Os Ricos Também Choram
Os Ricos Também Choram (Reprodução)

No dia 5 de abril de 1982, pouco menos de seis meses depois de iniciar suas operações, o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) estreou de uma tacada só duas novelas: às 19h uma produção nacional, Destino, escrita por Raimundo Lopes a partir do original de Marisa Garrido, com Ana Rosa, Flávio Galvão, Tânia Regina e Ricardo Blat nos papéis centrais; e na sequência, às 19h30, a primeira novela estrangeira exibida no Brasil em versão original dublada, Os Ricos Também Choram (Los Ricos Tambien Lloran), de Inés Rodena, produção da Televisa, do México.

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Numa estratégia que vem dessa época e foi utilizada com diversas outras novelas, inicialmente Destino tinha seus capítulos apresentados duas vezes por noite (às 19h e às 20h), mas com o sucesso de Os Ricos Também Choram a atração mexicana também ganhou segundo horário, às 20h30, no segundo mês de exibição. O objetivo do SBT com o expediente da sessão dupla era atingir o espectador que não desejava perder este ou aquele programa de sua preferência na concorrência – especialmente, no caso, a novela das 19h da Globo ou o Jornal Nacional –, dando a ele a chance de ver as novelas da casa naquele que melhor lhe aprouvesse dos dois horários oferecidos.

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A novela foi exibida em seu país de origem entre abril de 1979 e fevereiro de 1980 e contava a história de Mariana Vila Real (Verónica Castro), filha de um fazendeiro. Com a morte de seu pai, Mariana é expulsa da fazenda pela madrasta Irma (Flor Procuna). Na cidade grande, em busca de quem possa ajudá-la a superar as dificuldades de sua vida, Mariana se apaixona por Luís Alberto (Rogelio Guerra), filho de seu benfeitor Alberto (Augusto Benedico), de início sem amor da parte dele, que era noivo da prima Esther (Rocío Banquells). Uma intriga faz com que Mariana e Luís Alberto vivam um momento muito difícil quando a moça, acusada de tê-lo traído, vê-se obrigada a dar em adoção o filho que supostamente seria fruto do adultério. Duas décadas depois, Mariana reencontra o filho, que Luís Alberto acredita inicialmente ser amante de sua esposa. No elenco ainda as presenças de Alicia Rodriguez, Columba Dominguez, Edith González, Miguel Palmer, Guillermo Capetillo e Yolanda Mérida, entre outros. A direção era de Fernando Chacon e Rafael Banquells (que também atuava) e a produção, de Valentin Pimstein. No Brasil, as vozes do elenco eram dubladas por Antonio Moreno, Carlos Campanille, Carlos Seidl, Gessy Fonseca, Isaura Gomes, Ivete Jayme, João de Ângelo, José Soares, Marcelo Gastaldi e Márcia Gomes, entre outros, com direção de Felipe Di Nardo.

Os Ricos Também Choram foi reprisada duas vezes pelo SBT, pouco depois da exibição original, que terminou em janeiro de 1983 com 200 capítulos: durante o segundo semestre de 1983, às 13h (quando chegou a atingir média de 20 pontos de audiência segundo Salathiel Lage, diretor do núcleo de dublagem da TVS, numa entrevista para a TV Cultura); e às 16h, entre 1984 e 1985. Fez grande sucesso o tema de abertura utilizado no Brasil, a música “Sombras”, composição de Mário Lúcio de Freitas em interpretação de Sarah Regina: “Quero encontrar/Um caminho que eu possa chegar/Essa sombra me deixa tão louca/Os teus passos ecoam em mim (…)/ Quero sentir novamente a tua presença/Quero partir firmemente pra te encontrar…”.

A estrela Verónica Castro esteve no Brasil na época e participou de diversas atrações do SBT, como Show de Calouros, Viva a Noite e até do concurso de Miss Brasil, conforme informações do Almanaque SBT 35 Anos (2017). Nos anos seguintes outras novelas com a atriz foram exibidas pela emissora: O Direito de Nascer, em 1983, e Rosa Selvagem, em 1991, também com sucesso.

Em 1995 a Televisa produziu um remake adaptado da mesma história, mas com novo título: Maria do Bairro (María La Del Barrio), com Thalía e Fernando Colunga. Essa versão também foi exibida no Brasil, em 1997, e desde então já ganhou seis reprises. Ainda, em 2005 o título Os Ricos Também Choram foi reaproveitado numa nova novela do SBT, que manteve alguns ingredientes da obra de Inés Rodena, mas ergueu história inédita, com novos elementos desenvolvidos pelos adaptadores Aimar Labaki, Gustavo Reiz e Conchi La Braña com supervisão de Marcos Lazarini.

Apesar da reconstituição de época cuidadosa (a ação fora transferida para São Paulo na década de 1940) e do bom elenco – com Thaís Fersoza, Márcio Kieling, Mika Lins, Ludmila Dayer, Jonas Bloch, Glauce Graieb, Françoise Forton, Felipe Folgosi, Flávia Monteiro, Thierry Figueira e Flávio Galvão, entre outros –, talvez justamente por esperarem um remake fiel da novela que iniciou a trajetória de sucesso das produções mexicanas por aqui alguns telespectadores torceram o nariz. A direção geral foi de Henrique Martins.

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