Elenco da Escolinha do Barulho
Elenco da Escolinha do Barulho (divulgação)

No dia 1º de março de 1999, estreava no horário nobre da Record a Escolinha do Barulho. O humorístico seguia os moldes da clássica Escolinha do Professor Raimundo, da Globo, incluindo aí a participação de diversos “alunos” de Chico Anysio, mas trazia como novidade um “rodízio” de professores, entre eles Luís Carlos Miéle, Dedé Santana e Gil Gomes.

Escolinha do Barulho seguia o formato clássico dos programas humorísticos passados em sala de aula, mostrando um grupo de alunos irreverentes sendo constantemente questionados pelo professor. A diferença era que a cada dia da semana, um professor diferente tocava a aula. No elenco fixo de professores apareciam Miéle, Gil Gomes e Dedé Santana, que normalmente apareciam uma vez por semana cada. Algum tempo depois da estreia, este último recebeu convite para retornar à Globo, e foi substituído por Benvindo Siqueira.

Nos dias restantes da semana, a Escolinha do Barulho recebia professores convidados. Assim, vários artistas da TV, da música e do esporte comandaram as aulas da atração. Em seus anos no ar, a Escolinha do Barulho recebeu nomes como Ana Maria Braga, Adriane Galisteu, Alcione, Beto Carrero, Gugu Liberato, Cátia Fonseca, Eliana, Fábio Jr, Falcão, Gilberto Barros, Ivete Sangalo, João Gordo, Luciano Huck, Leão Lobo, Sonia Abrão, Vanusa, entre muitos outros.

Entre os alunos estavam vários personagens de sucesso da Escolinha do Professor Raimundo, da Globo, como Gaúcho do Bonfa (André Damasceno), Geraldo (Castrinho), Seu Eugênio (César Macedo), Armando Volta (David Pinheiro), Salim Muchiba (João Ellyas), Zé Bonitinho (José Loredo), Samuel Blaustein (Marcos Plonka), Bertoldo Brecha (Mário Tupinambá), Patropi (Orival Pessini), Paulo Cintura (ele mesmo) e Galeão Cumbica (Rony Cócegas). Já entre as “novidades” estavam Tiririca, Zé do Banjo (Geraldo Magela) e Olegário Carnaval (Paulo Silvino), entre outros.

Na Escolinha do Barulho apareciam também personagens criadas especialmente para o programa, caso das moças Marilyn Brasil (Mari Alexandre), a extraterrestre XT (Cida Marques) e a caipirinha Linda Rosa (Adriana Ferrari), que sempre lia suas redações bem-humoradas. Além, claro, da dona Fifi de Assis (Paula Melissa), a mais inteligente da classe. Sempre que ela respondia a uma pergunta correta, repetia “cada vez que eu tiro um dez, eu sinto tanto calor…”, e arrancava uma peça de roupa, para a alegria dos demais alunos. Sua performance era seguida do comentário de Armando Volta: “ela é cruel, muito cruel!”. E, no fim da aula, quando Fifi tirava a saia, o aluno Zé do Banjo, que era deficiente visual, desmaiava.

Escolinha do Barulho era uma produção da Câmera 5 (de Elias Abrão), GGP Produções (de Gugu Liberato) e Cooperativa de Artistas Unidos, com direção de Homero Salles, e nasceu a partir de uma proposta de reunir humoristas veteranos, que estavam fora do ar desde que a Escolinha do Professor Raimundo tinha sido cancelada pela Globo. Por conta do envolvimento de Gugu na produção, cogitou-se que a nova atração seria exibida pelo SBT, mas o programa acabou sendo adquirido pela Record, que a exibia na faixa das 21 horas, batendo de frente com a novela da Globo, Suave Veneno.

A atração não escapou das críticas de Chico Anysio, que deu declarações afirmando se sentir traído pelos seus ex-alunos que toparam a empreitada. Por conta disso, a própria Globo resolveu retomar a sua Escolinha, transformando-a em quadro do Zorra Total, que estreou em abril daquele mesmo ano. Depois de dois anos fazendo parte do humorístico, a Escolinha do Professor Raimundo voltou a ser programa solo, durante o ano de 2001.

Já a Escolinha do Barulho fez muito sucesso na Record, sobretudo em sua primeira temporada. A emissora vinha em busca de um produto forte para concorrer com a novela da Globo desde que perdeu Ratinho para o SBT. Tentou com o Leão Livre, de Gilberto Barros, e chegou a exibir minisséries americanas no horário, até lançar a Escolinha. Como Suave Veneno não ia tão bem assim na Globo, o humorístico conseguiu roubar alguns pontinhos da concorrência.

A atração ficou no ar até 2001. Neste tempo, chegou a ter seu horário alterado, indo ao ar no final da tarde. Em seus momentos finais, tornou-se um programa semanal, exibido nas noites de segunda-feira. Depois, teve episódios reprisados pela Record em 2003. Mais adiante, em 2011, seu formato foi retomado como Escolinha do Gugu, dentro do Programa do Gugu.

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