Logomarca comemorativa dos 65 anos da RecordTV (Divulgação)
Logomarca comemorativa dos 65 anos da RecordTV (Divulgação)

27 de setembro é uma data especial para a RecordTV. Neste ano de 2018, a emissora completa 65 anos de atividades. Até sua entrada no ar em 1953, havia na praça de São Paulo apenas a TV Tupi (inaugurada em 1950) e a TV Paulista (de 1952).

A emissora foi fundada por Paulo Machado de Carvalho, o histórico “Marechal da Vitória”, ligado à história da Seleção Brasileira em conquistas mundiais. O nome escolhido para a nova emissora de TV, cuja concessão foi obtida em 1950, foi o mesmo de uma das rádios já pertencentes ao empresário: a Record, no ar desde 1931 e a primeira das Emissoras Unidas. Este foi o nome dado ao conjunto de emissoras pertencentes ao grupo, que incluiu também a Pan-Americana (hoje conhecida por Jovem Pan) e a Excelsior.

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Adiamento e primeiros tempos da emissora de televisão

Vicente Leporace
Vicente Leporace (Reprodução)

Inicialmente, a intenção era inaugurar a nova emissora de TV de São Paulo em 7 de setembro de 1953. Além de feriado, o número 7 era tido como cabalístico pelo Marechal. Todavia, equipamentos imprescindíveis para as transmissões não chegaram a tempo e a transmissão inicial acabou adiada em 20 dias. No dia 27 de setembro, às 20h, um espetáculo musical foi apresentado por Blota Jr., Sônia Ribeiro, Hélio Ansaldo e Sandra Amaral, dando início às atividades da nova TV. Estiveram presentes Adoniran Barbosa, Pagano Sobrinho, Randal Juliano, Dorival Caymmi e Inezita Barroso, entre outros. A saber, Inezita foi a primeira cantora contratada pela nova emissora de TV, onde conduziu o programa Vamos Falar de Brasil, que estreou ainda em 1953.

Nicolau Tuma tratava de assuntos da capital paulista no informativo Nossa Cidade. O noticiário O Estado de São Paulo, que teve posteriormente o nome alterado para Record em Notícias, também marcou a trajetória da RecordTV. A década de 1950 também lançou o programa de calouros mirins Grande Gincana Kibon (com Vicente Leporace) e o Grande Show União, que era apresentado por Ansaldo e Sandra. Destaque também para as muitas apresentações de astros internacionais exclusivamente para o público da Record. Entre eles, Nat King Cole, Charles Aznavour, Sammy Davis Jr., Sarah Vaughan, Louis Armstrong e Ella Fitzgerald.

O auge com os musicais, os incêndios e a fase difícil

Na década de 1960, a Record chegou à liderança de audiência em São Paulo. E isso disputando acirradamente com as concorrentes, especialmente a Tupi e a Excelsior. Enquanto isso as novelas tomavam conta da TV brasileira, com mais histórias no ar a cada ano. O Canal 7 não fugiu delas, mas voltou suas atenções para os grandes musicais.

Elizeth Cardoso, Cyro Monteiro, Chico Buarque, Elis Regina, Jair Rodrigues, Gilberto Gil. Maria Bethânia, Gal Costa, Tom Zé, Marília Medalha, Edu Lobo. Roberto e Erasmo Carlos e todo o pessoal da Jovem Guarda. Esses grandes nomes, entre outros, tiveram nos programas da emissora a maior e melhor vitrine para seu trabalho durante aqueles anos de ouro. O Fino da Bossa, Jovem Guarda, Esta Noite se Improvisa, Bossaudade, Astros do Disco e outros apresentavam musicais para todos os gostos. Sem falar em A Família Trapo, humorístico histórico que influenciou produções posteriormente. E marcou a carreira de todos os envolvidos. As noites de sábado não foram mais as mesmas depois que Bronco (Ronaldo Golias), a irmã Helena (Renata Fronzi) e o cunhado Peppino (Otelo Zeloni) chegaram aos telespectadores com suas confusões. Sem falar no sucesso do programa de Hebe Camargo, aos domingos.

Entre os anos 1960 e 1980 as mais diversas instalações da Record sofreram incêndios de maior ou menor monta. Quer os estúdios e o acervo, quer os teatros/auditórios, de tempos em tempos a emissora tinha algo de seu destruído. De prejuízo em prejuízo, surgiram as dificuldades. Jornalismo, transmissões e debates esportivos e, principalmente, séries e filmes enlatados passaram a compor a programação.

