Conheça quem cria as provas do MasterChef


Vocês já se perguntou de quem são as ideias para os desafios do MasterChef Brasil? Provas como: depenar uma galinha, exibir um porco inteiro em formato de quebra-cabeça e colocar os participantes para cozinhar dentro de um barco em pleno Rio Negro, no Amazonas, são criações da cabeça da chef de cozinha Paula Labaki, que trabalha como consultora do programa.

Paula Labaki, que tem 27 anos de experiência, conta com mais seis pessoas para desenvolver a logística das competições, escolher os ingredientes, os utensílios e ainda auxiliar os competidores com aulas e técnicas gastronômicas. Cada atividade é executada antes para verificar a viabilidade de cada procedimento.

“O legal é criar provas que tenham dificuldades, sejam aventureiras, levem os caras ao limite, mas possíveis de serem executadas. As provas são pensadas para educar, entreter e testar os nervos. Quem quer ser um cozinheiro tem que aprender a lidar com o emocional, com o tempo. Ouço muito nas ruas que as pessoas estão se arriscando mais na cozinha por conta do MasterChef. E essa é a ideia do programa”, comemora.


Seguidora da cozinha sustentável, Paula Labaki gosta de valorizar a culinária brasileira, por isso, evidencia temperos exóticos e alimentos de regiões específicas do país. “O cozinheiro tem que saber limpar e valorizar os animais. Antes de ser um alimento, é um animal”, defende.

Com experiência em consultoria, a chef já deu aulas para Cecília, participante da primeira edição, e atualmente, tem como funcionária a ex-participante Larissa Douat, 26, uma das primeiras eliminadas da segunda temporada.  “Ela trabalha como ajudante e está desempenhando muito bem as funções. Ela tem perfil de cozinheira”.

Apesar de seguir o mesmo estilo de cozinha da argentina Paola Carrosela, Paula Labaki discorda da colega quando ela diz que não vê nenhum participante como a grande promessa da gastronomia brasileira.

“As vezes o reality show é o caminho que a pessoa encontra para entrar em uma cozinha. Acredito na vontade do ser humano. Ninguém vai se expor, se não tiver vontade de ser um cozinheiro. Óbvio que nem todos que estão ali vão virar cozinheiros, mas durante a competição, muitos se apaixonam pela cozinha. A primeira vez que o Lucas entrou no mercado, ele chorou. Ele nunca tinha visto tantos ingredientes. É um reality sim, mas está dando acesso. A gente não tem cultura gastronômica no Brasil porque não temos possibilidades. A partir do momento que você dá acesso, a cultura é ampliada e o MasterChef é uma forma de acesso”, afirma.

Paula Labaki não acha que os chefs Jacquin, Fogaça e Paola sejam grosseiros com os concorrentes quando avaliam os pratos.

“A cozinha é um lugar quente, um espaço de emoções latentes. No mesmo momento que você dá um baita esculacho no seu ajudante, depois de meia hora vocês estão no bar tomando cerveja e felizes. Às vezes, na TV, parece que o chef está sendo rigoroso demais, mas não é. Na cozinha é rotineiro. O brasileiro não está acostumado [com a postura]. Se compararmos com a cozinha francesa, nossos chefs são gatinhos de pelúcia. Precisamos parar de se assustar com as coisas e fazer acontecer”, finaliza ela, que também será consultora do MasterChef Júnior. “Tem muita criança cozinhando bem no Brasil”, adianta.