Oberdan Júnior, que quando criança foi um dos baixinhos-ícone da TV (Divulgação/Adoro Coadjuvantes)
Oberdan Júnior, que quando criança foi um dos baixinhos-ícone da TV (Divulgação/Adoro Coadjuvantes)

Todo 12 de outubro, Dia da Criança, é inevitável. Quem já é adulto se recorda com saudade dos bons momentos da infância. A televisão costuma ter presença marcante nessas lembranças. Os desenhos animados, os programas infantis, as músicas, tudo vem à mente com um sabor especial. E outras crianças fazerem parte das atrações ajuda na nossa identificação com a proposta das atrações e seu universo. Vamos recordar hoje no Observatório da Televisão algumas das crianças que marcaram a TV brasileira.

Rosana e Isabela Garcia

As irmãs são da leva que cresceu na TV e ainda trabalha no veículo. Com toda a certeza, quem tem mais de 40 anos – fora os mais jovens como eu, que puderam ver reprises – se lembra da Narizinho da primeira versão global do Sítio do Picapau Amarelo. Entre 1977 e 1980, Rosana Garcia deu vida à menina de narizinho arrebitado, que com o primo Pedrinho (Júlio César) vivia grandes aventuras no Arraial dos Tucanos. Em 1981, já um pouco crescida, Rosana participou de O Amor É Nosso!, novela das 19h. Conforme cresceu, participou de mais algumas, como Ti-ti-ti (2010/11). Trabalha na teledramaturgia, como preparadora de elenco. No entanto, sua imagem como Narizinho permanece na lembrança.

Isabela, por sua vez, trilhou uma carreira de atriz de sucesso. Desde o Caso Especial Medeia, modernização da tragédia grega de Eurípedes, em 1973, posteriormente passando às novelas e minisséries, tornou-se muito querida do público. Algumas de suas personagens merecem destaque, como a órfã Maria Helena de Água Viva (1980), a espevitada Rosemary de Anos Dourados (1986) e a Ana de Bebê a Bordo (1989/90). Isabela A partir do mês que vem, estará no ar em O Sétimo Guardião, de Aguinaldo Silva, que substituirá Segundo Sol às 21h.

Ferrugem

Luiz Alves Pereira Neto tem hoje 51 anos. Ganhou ainda criança o apelido de Ferrugem por ser ruivo e ter muitas sardas no rosto. O responsável pelo apelido foi Lúcio Mauro, diretor do programa infantil Essa Gente Inocente, na Rede Tupi. Figurando em campanhas publicitárias e em outros programas de TV, especialmente humorísticos, Ferrugem migrou depois para o SBT, Globo e Manchete. Nos anos 2000, conquistou novos admiradores ao participar do programa Piores Clipes do Mundo, na antiga MTV Brasil, com João Gordo.

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Oberdan Júnior

Ator desde criança, e também dublador de voz bastante característica, Oberdan Júnior é muito lembrado pela geração 1980. Teve papéis de destaque em duas novelas de muito sucesso entre 1984 e 1985. Amor Com Amor se Paga, de Ivani Ribeiro, trouxe-o na pele de Zezinho, menino de rua adotado pelo avarento Nonô Corrêa (Ary Fontoura). Já em A Gata Comeu seu personagem foi Xande, filho caçula de Ofélia (Diana Morel) e Martim (Rogério Fróes), líder do Clube dos Curumins. Uma vez que o garoto tirava muito boas notas e era muito inteligente, a mãe sonhava alto em relação a seu futuro. Recentemente participou da série do GNT Lúcia McCartney. Só para ilustrar, é de Oberdan a voz que ouvimos na versão dublada em português do desenho animado As Aventuras de Tintin.

Cecília Dassi

Exibida quatro vezes desde sua estreia em 1997, a novela Por Amor, de Manoel Carlos, tem na menina Sandrinha uma de suas personagens emblemáticas. Filha do segundo casamento do alcoólatra Orestes (Paulo José), com a cabeleireira Lídia (Regina Braga), Sandrinha foi atropelada a certa altura da trama e o acidente comoveu o público. Na sequência, Cecília viveu a entojadinha Patrícia em Suave Veneno (1999), de Aguinaldo Silva. Posteriormente, conforme foi crescendo, começou a ganhar papéis com envolvimentos amorosos, ainda que de acordo com a faixa etária. O Beijo do Vampiro (2002/03) e Alma Gêmea (2005/06) foram algumas das outras novelas que fez. Sua última participação no gênero foi em 2008/09, quando fez Três Irmãs, de Antonio Calmon. Trabalha hoje como psicóloga.

