Tony (Guilherme Fontes) e Cristal (Sandy) em Estrela-Guia
Tony (Guilherme Fontes) e Cristal (Sandy) em Estrela-Guia (divulgação)

No dia 12 de março de 2001, estreava no horário das seis da Globo a novela Estrela-Guia. Escrita por Ana Maria Moretzsohn, a trama foi protagonizada pela cantora Sandy, que vivia a heroína Cristal. Guilherme Fontes dava vida a Tony, par romântico da mocinha.

Em Estrela-Guia, Cristal vivia entre os hippies na comunidade Arco da Aliança, que foi fundada por Bob (Marcos Winter) e Kalinda (Maitê Proença), seus pais, e por Purunam (Nelson Xavier), amigo deles. A comunidade fica na fazenda Jagatah, no interior de Goiás. Quando os pais de Cristal morrem misteriosamente, a jovem vai morar com seu padrinho, Tony (Guilherme Fontes), no Rio de Janeiro.

Tony namora Vanessa (Carolina Ferraz), uma dondoca fútil e mimada, e que não vai dar folga para Cristal. Quando Tony e Cristal percebem que estão apaixonados um pelo outro, muitos obstáculos surgem. Isso porque Tony não se sente bem ao se ver amando a própria afilhada, ao mesmo tempo em que Vanessa se une à Carlota (Rosamaria Murtinho), mãe de Tony, para separá-los.

Cristal também terá outros percalços em sua nova vida. A perua Daphne (Lília Cabral), amiga de Carlota, está de olho nas terras da fazenda Jagatah e, para conseguir seus objetivos, ela usa seu filho Carlos Charles (Rodrigo Santoro) para seduzir Cristal. Além disso, surge na vida da hippie Guilherme (Gabriel Braga Nunes), um produtor musical mau-caráter que planeja fazer de Cristal uma cantora de sucesso. Mas a mocinha conta com o apoio de amigos, como a hippie Sukhi (Fernanda Rodrigues) e Bernardo (Thiago Fragoso), que é apaixonado por ela.

Estrela-Guia surgiu como um experimento da Globo, que queria apostar em novelas mais curtas, com menos de 100 capítulos. Chamada de “novela de verão”, a novela que inaugurou o formato foi Esplendor, também de Ana Maria Moretzsohn, exibida em 2000. No entanto, Esplendor registrou bons índices de audiência e acabou esticada, ultrapassando os 100 capítulos. Já Estrela-Guia também estreou com este formato mais curto, mas não havia qualquer possibilidade de um esticamento em razão do contrato muito bem amarrado da cantora Sandy.

Isso porque Cristal foi escrita para a cantora, que só topou a empreitada ao se cercar de que a novela teria pouco mais de 80 capítulos, para não atrapalhar sua carreira musical e os shows da dupla Sandy & Jr. Outro pedido da cantora foi que seu irmão Junior também tivesse um papel na história, já que os dois eram uma dupla e ela não queria fazer um trabalho como este sozinha. Junior, então, ganhou o personagem Zeca, um menino de origem humilde que ganha a vida fazendo malabares no trânsito do Rio de Janeiro. Assim, na época, os irmãos famosos tinham que se desdobrar para dar conta da novela, do seriado Sandy & Jr, que protagonizavam aos domingos, e os shows da dupla.

Segundo o site Memória Globo, Ana Maria Moretzohn buscou ideias em vários filmes, como Hair (Milos Forman, 1979), Papai Pernilongo (Jean Negulesco, 1955) e Presente de Grego (Charles Shyer, 1987). A fictícia Arco da Aliança foi inspirada na comunidade alternativa Frater Unidade, em Pirenópolis, no interior de Goiás.

Estrela-Guia registrou ótimos índices de audiência nos três meses em que ficou no ar, com média geral de 30,9 pontos no Ibope. A trama foi “ensanduichada” por duas novelas escritas por Walcyr Carrasco: substituiu O Cravo e a Rosa, primeira novela do autor na Globo, e foi substituída por A Padroeira, também do novelista. Foi a primeira novela de Sergio Marone e Graziella Moretto na Globo. Também foi o primeiro trabalho de destaque de Thiago Fragoso.

Com 83 capítulos, Estrela-Guia foi escrita por Ana Maria Moretzohn, com a colaboração de Daisy Chaves, Izabel de Oliveira, Fernando Rebello e Patrícia Moretzsohn. A direção era de Denise Saraceni, Carlos Araújo e Ulysses Cruz, com direção-geral de Denise Saraceni e Carlos Araújo, e núcleo de Denise Saraceni.

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Relembre a abertura de Estrela-Guia, ao som de “Imagine”, com Paulo Ricardo: