Globo dedica 5 minutos do JN para se defender de acusação de propina no futebol

William Bonner no Jornal Nacional
William Bonner no Jornal Nacional (Reprodução/TV Globo)

Mantendo uma transparência bem curiosa, a Globo dedicou cerca de cinco minutos da edição de seu principal telejornal nesta terça-feira (14), o Jornal Nacional, para se defender do caso de ter pagado propina para ter vantagens em direitos de futebol da Conmebol.

Através de uma reportagem do jornalista Fábio Turci, correspondente nos EUA do canal, a emissora explicou a acusação, leu a nota do Grupo Globo, que teve alguns adendos em relação ao que foi divulgado na imprensa.

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O canal diz que é uma questão de honra ser inocentada neste caso, que não tem nenhuma prova sobre o pagamento de propina, e que não compactua com as praticas faladas por Alejandro.

Executivo da empresa Torneos y Competencias, da Argentina, que negociava direitos de TV de torneios da Conmebol como Copa Libertadores, Copa América, Copa Sul-Americana, entre outros, Alejandro Burzaco disse que ele próprio pagou propina para mandatários do nosso futebol, como Ricardo Teixeira, José Maria Marim e Marco Polo Del Nero, este último atual presidente da CBF.

Alejandro comentou que fez parcerias com várias empresas de mídia do mundo por causa dos direitos de TV, citando, entre elas, a Globo. A Media Pro, da Espanha, o Fox Sports dos Estados Unidos, e a Televisa (Mexico) também foram citadas como as que teriam pago propina para terem prioridade nas negociações de direitos de transmissão.

Duas empresas de intermediação, a Traffic, do Brasil, a Full Play, da Argentina, também teriam pago propina para Alejandro para intermediarem as negociações de tiais direitos de TV.

O depoimento de Alejandro foi dado no processo que José Maria Marim, ex-presidente da CBF, está sendo julgado no Tribunal Federal do Brooklyn. Ele está em prisão domiciliar desde 2015 nos Estados Unidos.

Alejando não deu maiores detalhes de como a negociação da propina era feita. Segundo ele, apenas a Fox Latin America ficava ciente do pagamento de propina para contratos.

Em um extenso comunicado, a Globo negou de forma veemente que pague propina para ter direitos de transmissão. Veja ele na íntegra:

“Sobre depoimento ocorrido em Nova York, no julgamento do caso Fifa pela Justiça dos Estados Unidos, o Grupo Globo afirma veementemente que não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina. Esclarece que após mais de dois anos de investigação não é parte nos processos que correm na justiça americana.

Em suas amplas investigações internas, apurou que jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos. Por outro lado, o Grupo Globo se colocará plenamente à disposição das autoridades americanas para que tudo seja esclarecido.

Para a Globo, isso é uma questão de honra. Não seria diferente, mas é fundamental garantir aos leitores, ouvintes e espectadores do Grupo Globo de que o noticiário a respeito será divulgado com a transparência que o jornalismo exige”.