Jonas Torres

Dois personagens marcaram a carreira do ator, ambos nos anos 1980. Zeca, filho da operária Silvana (Lucélia Santos), é muito lembrado pelos telespectadores da novela Vereda Tropical (1984/85). O garoto era disputado pela mãe com o avô paterno Oliva (Walmor Chagas), e encontrou carinho na figura paterna do jogador de futebol Luca (Mário Gomes). Todavia, foi o Bacana da série Armação Ilimitada (1985/88) que o tornou símbolo de sua geração. Com efeito, o personagem foi tão marcante que, em certa medida, atrapalhou a carreira de Jonas, que passou alguns anos aparecendo esporadicamente na TV. Sua novela mais recente, a saber, foi Império (2014/15), de Aguinaldo Silva.

Simony

Cantora e apresentadora de muito sucesso nos anos 1980 e 1990, Simony ingressou no showbiz ainda bem criança. Nascida em 1976, em 1983 passou a apresentar o infantil Balão Mágico na Globo. O programa e o conjunto musical de mesmo nome conviveram numa marcha de sucesso que levou à venda de milhões de discos. Posteriormente, com o fim do programa em 1986 Simony apresentou outras atrações nas TVs Manchete e SBT. A saber, Nave da Fantasia e Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Simony. Após tornar-se adulta, sua vida amorosa gerou sempre diversos comentários e matérias na mídia.

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Luciano Amaral

Desde o final da década de 1980 Luciano marcou presença na TV em comerciais. Em 1991, no entanto, tornou-se bastante conhecido ao protagonizar a série Mundo da Lua. Produzida pela TV Cultura, falava do cotidiano do menino Lucas, de 10 anos, com sua família e amigos. Posteriormente, Luciano foi o Pedro do Castelo Rá-tim-bum (1994) e participou de Razão de Viver (1996), novela do SBT. Em seguida foi um dos apresentadores do programa Turma da Cultura, dedicado aos jovens. Há alguns anos atua como apresentador de programas ligados ao mundo dos games.

Fernanda Souza

Hoje no comando do musical Só Toca Top, exibido aos sábados pela Globo, Fernanda Souza está presente na TV desde criança. Sua primeira incursão foi num episódio da série Retrato de Mulher (1993), com Regina Duarte. Em seguida, participou do infantil X-Tudo na Cultura e da novela Razão de Viver (1996), no SBT. No entanto, foi em 1997 que Fernanda explodiu como ídolo de crianças e adultos na pele de Mili, a órfã protagonista de Chiquititas, também no SBT. Integrou o elenco nos dois primeiros anos e depois ingressou na Globo de vez. Participou de Andando nas Nuvens (1999), Sabor da Paixão (2002/03) e A Regra do Jogo (2015/16), entre outras novelas, além de Malhação entre 1999 e 2002. Principalmente a Mirna de Alma Gêmea (2005/06) e a Carola em O Profeta (2006/07) fizeram grande sucesso.

Patrícia Aires

Uma das nossas primeiras grandes estrelas mirins foi Patrícia Aires. Filha do ator Percy Aires, ela estrelou em 1968, aos 5 anos, a novela A Pequena Órfã, um grande sucesso da época. Exibida pela TV Excelsior, era a história de Toquinho, uma menina abandonada pelos pais que, num orfanato, sofria com os maus tratos de Dona Elza (Riva Nimitz). O dia a dia dos estúdios a deixava muito cansada, prejudicava seus estudos e não fez sua cabeça. Contudo, fez mais algumas novelas até o começo dos anos 1970, quando deixou a carreira. Certamente Patrícia não se arrepende de não ter seguido a carreira artística. Ao menos é o que se depreende de muitas entrevistas que ela concedeu.