Bela, a Feia é sucesso na Record TV (Reprodução / Record TV)
Bela, a Feia é sucesso na Record TV (Reprodução / Record TV)

Desde novembro do ano passado, a Record TV vem colhendo ótimos resultados em audiência com a reprise de Bela, a Feia em suas tardes. Produzido originalmente em 2009, a atração tem alcançado médias ao redor dos 8 pontos e não raro se posiciona como o folhetim mais assistido da grade da emissora.

Nada a se estranhar para quem vem de uma franquia de sucesso comprovado, certo? Afinal, a trama estrelada por Giselle Itié é uma adaptação livre de Betty, a Feia, novela colombiana de 1999 que foi um fenômeno de popularidade em vários países. Entre eles, o próprio Brasil, onde foi ao ar pela RedeTV! em 2002.

Além da obra original e da ‘santa de casa’, o público tupiniquim conheceu outras duas versões da mesma história: A Feia Mais Bela (2007), produção mexicana da Televisa, e Ugly Betty (2007-2010), série estadunidense baseada no formato latino. Pode parecer muita coisa. Mas é apenas a pontinha do iceberg perto do total de 22 versões internacionais que a história da ‘feiosa’ angariou ao redor do globo terrestre, fazendo dela a novela mais adaptada para o exterior em toda a história da TV mundial.

Lalola foi exibida pelo SBT em 2008 (Divulgação)
Lalola foi exibida pelo SBT em 2008 (Divulgação)

2º lugar – Lalola (Argentina, 2007)

O segundo lugar desse pódio, aliás, corresponde a outra produção já vista por aqui. Estamos falando de Lalola, novelinha argentina que o SBT transmitiu em 2007, com bem pouca repercussão. Cuja estrutura, aliás, até se assemelha à de Betty, a Feia, centrada no dia a dia de um escritório.

O argumento, porém, é bem diferente. O machão Lalo (Juan Gil Navarro) tinha a vida virada de pernas para o ar ao despertar, em um belo dia, convertido em Lola (Carla Peterson), uma charmosa e atrapalhada mulher! Com essa premissa simples, o país de Maradona garantiu a reprodução da obra em nada menos que 9 países. Bem menos que Betty, é verdade. Porém mesmo assim um recorde considerável.

A principal delas se deu no Chile. Sob o título de simplesmente Lola, teve tanto êxito que acabou se estendendo a 276 episódios, tornando-se o mais longo folhetim da história da TV local. Para dar conta de tamanha longevidade, diversas tramas inéditas foram acrescentadas ao roteiro original importado. Peru, Filipinas, Bélgica, Espanha, Rússia, Grécia, Portugal e Índia foram as outras nações a terem uma Lalola para chamar de sua.

O canal estadunidense ABC, inclusive, ensaiou em 2009 a produção de uma série baseada no folhetim argentino, com James Van Der Beek (Dawson’s Creek) e Rhea Seehorn (Better Call Saul) nos papéis principais. Porém o projeto, batizado de Eva Addams, não passou do piloto.

Mike Amigorena e Carla Peterson, protagonistas de Los Exitosos Pells (Divulgação / Telefe)

3º lugar – Los Exitosos Pells (Argentina, 2008)

A terceira colocação é de outra produção argentina, Los Existosos Pells (2008). Também estrelada por Carla Peterson, a mesma de Lalola, centra-se no dia a dia de um casal de jornalistas que dividem, além da vida diária, o comando de um importante noticiário de TV. Algo similar ao que o foram William Bonner e Fátima Bernardes até 2016, quando se separaram.

A reviravolta se dá quando Martín Pells (Mike Amigorena), o tal âncora, sofre um grave acidente e entra em coma. O dono da emissora que o contratou escala, então, um sósia do jornalista, Gonzalo Echagüe (Mike Amigorena), para passar-se por ele tanto na bancada do programa quanto no lar com sua esposa Sol (Peterson), que nem imagina estar diante de um ‘usurpador’ do marido.

