Chay Suede será Ícaro em Segundo Sol
Chay Suede será Ícaro em Segundo Sol (Divulgação/TV Globo)

Longe da TV desde que viveu o Joaquim de Novo Mundo (2017), Chay Suede voltará ao ar como o capoeirista Ícaro de Segundo Sol, trama das 21h de João Emanuel Carneiro que estreia no próximo dia 14, substituindo O Outro Lado do Paraíso.

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Em entrevista ao Observatório da Televisão, o famoso falou sobre o trabalho na produção e da construção do personagem, que passará por necessidades e começará a ser prostituir, sendo agenciado por Laureta (Adriana Esteves), uma das vilãs do folhetim.

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Sempre foi o seu sonho atuar em telenovelas? 

Não era meu sonho, na verdade eu era um grande espectador de novela.

Mas você se ver em uma coisa que você era mega fã, é muito doido, né?

É totalmente diferente, parece que não é a mesma pessoa que via e a que faz. Eu ainda sou um espectador de novela, e eu vejo de uma maneira muito diferente da que eu lido trabalhando.

E fazer o filho de uma pessoa que você era tão fã, como é isso?

Incrível! Eu fui filho da Fernanda Montenegro com a Nathalia Timberg em Babilônia, e foi uma coisa de louco, foi a experiência de fazer o filho de ídolos.

Você acha que Rebelde, na Record, foi um divisor de águas na sua carreira?

Foi o meu primeiro trabalho e por isso é importantíssimo. Foi um divisor de águas com certeza, porque eu não era ator antes e nem tinha pretensão de ser.

Mas você cantava, né?

Eu cantava, mas também não cantava profissionalmente. Eu participei do Ídolos como candidato e aí quando já estava mais para o final, eu recebi a proposta para fazer a novela. Eu não era ator, mas ainda assim eles achavam que eu poderia fazer. E apesar de eu ter ficado um pouco contra no início, meu pai nesse momento foi muito importante porque ele me incentivou a fazer, mesmo eu não estando à vontade com essa profissão, ele me incentivou e fez toda a diferença na minha vida.

Eu lembro que você parecia muito empolgado na coletiva de Rebelde, você falava muito do seu personagem, parecia que tinha nascido para ser ator…

Que ótimo (risos)! Eu nasci para ser ator, só que naquela época eu ainda não sabia. Eu fui sentindo aos poucos na verdade, eu acho que talvez eu tenha tido essa consciência de trabalho, da importância desse trabalho na minha vida, acho que a partir de 2014, quando eu conheci o Eduardo Milewicz em Império, ele era nosso preparador e ele me despertou para uma série de coisas que eu não estava atento e que eu nem achava que tinham a ver com a profissão.

Você acha que agora é mais importante para você do que a música?

Eu não coloco dessa maneira, mais ou menos.

Você vai fazer uma pessoa rebelde, por toda a situação. Eu queria saber como foi a construção desse personagem, que vai ter vários nuances nesse sentido por ter tipo uma infância difícil…

A primeira infância dele é maravilhosa, ela começa a ficar difícil lá pelos sete anos quando ele perde a mãe, ele não sabe exatamente o que aconteceu.

Na hora ele não sabe que a mãe foi quem matou o pai?

É o que ele acha, ele acha que sim. Mas ele também não tem certeza do porque ela sumiu, se ela está presa, se ela fugiu. Então, o que acontece é que essas lacunas acabam causando coisas lá na frente, ele se torna uma pessoa um pouco arredia, uma pessoa inacessível.

Mas ele foi o único que escolheu, que teve a possibilidade de ficar com a tia. Porque a outra ficou com uma outra família.

É, ele ficou com a tia, mas ficou muito ferido com essa tia a partir do momento que ela adotou a irmã para essa família rica. É uma família que ele não gosta e que nem mesmo a tia gosta, mas é a família que foi escolhida para adotar a irmã. Então, ele sentiu isso ainda como uma ferida aberta.

Como é que vai ser esse encontro com a mãe? Vocês já gravaram

Já, mas é segredo.

