Lucy Alves, de Amor de Mãe
Lucy Alves, de Amor de Mãe (Reprodução)

Lucy Alves volta ao horário nobre como protagonista de Amor de Mãe, nova novela das 21h. Ela faz a personagem Lurdes, ainda jovem. A história dela é a de uma mulher sofrida, que passa a procurar o filho que foi vendido pelo pai. O papel traz uma alta carga dramática e exige muito tanto de Lucy, quanto de Regina Casé, que faz a personagem na segunda fase.

Em entrevista ao Observatório da Televisão, a atriz conta como foi a troca de informações com Casé, fala da expectativa para a superprodução e, ainda, revela como é a relação com sua mãe, a dona Maria José. Confira abaixo.

Como é o trabalho com a Regina Casé?

É engraçado que a gente se encontrou muito pouco, a gente se encontrou duas vezes. Mas rolou uma sinergia, a gente se escutou, a gente leu o texto juntas. Foi engraçado, quando eu gravei, as pessoas “Lucy, mas você está parecendo Regina, você está falando como Regina”. Mas eu acho também que foi toda a energia criada, todo o trabalho que eles fizeram com a gente, muito cuidadoso. Eu estou muito feliz, sabe? Orgulhosa de poder contar essa história. Estou bem orgulhosa com meu trabalho, com a troca com a equipe. E Regina está mandando ver, só ela, a Taís [Araújo], a Adriana [Esteves], um elenco assim de mulheres excepcionais e a gente vai contar essa história com muita felicidade no coração.

Densidade

É uma personagem bem densa, né?

Eu diria que é uma mulher muito forte, inabalável, é uma mãe brasileira. Ela vem de condições, diria até, miseráveis, mas sempre mantendo a dignidade e é aquela mãe capaz de matar e morrer pelas tuas crias. Os filhos para ela são tudo, então, ela dá tudo que ela tem e não tem para criar esses filhos, todo esse suporte.

É uma participação, mas a gente percebe pela chamada, com aquela música maravilhosa da [Maria] Bethania, a gente vê que você veio, realmente, para ficar, você não está de brincadeira, não, está no jogo.

É, minha energia está lá. Mas é isso, a Regina vai seguir magistralmente, dando vida a Lurdes, mas eu estou muito feliz, foi curto, mas foi muito intenso, de muito aprendizado, estou muito feliz. É uma história que as pessoas precisam ver e ouvir, é necessário.

Lurdes (Regina Casé) de Amor de Mãe
Lurdes (Regina Casé) de Amor de Mãe (Divulgação/TV Globo)

Lucy, como foi essa troca com a Regina? Vocês devem ter batido uma bola para ela seguir…

Foi muito breve, mas foi muito especial. Porque a gente… Foi rápido, mas a gente se escutou bastante e, quando eu gravei, as pessoas falaram “nossa, mas está parecendo a Regina”. Eu “como assim?”. Mas acho que é a sinergia, a coisa do trabalho, está todo mundo muito junto, muito dentro da história.

Possível retorno

Como ela está em flashback, será quem tem possibilidade dela voltar até o final da novela?

Who knows? [Quem sabe? Em português] Quem sabe, né? Ela está lá, a energia, essas memórias, eu acho que vão ficar permeando a novela.

Você se inspirou em alguns outros trabalhos? Porque a gente ainda não leu muita coisa. Mas a gente que viu as chamadas, a gente vê muito de Senhora do Destino, a gente tem muito de já vu  de outras séries, uma séries americana. Você se inspirou em alguma coisa ou foi só no texto da Manuela Dias?

Eu acho que é uma novela que traz muita realidade, né? São histórias que se aproximam muito do cotidiano, né? Não tem uma coisa inventada. E eu acho que eu trouxe a minha bagagem, mais uma vez, de uma mulher nordestina, sim. Eu tenho essas vivências, assim como eu tive a oportunidade de viver Luzia, que foi uma personagem muito intensa, que provocou, realmente, transformações.

A Lurdes também me trouxe um outro tipo de mulher, uma mãe num outro lugar, né? Com essa preocupação com os filhos, que a Luzia não tinha, ela era mãe, mas ela não tinha essa dedicação, essa energia que a Lurdes tem com os filhos. Então, é isso, a minha bagagem é nordestina, das minhas ancestrais, das minhas avós, bisa.

Impacto no público

Lucy, quais são as características que você acredita que o público, a mulher brasileira vai se identificar assistindo a Lurdes, na primeira fase?

Acho que é aquela mulher que não se deixa abalar por nada, está sempre imaginando que o melhor está por vir. Ela acredita no amanhã, independente de tudo. Não sabe de onde veio, mas vai ter, Deus vai prover, tem essa religiosidade sempre muito presente. Então, são mulheres de muita fibra, muita garra, guerreiras.

Na chamada, a gente vê que você está muito comovida. De onde você tirou essa força, essa dor, mesmo não sendo mãe?

Pois é. Eu não sou mãe, mas eu venho de um ceio familiar muito forte. Minha família é muito matriarcal. Fui criada pela avó, mãe, meu pai está ali, mas muitas mulheres, muitas mulheres. Eu acho que eu trago a bagagem emotiva, memórias, saudades, perdas. A minha avó que se foi. Na hora, eu estou vivendo lá, na hora, eu sou Lurdes, então, eu me deixo muito, eu sai cansada do set porque eu me emociono de verdade. Por isso que eu acho que ficou tão real.

Fale um pouquinho da sua relação com a sua mãe, o nome dela.

Dona Maria José. Inclusive, ela veio me visitar, estou de mudança no Rio de Janeiro. Mainha… Ela veio, está na minha casa e é sempre um aconchego, realmente, minha mãe é tudo, assim. Eu tenho um pai que é muito presente, mas a minha mãe é o esteio da família. Ela é a força, a rocha, presente em tudo, trocamos sobre tudo. Ela é muito especial. Mora na Paraíba, João Pessoa, vive lá, mas, todos os dias, religiosamente, a gente se fala pelo telefone, faz uma chamada de vídeo, é uma mulher muito presente, muito forte.

*Entrevista concedida ao jornalista André Romano

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