Há 48 anos, estreava a clássica Véu de Noiva

Claudio Marzo e Regina Duarte em Véu de Noiva
Claudio Marzo e Regina Duarte em Véu de Noiva (Cedoc/Globo)

No dia 10 de novembro de 1969, estreava na Globo a novela Véu de Noiva. A trama marcou por ser a primeira novela da emissora a adotar tom de realidade no enredo, já que antes seus folhetins abordavam histórias fantasiosas em reinos distantes. Escrita por Janete Clair, Véu de Noiva também marcou a estreia da atriz Regina Duarte na emissora.

Véu de Noiva girava em torno de Andréa (Regina Duarte), que estava de casamento marcado com Luciano (Geraldo Del Rey). No entanto, no dia de seu casamento, Andréa descobre que Luciano está apaixonado por Flor (Myrian Pérsia), sua irmã. Assim, ela desmancha o casamento e foge, passando a evitar todo mundo. Andréa só se recupera quando conhece Marcelo Montserrat (Claudio Marzo), um corredor de automóveis. Mas Marcelo está às voltas com Irene (Betty Faria), uma mulher despojada e irônica.

Enquanto isso, Luciano é misteriosamente assassinado, e Flor descobre que espera um filho dele. Sem coragem para ser uma mãe solteira, a moça entrega seu filho à irmã, que passa a criá-lo. Mas, tempos depois, Flor se casa, e seu marido quer ser pai. É quando ela descobre que não pode mais ter filhos e, assim, decide pedir seu filho de volta à Andréa, que já se considera mãe da criança. Neste momento, as duas iniciam uma verdadeira batalha pela guarda do filho.


Com Véu de Noiva, a Globo dava fim ao seu antigo formato de dramaturgia, comandado por Gloria Magadan e que trazia histórias distantes da realidade brasileira. Influenciada por Beto Rockfeller, da TV Tupi, que imprimiu um tom coloquial até então inédito nas novelas brasileiras, a direção da Globo considerou que já era hora de investir em novelas mais próximas da realidade. Para isso, escalou Janete Clair, que já despontava como uma das melhores novelistas do país, e colocou no ar uma história que se passava no Rio de Janeiro contemporâneo, e que tinha entre seus protagonistas um piloto de carro. Deste modo, a “era Gloria Magadan” chegava ao fim, e começava a “era Janete Clair”.

Por conta disso, a Globo anunciava Véu de Noiva como a “novela verdade”. Além disso, trazia para seu elenco Regina Duarte, então estrela da Excelsior. E Janete Clair começaria a imprimir em seus textos as tramas paralelas, histórias que corriam paralelamente à trama principal e davam sustentação a elas. Hoje obrigatórias em qualquer folhetim televisivo, as tramas paralelas das novelas começavam ali.

A morte de Luciano aconteceu porque o ator Geraldo Del Rey pediu para deixar a produção. Sendo assim, a história investiu no mistério de seu assassinato, começando um “quem matou?”, que hoje também é recorrente nos folhetins. Assim, surgiu o personagem Zé Mário (Paulo José), um fotógrafo que aparecia para desvendar o mistério. O personagem marcou a estreia de Paulo José na Globo. No fim de Véu de Noiva, é revelado que a assassina é Rita (Ana Ariel), mãe de Andréa e Flor, que o matou porque acreditava que Luciano arruinou a vida de suas duas filhas.

Véu de Noiva também promoveu um “crossover” em novelas da Globo. Quando Flor precisa ter certeza de que não pode mais ter filhos, ela vai se consultar com um médico charlatão que Paulo Goulart vivia na novela Verão Vermelho, trama das dez escrita por Dias Gomes, marido de Janete Clair. Assim, a personagem também foi vista às 22 horas. Outra curiosidade: as cenas de tribunal envolvendo a disputa entre Andréa e Flor pelo filho foi feita com uma juíza de verdade, numa simulação de um julgamento real, sem script. Deste modo, nem mesmo a autora Janete Clair sabia com quem ficaria a criança, já que a decisão foi da juíza.

Para escrever Véu de Noiva, Janete Clair se inspirou numa radionovela de sua autoria, Vende-se um Véu de Noiva, escrita para a Rádio Nacional. Anos depois, parte da obra radiofônica de Janete foi vendida para o SBT, que adaptou Vende-se um Véu de Noiva no ano de 2009. Iris Abravanel assinou a adaptação.

Véu de Noiva teve 221 capítulos, escritos por Janete Clair e dirigidos por Daniel Filho.

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