Madá (Fabiana Karla) tem um pressentimento ruim ao ver Beto Falcão (Emilio Dantas) no palco e alerta o cantor

Beto Falcão (Emílio Dantas), o ídolo do axé que depois de morto fez mais sucesso do que quando estava vivo em Segundo Sol (2018), ressurgiu em Verão 90 numa participação especial. Na fase da novela passada em 1993, Beto é um fenômeno do mercado fonográfico, representante de um gênero que sucedeu a lambada como êxito de vendas. Com seu dom de premunir, Madá (Fabiana Karla) antevê a morte de Beto num acidente de avião, como de fato supostamente ocorreu na novela de João Emanuel Carneiro. Mas esse é apenas um dos casos de personagens de novelas que ressurgiram em outras numa participação. Vamos relembrar outros.

Glória Perez e alguns de seus personagens de novelas que ressurgiram em outras

Em três ocasiões, Glória Perez promoveu em suas novelas o retorno de personagens integrantes de obras anteriores. Barriga de Aluguel (1990/91) trouxe a divertida Sulamita (Marilu Bueno), de Partido Alto (1984), de Glória e Aguinaldo Silva. Da mesma Barriga de Aluguel, o médico Molina (Mário Lago) e a geneticista Penélope Brown (Beatriz Segall) reapareceram na fase dos anos 1980 de O Clone (2001/02). Ainda, Neusa Borges interpretou a fofoqueira inconveniente Diva tanto em América (2005) quanto em Salve Jorge (2012/13). Todavia, a personagem participou das duas novelas por inteiro.

Lima Duarte viveu mais de um dos personagens de novelas que ressurgiram em outras

Murilo Pontes (Lima Duarte) disputava com o grande amor de sua vida, Pilar Batista (Renata Sorrah), o controle político de Resplendor em Pedra Sobre Pedra (1992). Cinco anos depois, em A Indomada, os autores Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares decidiram trazer Murilo de volta, numa participação especial. Desta vez ele aparecia em Greenville para participar de uma mesa especial de pôquer no British Club de Richard (Flávio Galvão). Renata, que interpretava a cafetina Zenilda, fez com Lima uma breve cena alusiva a seus personagens da história anterior, deixando ainda mais clara a referência.

O mesmo Lima Duarte viveu outro personagem que apareceu em duas outras novelas de Aguinaldo Silva. Porto dos Milagres (2001), atualmente em reprise no Canal Viva, apresentou-o como o Senador Victório Vianna, líder do partido que Félix Guerrero (Antonio Fagundes) integrava. Três anos depois, Victório ressurgiu no final de Senhora do Destino, e se tornou a nova “vítima” da ambiciosa e inescrupulosa Viviane (Letícia Spiller) logo após a morte de Reginaldo (Eduardo Moscovis).

Anabela Freire, de Um Sonho a Mais, voltou à cena 12 anos depois

Em Zazá (1997), o autor Lauro César Muniz promoveu o retorno de Anabela Freire, a personagem que Volpone (Ney Latorraca) encarnava como parte de seus planos de vingança em Um Sonho a Mais (1985), de Lauro César, Mário Prata e Daniel Más. Silas Vadan, vilão vivido pelo ator em Zazá, se fez passar por Anabela na reta final da história, para escapar à prisão e completar seus planos.

Além de Jamanta, outra personagem de Torre de Babel voltou em Belíssima

Silvio de Abreu “ressuscitou” Dona Armênia (Aracy Balabanian) e seus “três filhinhas” em Deus nos Acuda (1992/93), após o sucesso em Rainha da Sucata (1990). O autor repetiu a dose com o Jamanta (Cacá Carvalho) de Torre de Babel (1998), que voltou em Belíssima (2005/06). Todavia, esses personagens participaram de duas obras por inteiro, não fizeram na segunda aparição apenas uma participação. Luzineide (Eliane Costa), com quem Jamanta se casou no final de Torre de Babel, reapareceu no desfecho de Belíssima impedindo-o de se casar com Regina da Glória (Lívia Falcão), empregada dos Güney. E assim tornou-se uma das personagens de novelas que ressurgiram em outras.

Além disso, Torre de Babel apresentou Nair Bello numa participação especial como Carlotinha Bimbatti, amiga de Diolinda Falcão (Cleyde Yaconis). A personagem apareceu anteriormente em Guerra dos Sexos (1983), interpretada por Regina Casé. Maior fofoqueira entre os muitos empregados das lojas Charlô’s, Carlotinha foi citada a novela inteira por Frô (Cristina Pereira), que sabia por ela de tudo que ocorria. Na segunda versão da novela, em 2012/13, Xuxa apareceu como a amiga de Frô (Mariana Armellini), agora chamada Terezinha Romano.

Personagem de uma novela que ressurge em outra: em Ti-ti-ti, tivemos vários

Luis Gustavo
Luis Gustavo como Mario Fofoca em Elas por Elas (Divulgação/ TV Globo)

A versão de Ti-ti-ti escrita por Maria Adelaide Amaral em 2010/11 fez uma grande homenagem não apenas às duas histórias unidas para desenvolvê-la (Plumas e Paetês, de 1980/81), e Ti-ti-ti, de 1985/86), mas a todo o universo ficcional de Cassiano Gabus Mendes. De tal forma que um de seus personagens mais emblemáticos, o atrapalhado detetive Mário Fofoca (Luís Gustavo), de Elas por Elas (1982), foi aqui resgatado e acabou ficando a novela toda. No entanto, o quesito personagem de uma novela que ressurge em outra teve aqui os exemplos de Kiki Blanche (Eva Todor), de Locomotivas (1977), Rafaela Alvaray (Marília Pêra), de Brega & Chique (1987), e a “Divina” Magda (Vera Zimmermann), de Meu Bem, Meu Mal (1990/91).

Baronesa de Sobral, exemplo mais recente de personagens de uma novela que ressurgiram em outra

Atriz revive personagem de folhetim de época (Divulgação/TV Globo)
Atriz revive personagem de folhetim de época (Divulgação/TV Globo)

Antes da volta de Beto Falcão em Verão 90, o exemplo mais recente de personagem de uma novela que ressurge em outra foi o da Baronesa de Sobral (Malu Mader) em Tempo de Amar (2017/18), de Alcides Nogueira. O dramaturgo criou a personagem com o nome de Ester Delamare, em Força de Um Desejo (1999/2000), que escreveu com Gilberto Braga. Nessa novela, Ester foi Baronesa de Sobral duas vezes, já que foi casada tanto com Henrique (Reginaldo Faria), o Barão de Sobral, quanto com seu filho mais velho Inácio (Fábio Assunção), que herdou do pai o título. Em Tempo de Amar, Ester encontra Emília (Françoise Forton), que no passado foi amante de seu marido.

Personagens de uma novela voltarem em outra costumam ser um recurso interessante para movimentar as tramas por alguns capítulos. Com efeito, conta-se com a memória afetiva do público e pelo pouco habitual retorno de figuras que geralmente “morrem” quando a palavra “fim” surge na tela.

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