Há 40 anos, estreava a novela Sem Lenço Sem Documento

Ney Latorraca e Bruna Lombardi em Sem Lenço Sem Documento
Ney Latorraca e Bruna Lombardi em Sem Lenço Sem Documento (Cedoc Globo)

No dia 13 de setembro de 1977, estreava no horário das sete da Globo a novela Sem Lenço Sem Documento. Segunda incursão de Mário Prata na teledramaturgia, a trama abordava a relação entre empregadas domésticas e patroas. A ideia era repetir o sucesso de sua primeira novela, Estúpido Cupido, mas não foi bem-sucedido na missão.

Sem Lenço Sem Documento começa quando a pernambucana Rosário (Ana Maria Braga) deixa Olinda e vai para o Rio de Janeiro, onde já vivem suas irmãs Cotinha (Ilva Niño), Das Graças (Isabel Ribeiro) e Dorzinha (Arlete Salles). Determinada, ela logo consegue um emprego na casa de duas irmãs, a escritora com ideias feministas Carla (Bruna Lombardi) e a ingênua modelo Berta (Ana Helena Berenger). No Rio, Rosário ainda se reencontra com Zé Luís (Ricardo Blat), um antigo amor de Olinda. Foi por causa de boatos envolvendo sua relação com ele que a doméstica deixou sua cidade natal, mas o reencontro fará com que ela se envolva novamente com Zé Luís.

Enquanto isso, Marco (Ney Latorraca) é um publicitário que passa por sérios problemas pessoais e profissionais. Ao mesmo tempo em que vive problemas financeiros, vê seu casamento com a jornalista Yara (Cidinha Milan) chegar ao fim. Separado, ele acaba se envolvendo com as irmãs Carla e Berta, e se vê dividido. Marco trabalha com Bilé (Ivan Setta), um apaixonado por causas sociais, e Jacques (Jonas Bloch), que tenta alcançar uma melhor posição na agência envolvendo-se com Lívia (Christiane Torloni), filha de Heleno Duran (Jaime Barcellos), seu chefe.


Com Sem Lenço Sem Documento, o autor Mário Prata não conseguiu a mesma repercussão de Estúpido Cupido, sua novela anterior. Isso porque a trama tinha vários personagens e abordava vários temas, sem protagonismos e sem um fio condutor muito definido. Havia um certo clima intelectual no ar, que contrastava com os problemas domésticos dos personagens. Com muitas tramas paralelas, foi considerada confusa e, por conta disso, na metade da novela houve uma grande passagem de tempo numa tentativa de simplificar a narrativa.

Sem Lenço Sem Documento marcou a estreia da atriz Bruna Lombardi na Globo, vivendo a escritora Carla. A personagem costumava escrever poemas, que, na verdade, eram escritos pela própria atriz. Destaque também para a presença de Ana Maria Braga, que não era a apresentadora do Mais Você, e sim a irmã mais nova da atriz Sonia Braga. Sem Lenço Sem Documento também marcou a estreia de Dennis Carvalho como diretor de novelas.

Outro destaque da trama era a sua abertura, que reproduzia uma fotonovela. Na vinheta, os créditos com o nome do elenco apareciam nos balões de diálogos. O tema de abertura, claro, era “Alegria Alegria”, de Caetano Veloso, música cujo verso “caminhando contra o vento, sem lenço sem documento” serviu para batizar a trama. Mais tarde, a mesma canção seria reaproveitada na abertura da minissérie Anos Rebeldes.

Sem Lenço Sem Documento teve 149 capítulos, substituindo Locomotivas e sendo substituída por Te Contei?. Régis Cardoso assinava a direção ao lado de Dennis Carvalho.

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Reveja a abertura de Sem Lenço Sem Documento: