Manoel Carlos
Manoel Carlos (Reprodução/Globo)

Atualmente, Por Amor é um sucesso pela quinta vez na televisão brasileira. Sua quarta reprise, e segunda no vespertino Vale a Pena Ver de Novo, é um inegável sucesso. Em 1986, portanto, há 33 anos, seu autor Manoel Carlos lançava na Rede Manchete sua única novela na casa: Novo Amor. A estreia ocorreu em 14 de julho.

Os antecedentes de Novo Amor, novela de Manoel Carlos para a Manchete

Inaugurada em 1983, a Rede Manchete já em 1984 apostou em teledramaturgia com uma minissérie, Marquesa de Santos. A primeira investida da emissora no campo das novelas foi Antônio Maria, de Geraldo Vietri, em 1985. Tratava-se de um remake da história que Vietri encenou na TV Tupi em 1968/69 com Sérgio Cardoso no papel-título. Aqui, um português genuíno, Sinde Filipe, ficou com o personagem. Exibida às 18h30, a história não teve substituta e uma readequação dos investimentos da emissora fez com que apenas em março de 1986 surgisse outra novela: Dona Beija.

Escrita por Wilson Aguiar Filho e apresentada já por volta das 21h20min (ou seja, após o término da novela das 20h da Globo), a trajetória da bela Ana Jacinta de São José, que tem a vida virada do avesso e se consagra como cortesã na Araxá de meados do século 19, fez brilhar a atriz Maitê Proença e atingiu índices históricos para a Manchete. Só para ilustrar, Dona Beija chegou a vencer o musical Chico & Caetano, apresentado pela Globo em sua faixa Sexta Super naquele ano. Com efeito, sua substituta foi cercada de expectativa e tinha grande responsabilidade.

A história criada por Manoel Carlos para Novo Amor

Anteriormente, Manoel Carlos já havia escrito para a Manchete a minissérie Viver a Vida, em 1984. A principal personagem da história de Novo Amor é Fernanda (Renée de Vielmond), dona de uma butique em Brasília. Num voo que tem o Rio de Janeiro como destino, ela conhece os dois homens que disputarão seu coração no decorrer da trama: o senador Marco Antônio (Carlos Alberto) e o “aeromoço” Bruno (Nuno Leal Maia).

Político de ideias progressistas, Marco Antônio é casado com Lígia (Nathalia Timberg) e o casal é pai de Fernão (Diogo Vilela). Fernanda, por sua vez, tem uma irmã mais moça, Tereza (Cristina Aché). Ao mesmo tempo que inveja a irmã, ela também a ama muito. E posteriormente passa por terríveis momentos ao ser abusada sexualmente. Tereza se envolve amorosamente com Fernão.

Outros personagens de destaque em Novo Amor

Outros personagens de destaque são Léo (Ênio Gonçalves) e Virgínia (Beatriz Lyra). Ela é uma viúva solitária, presa fácil para um malandro como ele, mais jovem e pouco afeito ao trabalho. Também Verônica (Esther Góes) e Mário (Jonas Bloch), típico casal de classe média envolto em dificuldades financeiras, potencializadas pela economia brasileira, sempre de plano em plano. Bitty (Sônia Clara), editora da revista “Brilho”, é expoente de um dos temas da história: o mundo da moda.

Curiosidades sobre Novo Amor

É interessante notar como Herval Rossano, àquela altura diretor de teledramaturgia da Manchete, levou para a emissora vários atores com os quais já havia trabalhado na Globo. Só para exemplificar, em Novo Amor havia Nuno Leal Maia, Fátima Freire, Rogério Fróes e Danton Mello, todos egressos diretamente de A Gata Comeu (1985).

Além disso, Nathalia Timberg também já havia trabalhado com o diretor em A Sucessora (1978/79). Bem como Ângela Leal, intérprete de Isabel, fez com Herval na Globo Dona Xepa (1977), entre outras. Na produção anterior, Dona Beija, foi a vez de Maitê Proença, Arlete Salles, Mário Cardoso, Nina de Pádua, Mayara Magri, Jayme Periard, Castro Gonzaga, Patrícia Bueno, Léa Garcia, Edwin Luisi e Mirian Pires, entre outros, repetirem parceria com Herval.

