Ana Brenda Contreras e José Ron como Ana Paula e Gustavo, na novela mexicana A Que Não Podia Amar (Divulgação / Televisa)
Ana Brenda Contreras e José Ron como Ana Paula e Gustavo, na novela mexicana A Que Não Podia Amar (Divulgação / Televisa)

Desde que a esperada estreia de A Que Não Podia Amar se tornou uma realidade no SBT, o público brasileiro tem ido duplamente às lágrimas diariamente com a exibição da trama mexicana pelo canal de Silvio Santos. Não só por conta das agruras vividas pelos protagonistas, Ana Paula (Ana Brenda Contreras) e Rogério (Jorge Salinas), dentro da história, mas principalmente pelos absurdos cortes feitos pela emissora sobre a obra importada.

A cada novo capítulo, chovem queixas no Twitter a respeito da omissão de sequências, algumas delas fundamentais, da produção da Televisa. Procurada pelo Observatório da Televisão, o SBT justificou a ação da ‘tesoura’ na “adequação ao tempo da novela na grade”.

O fato é que, se bem lembrarmos, muitas outras novelas já causaram revolta nos fãs ao terem sequências importante suprimidas pela edição, seja numa reprise ou mesmo na exibição original. Relembremos alguns casos.

Giuliana (Ana Paula Arósio) e Matteo (Thiago Lacerda) em Terra Nostra
Giuliana (Ana Paula Arósio) e Matteo (Thiago Lacerda) em Terra Nostra (Divulgação)

TERRA NOSTRA

A atual entrega da novela de Benedito Ruy Barbosa explodiu na audiência do canal Viva logo em seus primeiros capítulos. Mesmo assim, vem sendo alvo de profundos cortes em relação à transmissão original, em 1999, no horário nobre da Globo.

O motivo dessa vez, porém, é até bastante plausível: a exibição da versão integral de Terra Nostra, em 221 capítulos, esbarrou numa questão de direitos autorais da trilha sonora. Com isso, optou-se por exibir a versão internacional da história de Giuliana (Ana Paula Arósio) e Mateo (Thiago Lacerda), a qual conta com uma trilha diferenciada e consta de apenas 150 capítulos.

Valentina Villalba em A Dona (Divulgação)
Lucero interpretou Valentina Villaça em A Dona (Divulgação)

A DONA

Hoje em reprise, a história de Valentina Vilaça (Lucero) foi alvo de severas críticas pela postura exageradamente ‘conservadora’ com que o SBT a exibiu originalmente, em 2015. Até mesmo cenas de bofetadas entre as atrizes ou de beijos um pouco mais calientes chegaram a ser suprimidas, prejudicando severamente o entendimento da trama!

Embora a emissora nunca tenha se manifestado oficialmente a respeito, era claro que por trás de tantas ‘tesouradas’ havia um imenso receio com respeito à classificação indicativa, que, se alterada por ordens do Ministério da Justiça, poderia implicar no cancelamento do programa – regra que, aliás, cairia a partir do ano seguinte.

Tanto é verdade que, nesta segunda entrega de A Dona, várias das sequências originalmente cortadas têm ido ao ar com a maior naturalidade. Fato que, aliás, vem sendo motivo de comemoração entre os fãs.

Protagonistas de Sortilegio
Protagonistas de Sortilégio (Divulgação)

SORTILÉGIO

O conservadorismo escancarado foi o maior vilão da exibição de Sortilégio no Brasil, em 2014. No México, a novela foi ao ar no horário nobre e ficou marcada pela alta voltagem das cenas de sexo, especialmente as que envolviam os protagonistas, Maria José (Jacqueline Bracamontes) e Alessandro (William Levy). Boa parte dessas sequências foram editas pelo SBT, que transmitia o folhetim à tarde. Até aí, tudo bem.

Agora, o que realmente pegou mal foi quando a emissora começou a cortar toda e qualquer menção ao romance homossexual entre Ulisses (Julián Gil) e Roberto (Marcelo Córdoba). Até mesmo os diálogos que diziam respeito ao affair entre os personagens foram alterados na dublagem, praticamente transformando-os em héteros! Ficou feio, mas o SBT nunca admitiu oficialmente a ‘cura gay’ do casal.

Sherlyn e Pee Wee, os protagonistas jovens de Camaleões (Divulgação / Televisa)
Sherlyn e Pee Wee, os protagonistas jovens de Camaleões (Divulgação / Televisa)

CAMALEÕES

Esta trama mexicana um tanto quanto bizarra – com jovens ladrões bancando os agentes secretos, infiltrados dentro de um rígido colégio – surpreendeu ao fazer sucesso no Brasil em 2010, coisa que não havia acontecido nem em sua terra ‘natal’. O Ministério da Justiça, contudo, implicou com as cenas de violência, sexo e até de consumo de bebida alcoólica por menores de idade – a protagonista jovem, Solange (Sherlyn), era uma adolescente vítima de alcoolismo.

Acionado, o SBT até tentou providenciar alguns (muitos) cortes para se livrar do crivo do governo federal. Mas não adiantou: o MJ alterou impiedosamente a classificação indicativa de Camaleões de 10 para 12 anos, o que, pela norma vigente à época, obrigaria a trama a ser transferida das 16h para depois das 20h!

Como tal readequação de horário não fazia sentido para o canal, em termos de estratégia de programação, optou-se por editar os quase 30 capítulos que restavam à exibição em um incompreensível resumo, encerrando sua exibição na TV em poucos dias. Os fãs, porém, não foram deixados totalmente na mão: os capítulos extirpados foram transmitidos na íntegra pela internet, no site da emissora.

Elenco central da terceira temporada de Quase Anjos (Divulgação / Telefe)
Elenco central da terceira temporada de Quase Anjos (Divulgação / SBT)

QUASE ANJOS

A trama argentina – da mesma criadora de Chiquititas e Rebelde – foi adquirida pela Band em 2010, para ir ao ar na faixa das 20h30, substituindo o sucesso infanto-juvenil Isa TKM. No entanto, por questões comerciais de dentro do Morumbi, acabou transferida para a grade matinal ainda em suas primeiras semanas.

A exemplo do que acontecera com Camaleões no SBT, sequências de teor sexual ou violento foram constantemente suprimidas ao longo da história – um misto de crônica do cotidiano adolescente com dramas sobrenaturais. Não sem alarde dos fãs, sempre ativos nas redes sociais. Mesmo assim, Quase Anjos conseguiu índices até bastante bons para as manhãs da Band.

Barbara Mori em Rubí (Divulgação)
Barbara Mori em Rubí (Divulgação)

RUBI

Exibida pelo SBT nada menos do quatro vezes, o folhetim estrelado por Bárbara Mori pode se gabar de ter feito sucesso em cada uma dessas entregas. O público, no entanto, só foi conhecer a íntegra da saga da ‘descarada’ em sua segunda transmissão, dois anos posterior à pioneira.

Isso porque a primeira exibição de Rubi, no horário nobre do SBT em 2004, acabou sendo ‘atropelada’ por um contrato de patrocínio com a Chevrolet para o Roda a Roda, o qual obrigou a emissora a ceder o horário da novela para o game show. Com isso, Rubi sofreu profundos cortes na reta final, saindo do ar acabou com apenas 77 episódios – 30 a menos que na edição original. Somente em 2006, numa reapresentação vespertina, a história pôde ser finalmente conhecida em sua totalidade.

Jenifer (Bárbara Borges) e Eleonora (Mylla Christie) de Senhora do Destino
Jenifer (Bárbara Borges) e Eleonora (Mylla Christie), de Senhora do Destino (Divulgação/TV Globo)

SENHORA DO DESTINO

Todos sabemos que a segunda reprise de Senhora do Destino foi recordista de audiência dentro do Vale a Pena Ver de Novo. Porém, mesmo com tanto sucesso, a Globo viu-se receosa ao exibir no período da tarde, em pleno ano de 2017, as cenas que envolviam o romance lésbico entre Eleonora (Mylla Christie) e Jennifer (Bárbara Borges).

A gota d’água foi a supressão de um trecho em que Jennifer finalmente começa a se entender como homossexual. Os fãs do casal foram às redes sociais se queixar e, felizmente, acabaram conseguindo que a emissora voltasse atrás na ‘autocensura’. Dali em diante, a trama gay passou a se desenvolver normalmente na história, e até mesmo uma cena after sex de Jennifer e Eleonora, insinuadamente nuas entre lençóis, foi exibida sem o mais mínimo cortezinho.

Malu Mader como Maria Clara em Celebridade (Reprodução/TV Globo)

CELEBRIDADE

Exitosíssima em sua exibição original, Celebridade foi a escolhida para suceder a própria Senhora do Destino nas tardes da Globo no ano passado. Mas, ao contrário do que todos esperavam, a história de Gilberto Braga fracassou feio junto à audiência vespertina.

Perto da reta final, quando já não restavam mais esperanças de que a saga de Maria Clara Diniz (Malu Mader) reagisse, a Globo recorreu à indefectível ‘tesoura’ para acelerar seu término. Nos casos mais extremos, quase quatro capítulos originais foram condensados em um único episódio da reprise. Resultado: Celebridade saiu do ar pela segunda vez com 125 capítulos, contra 221 (!!!) da exibição original.

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