Emissoras querem acabar com os superssalários


Vem chegando ao fim em diversas emissoras do Brasil a exagerada inflação no salário de artistas. Na medida radical de conter gastos contratos com apresentadores, atores e todo o elenco estão sendo revistos. A condição apontada por Ricardo Feltrin, da coluna Uol é seguida por praticamente todas TVs, aberta ou a cabo. Tudo para que não exista mais salários que chegam a R$3 milhões por mês. A economia que as empresas de comunicação vão ter pode facilmente ultrapassar R$100 milhões de reais por ano.

Nos últimos tempos a Record foi a principal responsável por essa inflação. Foi ela quem investiu pesado na contratação de profissionais das concorrentes cobrindo abusivamente o valor dos salários praticado no mercado. O assédio ocorreu em quase todos os setores: dramaturgia, esporte, jornalismo, humor, produção e áreas técnicas.

Gugu Liberato chegou à fatura R$3 milhões por mês, Ana Paula Padrão R$450 mil, Tom Cavalcante cerca de R$500 mil e a atriz Bianca Rinaldi R$100 mil, até então o maior salário da área dramatúrgica. A atual economia, feita principalmente com a saída desses profissionais chega a ser superior a R$60 milhões por ano.


As medidas econômicas faz a Record também manter um quadro muito mais enxuto de atores e atrizes. São cerca de 200 artistas. A maior extravagância do ano foi a contratação de Sabrina Sato, mas estima-se que ela não receba nem R$250 mil.

Já a revisão que a Globo faz vai acontecer de forma gradativa até 2015, ocorrendo na medida em que os contratos vão vencendo. Com exceção de cerca de 100 dos chamados “medalhões” das novelas, praticamente todos os jovens atores agora só receberão por obra, e mais um pequeno percentual quando a emissora sabe que usará esse ou aquele ator ou atriz em outras histórias no futuro próximo. O departamento de humor da casa foi também reduzido nos últimos meses, com preferência por formatos mais enxutos.

E nesse cobre salário daqui, cobre a oferta dali a Band não quer mais brincar. Mesmo tendo parte do seu elenco levado pelas concorrentes ela não pretende enfiar a mão no bolso e pagar mega-salários, principalmente pela falta de capital para isso.

No SBT a política de salários é diferente. Apresentadores, por exemplo, ganham o proporcional ao que o programa fatura. Se não ganhar nada ficam também sem salário.

Na Rede TV essas economias não vão acontecer, mesmo porque não há mais onde cortar. Ela já trabalha com o mínimo no elenco e tem boa parte do seu horário vendido para terceiros.