Há 21 anos, Caça Talentos marcava a estreia de Angélica na Globo

Bela (Angélica), Artur (Eduardo Galvão) e Karina (Claudia Rodrigues) em Caça Talentos
Bela (Angélica), Artur (Eduardo Galvão) e Karina (Claudia Rodrigues) em Caça Talentos (Cedoc/Globo)

No dia 16 de setembro de 1996, entrava no ar a novela infanto-juvenil Caça Talentos, nas manhãs da Rede Globo. A atração compunha a faixa Angélica, exibida pela emissora das 11h ao meio-dia, e que era composta também pelo game show Angel Mix. A estreia de Angel Mix e Caça Talentos marcou a estreia da apresentadora Angélica na Globo e, na trama, ela vivia a fada Bela, vivendo aventuras numa produtora de TV.

Em Caça Talentos, a fada Bela vivia no Mundo Mágico, um lugar povoado por criaturas encantadas, como fadas, duendes e elfos. Mas Bela não era uma fada comum. Na verdade, a loirinha pertencia ao “Mundo Real”, o nosso mundo dos homens, e sobreviveu a um acidente de carro no qual seus pais morreram. Ela foi adotada por duas fadas, Margarida (Marilu Bueno) e Violeta (Bettina Vianny), e levada ao Mundo Mágico. Quando as “fadonas” revelam a verdade à Bela, já adulta, dão a ela a opção de viver um tempo no Mundo Real, para descobrir se ela preferiria viver como humana ou se retornaria ao Mundo Mágico para sempre.

A passagem entre o Mundo Real e o Mundo Mágico está localizada justamente num casarão onde funciona a agência e produtora Caça Talentos. O local está falido, mas continua sendo tocado por Artur Carneiro (Eduardo Galvão), um homem idealista que faz de tudo para manter o legado de seu falecido pai. Para manter a Caça Talentos funcionando, ele conta com a ajuda de amigos e parceiros, que dividem as tarefas da agência: a secretária comilona Karina (Claudia Rodrigues), o segurança Avalanche (Tony Tornado), o palhaço e cantineiro Tremedeira (Antonio Pedro) e Souboy (Igor Lage), o office boy da Caça Talentos, além de Penélope, a Pepê (Paula Sanioto), filha de Artur. Há ainda Silvana Karloff (Helena Fernandes), sócia de Artur, e sua fiel “capacho” Drica (Ana Furtado), recepcionista da agência.


O que Artur não sabe é que Silvana odeia a Caça Talentos, e frequentemente arma planos para sabotar todos os poucos trabalhos que a agência possui. Na verdade, o casarão onde funciona a agência pertenceu também ao seu pai, e a vilã acredita que, se a Caça Talentos falir de vez, ela conseguirá reaver o imóvel. No entanto, quando ela está prestes a concretizar um de seus planos, Bela surge na Caça Talentos. Esperta e com boas ideias, ela ganha a confiança e a simpatia de Artur (além de outros sentimentos…), tornando-se produtora da Caça Talentos.

Mesmo atrapalhada e se metendo em muitas confusões (além de repetir sempre os bordões “por Merlin” e “que Merlin!”), Bela acaba reanimando a Caça Talentos e se tornando uma pedra no sapato de Silvana, que tenta derrotar a fada de todo o jeito. Para isso, ela vive mandando Drica aprontar poucas e boas contra a fadinha. Drica chega até a descobrir que Bela, na verdade, é uma fada, mas como esperteza nunca foi seu forte, ninguém acredita nela. Ao mesmo tempo, Artur e Bela formam uma grande parceria, e a afinidade profissional, aos poucos, se torna amor. No entanto, Bela não pode beijar Artur antes de tomar sua decisão sobre onde quer viver, pois, caso dê um beijo nele, perderá seus poderes, se tornará humana e esquecerá toda a sua vida no Mundo Mágico.

E é neste contexto que se desenvolve a trama de Caça Talentos, normalmente contando histórias que duravam uma semana. As tramas costumavam girar em torno de algum novo trabalho da agência, que era sempre sabotado por Silvana, mas Bela e Artur acabavam salvando o dia, embora nunca tirassem a agência da pindaíba. Além disso, o local estava sempre sendo invadido por seres mágicos, que aprontavam das suas e davam trabalho à fada Bela. No decorrer dos episódios, a Caça Talentos se torna parceira da TV Galáxia, que pertence ao empresário Zeus da Silva (Rogério Cardoso), e passa a produzir os mais variados programas de televisão. Mais adiante, Zeus é substituído por Júpiter da Silva (Rui Rezende), seu irmão.

Em cada história de Caça Talentos, surgiam vários personagens convidados, e muitos atores famosos fizeram participações especiais, como Marcio Garcia, Dercy Gonçalves, Tato Gabus Mendes, Mario Gomes e tantos outros. Bela também contava sempre com um duende como companheiro no Mundo Real, que a ajudava a descobrir como funciona o mundo dos homens. Órion (Eri Johnson) foi o primeiro e, depois, vieram Max (Ernesto Piccolo) e Fred (Luiz Carlos Tourinho). Outro personagem do Mundo Real que sempre dava as caras era o líder dos seres mágicos, o Honorável Kelvin (Emiliano Queiroz). Sempre que seu nome era pronunciado, era necessário fazer uma reverência batendo a mão na testa, o que gerou o bordão “Honorável Kelvin, bate!”.

Caça Talentos foi um grande sucesso, sobretudo em seus primeiros anos, quando registrava altíssimos índices de audiência. No entanto, a trama não conseguiu se livrar de um desgaste natural, que foi agravada com mudanças em sua estrutura narrativa. Na última temporada, por exemplo, Silvana e Drica deixam a trama, sendo substituídas por Bárbara Thompson (Adriana Garambone) e seu irmão Lucio Lobo (David Pinheiro), sendo que este último já era um personagem recorrente da trama. A nova vilã queria dar o golpe do baú, mas escolheu justamente Artur, que não tinha onde cair morto. Assim, ela pretendia casar-se com ele para matá-lo e herdar o casarão da Caça Talentos. Pois é… Então, sem ter mais pra onde correr, Caça Talentos foi encerrada no dia 20 de novembro de 1998.

No último capítulo, após salvar Artur de ser morto por Bárbara, Bela acaba revelando que é uma fada e decide retornar ao Mundo Mágico. Havia a ideia de fazer uma continuação da trama, uma espécie de “As Aventuras da Fada Bela”, mas o plano não foi adiante.

Caça Talentos foi criada por Boninho, com os autores Ronaldo Santos e Patrícia Moretzoshn, e foi escrita também por Mauro Wilson, Gilberto Loureiro e Denise Bandeira, com a colaboração de Mariana Mesquita, Péricles Barros, Bernardo Guilherme, Márcio Wilson, Duba e Flávia Lins e Silva. Seus diretores foram Carlos Magalhães e Roberto Vaz.

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