Xica da SIlva (Taís Araújo)
Xica da SIlva (Taís Araújo) (Divulgação)

Ao longo da semana passada, um acontecimento marcou o noticiário: Neymar, ídolo do futebol, foi acusado pela modelo Najila Trindade Mendes de Souza de tê-la forçado a fazer sexo algumas semanas atrás. Os dois se conheceram através de uma rede social e passaram a trocar mensagens. Najila e Neymar combinaram a ida dela para Paris, a fim de que pudessem enfim se ver. Num encontro que tiveram, aconteceu o sexo não consentido, conforme declarou a jovem. Com efeito, as investigações correm e espera-se que a justiça seja feita. Não só para uma eventual retratação pública da imagem do jogador, se for esse o caso, como também para atestar a verdade dos fatos narrados por Najila. Seja como for, houve alguns casos de estupro nas novelas. Vamos relembrar alguns deles.

Em Família: estupro coletivo traumatizou personagem por décadas

Jéssica Barbosa e Elina de Souza
Neidinha (Jéssica Barbosa e Elina de Souza) nas 3 fases de Em Família (Divulgação/ TV Globo)

Na segunda fase de Em Família (2014), novela de Manoel Carlos, a personagem Neidinha (Jéssica Barbosa) fora estuprada por três homens numa van. Do ato criminoso, a saber, originou-se uma gravidez, e nasceu Alice (Érika Januza). Na terceira e mais duradoura fase da novela, Neidinha foi interpretada por Elina de Souza. Irmã de Virgílio (Humberto Martins), portanto, cunhada de Helena (Júlia Lemmertz), Neidinha nunca superara por completo o trauma da juventude. Só mesmo o grande apoio da filha e do colega de trabalho Théo (Rafael Zulu) ajudaram-na a virar de vez a página. O estupro nas novelas teve aqui um exemplo forte.

Chamas da Vida: um personagem que, além de pedófilo, tornou-se também estuprador

Autora das duas atuais novelas da Record TV (Topíssima e Jezabel), Cristianne Fridman desenvolveu em sua novela Chamas da Vida (2008/09), da Record TV, um personagem perturbador. Lipe (André di Mauro) era pedófilo, e ficara obcecado por Vivi (Letícia Colin), irmã do mocinho Pedro (Leonardo Brício). Fingindo querer da jovem apenas amizade, ele ganhou sua confiança ao se conhecerem numa sala de bate-papo da internet.

Porto dos Milagres: atualmente no ar no Viva, história mostrou as consequências trágicas de um estupro nas novelas

Atualmente em reprise no Canal Viva, Porto dos Milagres (2001) mostrou em sua primeira fase um dos casos de estupro nas novelas mais chocantes. Coronel Jurandir (Reginaldo Faria) assediou em várias ocasiões a adolescente Cecília (Luiza Curvo), na primeira fase da história. Até o dia em que ele estuprara a jovem. Envergonhada e sem saber como lidar com a situação, Cecília se suicidara. Revoltada com o destino da irmã, Rosa mata o Coronel Jurandir, em pleno dia de seu casamento com Otacílio (Eduardo Galvão).

Xica da Silva: vulnerável e considerada inferior, a protagonista entrou para a lista dos estupros nas novelas

Taís Araújo não estreou na teledramaturgia protagonizando Xica da Silva (1996/97), novela de Walcyr Carrasco produzida pela Rede Manchete. No entanto, Xica marcou sua carreira e lançou-a para o estrelato. Mancomunado com sua filha Violante (Drica Moraes), o Sargento-mor Cabral (Carlos Alberto) estuprou a escrava. A desculpa para tê-la sozinha em sua presença fora uma ordem para que Xica levasse uma refeição até ele.

Outra personagem de Xica da Silva que entrou para a lista dos estupros nas novelas foi Clara (Adriane Galisteu), meia-irmã de Xica, uma vez que ambas eram filhas do Contratador Felisberto (Reynaldo Gonzaga). Ao tentar fugir do Arraial do Tijuco, a jovem fora surpreendida por diversos soldados da Coroa, ou “dragões”, como eram chamados, e também pelo repulsivo Jacobino (Altair Lima). Alguns deles estupraram-na e, depois disso, Clara enlouquecera.