Como foi a cena? Já que você não pode contar, como foi a emoção?

Foi maravilhoso. Foi uma delícia.

Sobre a capoeira, o seu personagem prática?

Sim, ele prática.

E você gostou? Já tinha feito antes?

Eu nunca tinha feito e foi uma coisa que eu gostei muito de fazer, descobrir, inaugurar na minha vida. Acho que vou continuar fazendo, aliás tenho feito sempre.

E você acha que é muito difícil? Porque a gente teve uma conversa com o Danilo [Mesquita], e ele disse que acha difícil por ser uma coisa que você tem que ficar no meio, não é nem no alto, nem embaixo…

A capoeira é um exercício completo. Até a década de 30, a capoeira era proibida, era uma prática proibida. Em 32, o Bimba lá na Bahia, inaugurou uma academia chamada luta regional baiana e também era conhecido esse esporte como ginastica baiana ou então ginastica brasileira e realmente eu acho que é uma ginástica brasileira, que a gente tem que se orgulhar muito, porque é um esporte completo, realmente é muito difícil, existe muito mais fisicamente do que a gente imaginava e tem a parte musical muito linda, uma parte histórica muito linda. As aulas não são divididas, você aprende história enquanto aprende a lutar, enquanto aprende a tocar um instrumento novo, enquanto aprende o porquê você está cantando aquela música.

O seu personagem acaba virando garoto de programa?

Sim. Ele se prostitui em algum momento. Não sei se vira um garoto de programa, não sei se é esse o movimento, mas ele se prostitui.

E como é que foi isso, como é que foi a construção dessa parte?

Não construí nada, porque ele não é um garoto de programa. Porque ele briga com a tia, sai de casa, tem um amigo que já está na mamata, já dá o caminho das pedras para ele, ele precisa de uma grana para ontem e entra nessa. Ele não é um prostituto nem um garoto de programa, ele é um garoto completamente como qualquer outro, não que um garoto de programa não seja como qualquer outro, mas ele não vive isso a muito tempo, não é uma realidade dele há anos, nem nada do tipo, ele inaugura essa faceta e descobre que o buraco é mais embaixo.

Você diria que ele se perde em algum momento?

Não sei se perder é a palavra certa não, eu não diria que ele se perde.

É por uma necessidade que ele se mete nessa?

Necessidade todo mundo tem, né? E nem todo mundo vira prostituto ou prostitua. É uma coisa dele mesmo, ele achou que dava pé e foi.

E como é que foi a prosódia?

Foi muito, muito divertida. Talvez tenha sido a parte mais divertida a prosódia. A gente teve muitos estímulos diferente para acessar a maneira baiana de se construir uma ideia ou então, uma frase e isso se tornar algo identificável ao ouvido de qualquer pessoa. Mas desde a preparação com o Milewicz, a gente já tinha a presença de uma fonoaudióloga. A gente estudou isso de diversas maneiras. Então, a gente foi descobrindo primeiro, como seria essa prosódia para cada personagem, porque a pesar de a Bahia ter um sotaque comum, dependendo da classe social ou de que região da Bahia, você está falando, essa prosódia muda, as gírias mudam, a maneira de construir as ideias também muda. Então, acho que a gente ainda está nesse processo, acho que ele não tem fim, vai até o fim da novela o processo da prosódia e tem sido muito prazeroso.

E ele vai entrar num embate com o meio irmão por conta da Rosa (Letícia Colin)?

É, rola isso. Até onde a gente leu, isso não acontece de fato, mas tudo indica que rolará.

Você está se pegando com o sotaque na vida?

Mais ou menos, eu divido.

E como é que foi ficar esse tempo lá gravando?

Foi bom, foi muito bom. Eu gravei pouquinho tempo lá. Eu vou muito para Salvador, sempre, então, eu estou muito familiarizado com a cidade, com os lugares.

O que mais te encanta em Salvador?

Eu acho que a chegada. Nada mental, nada que se constrói com a mente, mas é literalmente a energia, a chegada, nada explica a chegada em Salvador.

