Ratinho Livre
Ratinho no Ratinho Livre, da Record (divulgação)

No dia 5 de março de 1998, o Brasil parou para ver duas histórias assombrosas. Elas foram apresentadas no programa Ratinho Livre, apresentado pelo, até então, novato Ratinho, que tinha pouco menos de seis meses em uma grade rede de televisão.

Tais histórias eram fortíssimas, como falamos acima. A primeira foi de uma mulher que teve o braço arrancado por um cachorro, que teria sido atiçado pela própria sogra. Com o caso, Ratinho chegou aos 32 pontos de pico, contra 13 pontos da Globo.

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Logo após, um caso ainda pior: um homem teria cortado as orelhas e furou os olhos da própria mulher, com requintes de crueldade. A mulher contou o seu drama no palco e o Ibope disparou.

Foram 36 pontos de pico contra 10 da Globo e 8 do SBT. Até hoje, em pontos de Ibope, esta é a maior audiência da história da Record na era Igreja Universal do Reino de Deus, iniciada em 1989.

Mas como tudo aquilo começou? Em 1996, Ratinho começou a ter um programa policial no fim de tarde da CNT/Gazeta, que era apenas a sexta maior rede do Brasil. Tal programa era um 190 Urgente, onde Ratinho comentava e mostrava casos policias.

O porém é que a maior atração do programa era de fato o apresentador. Ele subia na bancada, brincava com os técnicos, zoava até mesmo em opiniões fortes, além de “quebrar a quarta parede”. Volta e meia Ratinho perguntava coisas picantes e sérias para os telespectadores de casa.

Nessa loucura toda, Ratinho foi trazido para a Record por Eduardo Lafon, que na época era executivo do canal e já tinha trabalho com ele na CNT. Posteriormente, Lafon também foi executivo do SBT, seu último cargo numa emissora – ele faleceu em 2000, de câncer.

Numa rara entrevista, em 1998, Lafon explicou o motivo de ter trazido Ratinho para a Record: “Quando eu conversei com ele para fazer um programa de noite, ele me disse que eu estava maluco. Fazer um programa contra a novela? E foi isso que sugeri a ele, que ele fosse a opção contra a novela da Globo. E realmente a coisa acabou engrenando, deu mais certo do que imagina”.

“Isso eu nunca imaginei, que ele fosse virar fenômeno e ganhar da Globo. Eu imaginei que ele fosse dar 12 pontos, ter uma audiência maravilhosa. Mas não esperava realmente essa explosão. O Ratinho é o novo. A TV precisa de coisas novas e ele foi um risco. O grande sucesso dele foi isso, ser o novo na televisão”, completou Eduardo Lafon.

Nos dias seguintes a esta explosão, a Globo tomou algumas medidas. A primeira delas foi atrasar o Jornal Nacional em 20 minutos. Além disso, nas quintas, a novela Por Amor, então trama das 8 da emissora, foi esticada – era nas quintas que Ratinho explodia na audiência, quando notou uma programação mais fraca da sua principal concorrente.

De fato, a audiência acabou caindo um pouco, mas mesmo assim, Ratinho incomodava e atingia grandes números. O problema é que, internamente, as coisas não iam bem. O apresentador reclamava, dia após dia, da interferência da Igreja Universal do Reino de Deus em seu conteúdo.

Não deu outra: em agosto de 1998, Ratinho aceita uma proposta do SBT e troca de canal, deixando a Record. O próprio revelou, em uma entrevista recente, que saiu da Record por conta de ameaças dos Bispos da emissora, que não o deixavam em paz.

“Fiquei um ano na Record. O Honorilton Gonçalves tava implicando muito com o meu programa. Me repreendia, me ameaçava toda hora, dizia que ia me mandar embora toda hora… Cansei disso. Esperei a primeira oportunidade e fui embora. Aí eu recebi uma ligação do Silvio Santos, e ele me chamou. Ele me convenceu a sair”, explicou Ratinho.

Artista do SBT já se envolveu em muitas confusões (Divulgação/SBT)
Ratinho em seu programa no SBT (Divulgação/SBT)

Atualmente, Ratinho apresenta o seu programa no SBT com um conteúdo bem mais leve e familiar se comparado aos seus tempos de Record e SBT no fim dos anos 90.

Sucesso comercial e de audiência, Ratinho pode não ser uma grande explosão mais. Porém, é o comunicador mais regular, com audiência acima dos 10 pontos e vitórias tranquilas contra a Record, sua principal concorrente.