Além do êxito em seu país natal, Los Exitosos Pells teve sua história reproduzida em sete países: Chile, Equador (El Exitosos Licenciado Cardoso), Rússia, Grécia, Polônia, Peru (Los Exitosos Gomes) e México. Neste último, a versão Los Exitosos Pérez (2010) foi protagonizada por Ludwika Paleta – a Maria Joaquina da versão original Carrossel – e por Jaime Camil.

O astro de Jane, The Virgin, inclusive, chegou a protagonizar uma cena de beijo gay com José Ron (galã de A Que Não Podia Amar), a qual acabou censurada e nunca chegou a ir ao ar.

Rebelde, o remake mexicano (à esquerda); Rebelde Way, a original argentina (à direita); Florencia Bertotti, protagonista de Floricienta (centro) (Televisa / CMG)

4o lugar – Rebelde Way (Argentina, 2002) /
Floricienta (Argentina, 2004)

Nesta posição, temos o empate entre duas histórias bastante conhecidas do público brasileiro.

Rebelde Way foi um grande sucesso em vários países, ainda em sua roupagem original – na qual, inclusive, integrou por algum tempo o catálogo brasileiro da Netflix. Foi, porém, na forma ‘mexicanizada’ de Rebelde (Televisa, 2004-2006) que as tramas e os dramas dos alunos do Colégio Elite Way ganharam de vez o mundo.

O sucesso desta versão da história por aqui, na tela do SBT, acabou mais tarde inspirando a Record TV a produzir sua própria adaptação do formato, também batizada de Rebelde e produzida entre 2011 e 2012, com relativo sucesso. A trama adolescente foi refilmada também no Chile (Corazón Rebelde), em Portugal (Rebelde Way) e até na Índia – onde rendeu uma remake fiel, porém mesmo assim bem inusitado, batizado de Remix!

Floricienta, por sua vez, nunca seria conhecida entre os brasileiros tal qual foi feita no país de Maradona. Muitos, porém, certamente a reconhecerão na ‘saga’ de Floribella, trama infanto-juvenil estrelada por Juliana Silveira na Band, em 2005 e 2006.

A história, que unia tons de Cinderela e de A Noviça Rebelde, também ganhou suas próprias versões na Colômbia (também chamada Floricienta), no Chile (Floribella – Un Amor de Verdad), no México (Lola, Érase Una Vez) e finalmente em Portugal (Floribella), onde contou com o conhecido ator Ricardo Pereira como protagonista.

O mais curioso neste caso, porém, foi a velocidade com que as versões de Floricienta se espalharam pelo mundo. Em 2006, o formato chegou a ser produzido em quatro países de forma simultânea (Brasil, Portugal, Chile e Colômbia)!

Los Roldán foi gravada em cinco países (Divulgação / Ideas del Sur)

5o lugar – Los Roldán (Argentina, 2004) / Montecristo (Argentina, 2002)

Novamente, dois formatos argentinos em empate. Desta vez, porém, ambos totalmente desconhecidos do público tupiniquim.

Los Roldán era uma comédia de situação a respeito de um família de ‘pobretões’ que ascende socialmente após ganhar uma inesperada herança. Foi regravada em quatro países: na Colômbia (Los Reyes), no Chile (Fortunato), na Grécia e no México – só neste último, duas vezes. O primeira, como Los Sánchez, rodada em 2005 pela TV Azteca. A segunda, em Una Familia con Suerte, produção de 2012 da Televisa.

Por sua vez Montecristo, como o próprio título sugere, transporta para os dias contemporâneos a clássica história de amor, vingança e redenção criada pelo francês Alexandre Dumas.

Aclamada por público e crítica em seus país natal, garantiu sua reprodução também no Chile, Colômbia, México e Portugal. Lúcia Moniz, do filme Love Actually (Simplesmente Amor), e o hoje global Paulo Rocha estrelaram o remake lusitano.

O argentino Pablo Echarri, protagonista de Montecristo (Divulgação / Telefe)

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