Maitê Proença
Maitê Proença (Divulgação)

Maitê Proença esteve presente no lançamento da segunda temporada da série Me Chama de Bruna, da Fox. Na trama ela interpreta Miranda, uma jornalista lésbica que é apresentadora de televisão que irá se relacionar com Bruna Surfistinha (Maria Bopp). A atriz, que deixou o casting da Rede Globo recentemente, contou que o roteiro bem feito foi um ponto decisivo para aceitar o convite.  Maitê também comentou a polêmica envolvendo uma criança e um homem nu em exposição no MAM (Museu de Arte Moderna de São Paulo) recentemente.

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Como está sendo essa nova experiência em um trabalho fora da Rede Globo?

A verdade é que cada trabalho é um trabalho, a gente não pensa nas circunstâncias e esse trabalho tem uma pegada cinematográfica, que também me distancia um pouco dessa associação de estar fazendo televisão.

O que te levou a aceitar o convite para fazer Miranda?

Eu gostei da série, gostei do que li. Eu acho ela poderia ter uma pegada oportunista que visasse um pequeno nicho de público e ela não tinha. A série tinha uma grandeza nas cenas dela, uma forma de tratar os assuntos que eu achei corajoso, mas bem honesto. Na minha negociação pra fazer eu pensei: ‘dá pra fazer, eu gostei de ler esse negócio’. Roteiro é um negócio, em geral, meio chato pra ler, ele não é literatura, foi feito para ser encenado. Quando a gente gosta do roteiro, já é um bom sinal, porque tem uma base boa em cima da qual se trabalhar.

Demorou a negociação?

Comecei a conversar com eles pra ver como seria para fazer as cenas, como seria dirigido, como seria o tratamento das cenas. Nós chegamos num acordo, foi tudo muito elegante. A forma como a gente tratou a relação das personagens. Meu personagem se relaciona basicamente com o da Maria. Eu me senti muito bem, foi muito bom. Eu torço que funcione.

E como foi contracenar com a Maria Bopp?

Eu achei a Maria extraordinária, uma pessoa não agradável e fácil no trato, mas inteligente, que é um descanso pra gente quando está no set, você ter um convívio inteligente. E ela tem uma espontaneidade que cativa muito.

A série mostra sexo e nudez, você acha que tem um limite nesse campo já que recentemente se polemizou muito a nudez masculina numa exposição em São Paulo?

Sobre o que está acontecendo agora, eu acho que tem muita falta de informação, se a gente for no cabeleireiro e perguntar para aquelas pessoas se elas sabem porque que surgiu toda essa polêmica, elas não sabem. Elas acham que uma criança pegou no pinto do homem que estava provocando ela e era cena era libidinosa, porque falou-se em pedofilia, em zoofilia, e tudo isso te torna mentirosa. Então os conservadores de todas as áreas com suas agendas próprias estão demonizando a arte para afastar o foco de acontecimentos verdadeiramente demoníacos, que é a falta de saúde, a falta de educação de qualidade para todos, a miséria que voltou por conta da roubalheira desenfreada. Então, quando acontece uma coisa dessa que você pode através da mentira induzir a população a uma reação, trocar o foco daquele negócio que te incomoda e atender as suas próprias agendas conservadoras, fazem com que as pessoas fiquem mais conservadoras e reagem como se aquilo fosse verdade. Hoje em dia é muito fácil com a internet criar versões em cima da ignorância.