro, ressurge no decorrer da novela para desmascará-la. E acaba se envolvendo com Florinda (Emanuelle Araújo), mulher de seu amigo Zenóbio (Guilherme Fontes). Assim como o Capitão Herculano era uma representação de Lampião e o Profeta (Matheus Nachtergaele) aludia a Antônio Conselheiro, o líder de Canudos.

A filha de Patácio e Ternurinha, Doralice (Nathália Dill), que se faz passar por homem para estar ao lado do amado Jesuíno entre os cangaceiros, sob a identidade de Fubá, não deixava de ser uma referência a Diadorim, personagem do romance Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa. Ademais, um fato reforçado pela figura de Nathália, semelhante à de Bruna Lombardi, que viveu Diadorim na minissérie produzida em 1985 pela mesma Globo.

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A tarefa de Cordel Encantado

Cordel Encantado foi lançada em DVD, num box com 12 discos, em 2013. Esta será sua primeira reapresentação, com a tarefa de colaborar na arrancada de audiência da Globo no começo da noite.

A propósito, não apenas no final do período vespertino a emissora tem enfrentado problemas. Antes das 14h, o Jornal Hoje já tem acumulado derrotas para a Record TV. Na sequência, o Vídeo Show também tem sido um problema. A pedra em seu sapato, a saber, atende por Hora da Venenosa. O Fofocalizando, do SBT, também incomoda a Globo, que compete com os filmes da Sessão da Tarde pela audiência. No fim da tarde, com Belíssima, os números sobem um pouco. Todavia, podem ser ainda melhores se favorecidos pelas atrações anteriores e por um cartaz de grande apelo na faixa de reprises. Com toda a certeza, é o que se espera com a volta de Cordel Encantado.