Logo após a novela, Taís Araújo se transferiu para a Rede Globo, na qual estreou como a Vivian de Anjo Mau (1997/98), de Maria Adelaide Amaral. Só para ilustrar, Vivian sofreu uma tentativa de estupro da parte de Ricardo (Leonardo Brício).

A História de Ana Raio e Zé Trovão: vilão estuprador e sequestrador

Os telespectadores das produções da Rede Manchete seguramente se recordam do pontapé inicial da narrativa de A História de Ana Raio e Zé Trovão (1990/91), de Marcos Caruso e Rita Buzzar. A jovem Ana de Nazaré (Flor Violeta), ainda menor, é estuprada por Leopoldo Canjerê (Nelson Xavier). O ato dá origem a uma gestação, e nove meses depois Ana dá à luz Maria Lua (Micaela Góes). No entanto, Leopoldo sequestra a garota, e cuida dela em local ignorado por Ana. Ao mesmo tempo em que constrói uma carreira de sucesso como peoa em rodeios, com o nome de Ana Raio (Ingra Liberato), ela empreende uma busca pela filha.

Cortina de Vidro: provavelmente, a maior ousadia da história da teledramaturgia brasileira

O mesmo Walcyr Carrasco de Xica da Silva e que atualmente assina A Dona do Pedaço estreou como autor de novela em 1989, com Cortina de Vidro. Exibida pelo SBT, a produção era de responsabilidade da Miksom e da Artvideo, sob a batuta de Guga de Oliveira, irmão de Boni. Carola, filha de Guga e futura Sra. Chiquinho Scarpa, participou de Cortina de Vidro como atriz. Sua personagem era Michelle, filha do inescrupuloso Arnon Balakian (Antonio Abujamra). Numa atitude bastante ousada em qualquer época, Walcyr fez com que Arnon fizesse sexo não consentido com a própria filha.

Coração Alado: Janete Clair e um estupro polêmico

Em 1980, Janete Clair escrevia mais uma de suas novelas das 20h na Rede Globo: Coração Alado. O protagonista era Juca Pitanga (Tarcísio Meira), um artista plástico pernambucano que foi para o Rio de Janeiro em busca de novas oportunidades. Enquanto trabalha para se afirmar, Juca se divide entre duas mulheres: Vivian (Vera Fischer), cunhada de Leandro (Ney Latorraca), seu representante carioca para as vendas das obras de arte; e Camila, a Catucha (Débora Duarte), filha mais velha do milionário Alberto Karany (Walmor Chagas).

A certa altura da trama, Leandro embebedara Vivian e a estuprara. O uso do álcool foi necessário em virtude de ser Leandro mais franzino do que Vivian, embora fosse homem e supostamente pudesse dominá-la sem maiores problemas. Provavelmente a artimanha foi pensada pela autora para justificar que Vivian pudesse ser vítima de estupro da parte de um homem como Leandro.

Irmãos Coragem: a torcida do público pela miscigenação brasileira

Apresentada entre 1970/71, Irmãos Coragem foi um dos maiores êxitos da carreira de Janete Clair. Líder dos capangas do Coronel Pedro Barros (Gilberto Martinho), Juca Cipó (Emiliano Queiroz) não hesitava em cometer as piores maldades em nome do fazendeiro, que era seu pai, embora ele não soubesse disso até certa altura da narrativa. Juca estupra Cema (Suzana Faini), mulher do garimpeiro Brás Canoeiro (Milton Gonçalves). Ela engravida e, de acordo com o diretor da novela, Daniel Filho, o público torcia para que a criança nascesse parecida com Brás. De tal forma que o casamento não se dissolvesse com a descoberta da “traição”. Esse caso de estupro nas novelas motivou uma torcida não apenas pelo bem de Cema, como também pela miscigenação brasileira. Na segunda versão da história, produzida em 1995, Murilo Benício viveu Juca Cipó. Cema foi interpretada por Denise Milfont e Brás por Maurício Gonçalves.

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