Em A Dona do Pedaço, folhetim de Walcyr Carrasco, Maria da Paz (Juliana Paes) foi apresentada ao telespectador como uma mulher batalhadora que conquistou seu lugar ao sol, graças a sua dedicação e ao seu talento como boleira. Entretanto, seu estereótipo caricato, ingênuo, incapaz de enxergar o que acontece à sua frente, causou irritação profunda ao público durante um bom tempo da trama.

Passada para trás por sua filha Josiane (Agatha Moreira), Maria da Paz apresentou certa incoerência perante aos juízes dos controles remotos, aonde sua personalidade inocente, ou simplesmente ‘burra’, vinha na antemão da empresária que conquistou um império com seu esforço e sabedoria.

Por conta disso, o Observatório da Televisão separou uma lista de protagonistas que acabaram não agradando o público e foram rejeitadas, perdendo seus espaços para outros personagens. Relembre:

Maria Eduarda (Por Amor, 1997)

Eduarda (Gabriela Duarte) e Helena (Regina Duarte) em Por Amor. (Divulgação)

Atualmente no ar em Por Amor, na sessão Vale a Pena Ver de Novo, Maria Eduarda, interpretada por Gabriela Duarte, acabou ganhando a antipatia do público que acompanhou a trama. Contracenando com sua mãe Regina Duarte no papel de Helena, Gabriela sofreu com a rejeição dos telespectadores que chegaram a fazer um abaixo-assassinado solicitando que sua personagem morresse na história de Manoel Carlos.

Camila (Laços de Família, 2000)

Camila (Carolina Dieckmann) na cena icônica de Laços de Família. (Reprodução)

Dona de uma das cenas mais memoráveis de toda a dramaturgia brasileira, Camila, interpretada por Carolina Dieckmann na história de Manoel Carlos, fez muitos telespectadores torcerem o nariz para a sua trama no folhetim. Considerada mimada e egoísta, a jovem era acusada de sentir inveja da mãe, Helena (Vera Fischer), e teve seu protagonismo mal avaliado no decorrer da história. Contudo, após a descoberta da doença leucemia e uma cena que parou o Brasil, Camila ganhou novamente uma chance com o público e passou a ser mais bem aceita.

Paula (Paraíso Tropical, 2007)

Alessandra Negrini em Paraíso Tropical. (Divulgação)

Incumbida de interpretar as gêmeas Paula e Taís em Paraíso Tropical, de Gilberto Braga, Alessandra Negrini tornou-se alvo de críticas devidas à lerdeza da ‘gêmea boa’ na trama. O autor da novela, inclusive, chegou a criticá-la publicamente por conta de sua atuação, dizendo que Cláudia Abreu ganharia todos os prêmios do ano, caso não tivesse engravidado e encarnado as gêmeas. Paula acabou sendo ofuscada por Bebel (Camila Pitanga) no enredo, que com seu carisma foi levada de vilã à personagem mais amada de Paraíso Tropical.

Lara (A Favorita, 2008)

Lara (Mariana Ximenes) atirando em Donatela (Patrícia Pillar) em A Favorita. (Reprodução)

Se por um lado Mariana Ximenes ‘roubou’ o protagonismo para si em Passione, sua experiência anterior foi justamente o contrário. Em A Favorita, de João Emanuel Carneiro, a atriz viu a história de sua protagonista, Lara, minguar. Aos poucos, Flora (Patrícia Pillar) e Donatela (Claudia Raia) foram monopolizando a atenção do folhetim global para si mesmas e Lara virou apenas uma coadjuvante no contexto da dupla Faísca e Espoleta, por causa de suas indefinições amorosas e rebeldias não engolidas pelo público.   

Helena (Viver a Vida, 2009)

Taíss Araújo em Viver a Vida. (Reprodução)

Em 2009, Taís Araújo realizou o sonho de toda atriz da sua época: interpretar a Helena de Manoel Carlos. Contudo, a experiência de viver a protagonista com nome que virou de certa forma uma franquia, acabou resultando em uma frustração pessoal na carreira da atriz. Com uma trama mal desenvolvida, a Helena de Taís não convenceu o público e acabou perdendo espaço para a personagem de Alinne Moraes. Em recente entrevista ao Lady Night, de Tatá Werneck, Taís revelou o quão aterrorizante foi interpretar essa personagem, e que o sonho acabou virando pesadelo, deixando sua saúde mental totalmente desestabilizada devido as críticas.

Diana (Passione, 2010)

Cena da morte de Diana (Carolina Dieckmann) em Passione. (Reprodução)

Em 2010, Carolina Dieckmann aceitou o desafio de interpretar Diana, protagonista de Passione, de Silvio de Abreu. No entanto, vivendo uma fase de críticas à sua vida pessoal, a personagem acabou ganhando o hate gratuito do público e a solução que o autor teve, foi assassiná-la na trama. A história de Diana acabou sendo engolida e ela esquecida no enredo, e a vilã Clara, vivida por Mariana Ximenes, acabou assumindo o posto de protagonista absoluta do folhetim, mesmo que suas ações na história fossem duvidosas.

Paloma (Amor à Vida, 2014)

Paolla Oliveira como Paloma em Amor à Vida. (Divulgação)

Definida como ‘insossa’, a protagonista de Amor à Vida, Paloma, interpretada por Paolla Oliveira, acabou deixando o público com um pé atrás com a sua história. A falta de química entre a atriz e Malvino Salvador, protagonistas do folhetim de Walcyr Carrasco, acabou fazendo todos os holofotes se concentrarem no vilão da trama, Félix, interpretado por Mateus Solano, que com o seu carisma e tiradas avassaladoras, acabou se tornando o protagonista absoluto da novela, ganhando o perdão do público e fazendo com que a história de Paloma e sua filha jogada no lixo fosse preterida.  

Toia (A Regra do Jogo, 2015)

Vanessa Giácomo em A Regra do Jogo. (Divulgação)

No ano de 2015, Vanessa Giácomo interpretou a mocinha Toia, de João Emanuel Carneiro, na duvidosa A Regra do Jogo. A personagem, no entanto, fazia o telespectador revirar os olhos toda vez em que era passada para trás por Romero (Alexandre Nero). Com uma trama inconsistente, Toia acabou sendo conhecida por “Chatoia” na web, e cedendo seu espaço de protagonista para a vilã Atena (Giovanna Antonelli), que ganhou a redenção do público e encerrou a cena final do folhetim.

Letícia (A Lei do Amor, 2016)

Isabella Santoni em A Lei do Amor. (Reprodução)

Em 2016, Isabella Santoni interpretou a protagonista de A Lei do Amor, Letícia, que ganhou antipatia do público devido a sua personalidade mimada e seus chiliques de ciúmes. Nem a sua fase difícil, tentando se curar de um câncer, foi suficiente para causar comoção ao público, devido a sua trajetória no folhetim. A web ficava irritada quando a personagem maltratava sua mãe, Helô, vivida por Cláudia Abreu.

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