Silvio Santos sócio e a venda para Edir Macedo

Edir Macedo
Edir Macedo (Divulgação)

Em 1976, após deixar de apresentar seu programa dominical na Rede Globo, Silvio Santos mudou-se para a Rede Tupi. Na praça de São Paulo passou a exibi-lo também na Record, da qual tornou-se sócio, detendo metade do negócio. Na praça do Rio de Janeiro, com a inauguração de sua TVS, Canal 11, fez dela a parceira local da Tupi na exibição do Programa Silvio Santos.

O acordo feito determinava que a Silvio cabiam os setores financeiro e administrativo. Aos Machado de Carvalho, a parte artística. Essa circunstância, além da concessão de alguns canais da Rede Tupi a Silvio quando da extinção da TV pioneira, em 1980, fez com que se fortalecesse o nascente SBT. Ao passo que a Record permanecia com poder de fogo local e sem poder alçar maiores voos. Anteriormente, a Record já havia encabeçado as Emissoras Unidas e a Rede de Emissoras Independentes (REI). Foram iniciativas de parceria entre emissoras de diversas partes do Brasil, na batalha contra as redes Globo e Tupi.

Todavia, programas como os talk shows de Ferreira Netto (que levava seu nome) e Dina Sfat (“Dina e as Mil e Uma Histórias”, dirigido pelo “Baixo” Fernando Faro) garantiam à emissora a lembrança do espectador. Além dos filmes mais picantes exibidos na sessão Sala Especial, que ia ao ar nas sextas-feiras à noite. Diversas produções do que se convencionou chamar “pornochanchada” foram cartazes da faixa. E também o Perdidos na Noite, atração de auditório comandada por um então desconhecido Fausto Silva.

O temor de uma TV religiosa

Em 1989, a RecordTV foi vendida a Edir Macedo. Começava assim a escalada da emissora numa nova fase, em outras bases. Sendo Macedo líder da Igreja Universal do Reino de Deus, não faltou quem desconfiasse de que a Record se tornaria uma emissora eminentemente religiosa. De fato, atrações com esse cunho passaram a fazer parte da grade, mas em horários periféricos. Ainda é assim, com as madrugadas tomadas por pregações, descarregos e cultos.

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O reerguimento da emissora e a fase “A caminho da liderança”

A partir da década de 1990, com investimentos em alcance de sinal, conquista de afiliadas, contratação de grandes valores e uma programação eminentemente popular, com jornalismo e shows de auditório, a RecordTV conquistou um seguro terceiro lugar na audiência. Ana Maria Braga, Ratinho, Marcelo Costa, Ronnie Von, Renato Barbosa, Raul Gil e Fábio Jr. foram apresentadores de destaque na consolidação da agora rede nacional de TV entre as escolhas recorrentes de um novo público.

Até que, em meados dos anos 2000, a RecordTV decidiu ser mais agressiva não apenas contra o SBT, vice-líder, mas também e principalmente contra a Globo. O slogan adotado pela emissora, “A caminho da liderança”, mostrou que não se estava para brincadeira. Especialmente a teledramaturgia produzida pela Record começou a chamar mais atenção. E, consequentemente, a atingir grande audiência. Até mesmo o primeiro lugar. Novelas como A Escrava Isaura (2004/05), marco da nova fase, Prova de Amor (2005/06), Vidas Opostas (2006/07) e a trilogia dos Mutantes de Tiago Santiago (2007/09) fizeram grande sucesso. Merecem destaque, ainda, trabalhos de Lauro César Muniz como Cidadão Brasileiro (2006) e Poder Paralelo (2009). Nos últimos anos, a teledramaturgia da casa tem focado seus esforços no gênero bíblico. O maior expoente foi Os Dez Mandamentos (2015), cujo protagonista era Moisés (Guilherme Winter).

Os apresentadores e o jornalismo

Marcos Mion, Márcio Garcia, Rodrigo Faro, Ana Hickmann, Eliana, Sabrina Sato, Britto Jr., Roberto Justus, Tom Cavalcante e Geraldo Luís. Alguns dos nomes que estão ou estiveram no ar pela RecordTV com programas de auditório e variedades de repercussão.

O jornalismo policialesco, a exemplo do Cidade Alerta, também ganhou espaço após o sucesso do Aqui Agora no SBT. Na ofensiva contra a Globo, Domingo Espetacular e Esporte Fantástico foram criados para disputar uma mesma parcela do público. Além do matutino Fala Brasil, que influenciou a concorrência com as entradas ao vivo de todo o País.

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