Silvio de Abreu dramaturgia Globo

Em entrevista ao site NTV, Silvio de Abreu, que foi cobiçado por Silvio Santos durante o Troféu Imprensa exibido ontem (22), falou das mudanças na teledramaturgia da Globo desde que ele assumiu a direção do setor.

O veterano comentou quando visualiza que um colaborador está pronto para assinar uma obra solo. “Não existe uma fórmula, muito menos um cálculo exato de tempo. A formação de um novo autor exige uma enorme dose de sensibilidade para intuir o momento certo de lançá-lo como titular de um trabalho. Existem autores que são excelentes escrevendo uma sinopse, mas não sabem desenvolvê-la nos capítulos. Por outro lado, existem os que fazem ótimas cenas, mas não conseguem encadear uma narrativa. Existem os que sabem imaginar ótimas cenas e situações, mas são péssimos nos diálogos. Cada caso é um caso e para cada um o método de desenvolvimento é diferente e específico”, comentou.

Abreu revelou que já descartou histórias e autores mesmo após aprovação e declarou que as alterações visam a longevidade do segmento: “Nem todo novo autor vem com alguma ideia original e muitos pecam quando pretendem fazer uma revolução do gênero, já na sua primeira experiência. Sou totalmente aberto a novas ideias, novas linguagens, novos caminhos, aliás quem acompanhou a minha carreira de autor sabe disso. Guerra dos Sexos, A Próxima Vítima, A Incrível Batalha Das Filhas Da Mãe no Jardim do Éden, e outras atestam isso. Não poderia ser diferente exercendo o cargo que exerço agora, mas é preciso ser prudente ao se entusiasmar com novas ideias. Ter a ideia não é o mais importante, o mais importante é saber desenvolvê-la dentro de um gênero popular como a telenovela que atinge milhões e milhões de telespectadores dos mais diferentes níveis sociais e culturais”.


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Por fim, falou dos problemas de audiência enfrentados por alguns novelistas. “Gilberto Braga e Manoel Carlos são dois ícones incontestáveis da teledramaturgia brasileira, devemos aos dois maravilhosas histórias de muito sucesso. Tenho certeza que essa sua decepção é momentânea. Muitos autores ambicionam chegar à novela das nove, porém, mais do que um mérito pessoal, o que importa é a narrativa e o estilo de cada um deles. Tanto Maria Adelaide Amaral quanto Thelma Guedes e Duca Rachid já escreveram novelas em que podem ser percebidos muitos elementos que se consagraram nas novelas das nove: melodrama, tramas familiares, personagens densos, uma pitada de comédia, assuntos polêmicos, trama intrigante. A escalação delas para o horário era apenas uma questão de tempo. Aposto no sucesso delas no horário, não só pelo talento, mas também pela habilidade de conduzirem maduramente uma grande história”, concluiu.