É um lugar que você chega, você como artista completo, é um lugar que te inspira?

Me diverte, me entretém, mais do que me inspira.

Você mudou o visual um pouquinho, né?

Mudei, cortei o cabelo bem baixinho.

Como é que foi para você mudar esse visual?

Na verdade, eu já tinha mudado antes e o visual que eu estava acabou ficando com o personagem. Eu já estava de cabelo curto, assim que acabou Novo Mundo, eu já cortei.

Mas você está mais forte.

Estou! Malhei também.

Você é um ator jovem, mas tem feito muitos trabalhos um atrás do outro. O que você acha que faz você ser tão querido, ser chamado por autores diferente, o que você acha que faz esse sucesso?

Não sei cara, na verdade eu acho pouca coisa, eu fico mais agradecido do que achando coisas. Não fico especulando muito sobre o porquê me chamam ou não, mas eu fico sempre feliz quando lembram de mim.

Trabalhar com o João Emanuel Carneiro, é a primeira vez?

É a primeira vez.

Como é que está sendo?

Está sendo muito bom e ele é um autor muito generoso, muito humilde e brilhante. Ele não só é meu autor favorito de novelas, falando como espectador, como também é um dos mais simples e humildes que eu já conheci. Na primeira leitura ele chegou para a gente e falou: ‘Galera, isso aqui é uma novela, a gente tem muitos capítulos pela frente, eu sou uma pessoa, eu escrevo bastante, nem tudo vai estar como eu gostaria que estivesse, sintam-se à vontade para incluir coisas de vocês no texto’. Ele deixou a gente muito livre, para trabalhar com o texto dele, o que causou uma empatia imediata.

E porque você gostava tanto dele como espectador? E qual foi seu trabalho favorito dele?

Foi Avenida Brasil, lógico, do início ao fim. Eu fui muito noveleiro durante a minha infância e adolescência. E se você falar um ano, eu falo a novela que estava passando, nesse nível. Então, eu sempre gostei de novela, sempre fui um espectador de novela. Eu lembro de Cobras & Lagartos, quando passou me marcou, antes, Da Cor do Pecado, eu amei também, mas realmente Avenida Brasil acho que foi a melhor novela que eu já vi.

Mas por quê? O que te tocou? Não só em Avenida Brasil, mas no trabalho dele…

Eu gosto do jeito nada óbvio que ele monta os personagens, os personagens são muito contraditórios. A gente perde o básico disso de mocinho e vilão, que geralmente o melodrama tem como ponto de partida, isso eu já acho muito legal, ele subverter o lugar dos personagens e além de tudo normalmente é um texto meio perigoso, né? Coisas perigosas acontecem, estão acontecendo e vão acontecer. Eu acho muito legal, acho que o audiovisual com risco e com perigo, funciona bem.

Você falou que é muito fã de novela. Você já se imaginava há anos atrás fazendo novela? Com quem que você assistia e hoje contracena?

Todo mundo. Todo mundo que eu era fã e conhecia o trabalho, hoje eu contraceno. Por exemplo, nessa novela, Fabiula Nascimento, que eu vi a primeira vez em algum filme que hoje eu já nem me lembro qual, e eu fiquei completamente louco pelo trabalho dela. Emílio Dantas, eu sentia que eu iria gostar muito, sabe aquela pessoa que você sente que vai amar conhecer? Dito e feito, amava, conheci e a gente está muito amigo e contracena também. A Giovanna Antonelli, desde que eu me entendo por gente, eu conheço o trabalho dela, vejo ela trabalhar e admiro o que ela faz, talvez em O Clone, ela era o meu crush, eu era criança, tinha uns 10 anos, e agora vou fazer o filho dela. Enfim, a Luiza que está fazendo minha irmã, a gente já trabalhou uma vez em Babilônia, e recentemente a gente fez um filme do Jorge Furtado também, Rasga Coração, e a gente virou tipo unha e carne. A Letícia que tinha feito Novo Mundo, comigo e agora está fazendo a Rosa. Enfim!”