Não apenas Nuno Leal Maia e Danton Mello vieram de A Gata Comeu, como também repetiram em Novo Amor os papéis de pai (Bruno) e filho (Adriano). Na novela global de Ivani Ribeiro eles foram Fábio e Cuca.

Coincidências entre Fernanda e a personagem anterior de Renée de Vielmond

Na ocasião, a atriz Renée de Vielmond estava ausente da televisão desde que havia terminado a novela Eu Prometo, em fevereiro de 1984. Nessa que foi a última criação de Janete Clair no gênero, Renée foi a protagonista Kely Romani, por quem o deputado Lucas Cantomaia (Francisco Cuoco) se apaixonava. Todavia, Lucas vivia um casamento de aparências com Darlene (Dina Sfat), necessário à imagem de “homem perfeito” que ostentava. De tal forma que a Fernanda de Novo Amor guardava assim algumas semelhanças com Kely.

O personagem Miguel de Novo Amor foi o último interpretado pelo ator João Paulo Adour. Integrante do elenco de novelas importantes como Selva de Pedra (1972/73), O Bem-amado (1973) e O Grito (1975/76), logo após o trabalho Adour passou a dedicar-se às finanças de sua família. O ator faleceu em setembro de 2018, aos 78 anos, depois de sofrer um infarto.

Um “brilho” indesejado acabou deixado de lado

O título da novela seria Brilho, a exemplo do de sua revista fictícia. No entanto, a emissora achou melhor mudar devido à identificação que poderia ser feita com a cocaína. A saber, a droga conhecida popularmente também pelo apelido “brilho” na época. Ainda, antes da definição por Novo Amor o título provisório da novela foi Caminhos Cruzados.

Essa foi a única novela de Manoel Carlos para a Rede Manchete e durou apenas dois meses. Era uma proposta do canal de Adolpho Bloch, na intenção de dinamizar as histórias devido a sua curta duração. No entanto, em virtude de altos custos para a manutenção da iniciativa, a substituta Mania de Querer (1986/87), de Sylvan Paezzo, já teve duração convencional: seis meses. A saber, a emissora reprisou Novo Amor em 1987 no Romance da Tarde, seu Vale a Pena Ver de Novo na época.

Beija e Fernanda: dois momentos do empoderamento feminino

Inegavelmente, o sucesso de Dona Beija favoreceu Novo Amor. Embora fossem duas novelas bastante diferentes. Apesar de ambas serem histórias protagonizadas por mulheres independentes e determinadas, Beija era uma figura de mais de 100 anos antes de Fernanda, típica representante da mulher que deveria se posicionar ante o feminismo dos anos 1980.

Facilidade de venda das cotas de patrocínio

Melitta, Philips, Mesbla (antiga cadeia de lojas de departamentos) e Casas Pernambucanas pagaram cada uma Cz$ 6.470.000,00 (seis milhões, quatrocentos e setenta mil cruzados) pelas cotas nacionais de patrocínio da novela. Ainda, só para ilustrar, a rede de supermercados carioca Casas da Banha desembolsou pequena fortuna pelos oito segundos que antecediam os capítulos, o famoso “oferecimento”.

Outro trabalho de Manoel Carlos na TV brasileira antes de voltar à Globo

Posteriormente, o escritor se dedicou à adaptação de O Ídolo de Cedro, romance de Dirceu Borges que ganhou a telinha com o título O Cometa, na Rede Bandeirantes. Uma minissérie, escrita por Maneco e seu filho Ricardo de Almeida a partir do livro, foi exibida pela emissora dos Saad em 1989. Carlos Augusto Strazzer e Luiz Carlos Tourinho interpretaram os personagens principais.

A volta de Manoel Carlos à Rede Globo, de onde saiu em 1983 logo após a morte de Jardel Filho, deixando sua novela Sol de Verão a ser concluída por Lauro César Muniz, ocorreria apenas em 1991. Foi quando o autor desenvolveu Felicidade para o horário das 18h, a partir de elementos da obra do escritor Aníbal Machado. Enquanto ausente da “Vênus Platinada”, o autor escreveu novelas para países como Argentina, Colômbia e Peru. Por Amor estreou em outubro de 1997 e, nesse ínterim, Maneco escreveu História de Amor (1995/96).

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