Eduardo Sterblitch como Zeca em Éramos Seis
Eduardo Sterblitch como Zeca em Éramos Seis (Divulgação/TV Globo).

Estreante nas novelas, Eduardo Sterblitch está sendo elogiado por seu trabalho no remake da TV Globo de Éramos Seis. Na pele do bem humorado Zeca, o ator está empolgado com o futuro do personagem, além de estar se dando super bem com Maria Eduarda de Carvalho (Olga).

Em entrevista ao Observatório da Televisão, Sterblitch falou sobre como está sendo o trabalho, o que o público pode esperar para a segunda fase do folhetim e também revelou detalhes de como o novo trabalho está sendo importante para sua carreira. Confira:

Como é que está sendo para você fazer Éramos Seis?

“Eu estou feliz que estão curtindo, mas eu ainda estou mais tenso, prestando atenção e atento, do que curtindo. Eu estou curtindo, mas na balança eu estou curtindo menos do que estou aflito. Mas eu acho que quando chegar na balança de estar mais curtindo do que aflito, vai ficar tudo certo. O resultado que eu vejo das pessoas falando, por enquanto, está me ajudando a ficar confiante para entregar o melhor possível.”

Canto

O legal é que você também canta, né?

“O Osmar (Prado) na versão de 1994 também cantava e quando eu vi alguns vídeos, eu fiquei com um nervoso absurdo. Porque ele fazia muito bem e cantava também muito bem. Eu sou mais um bufão. No Rei Leão eu seria o Timão ou o Pumba, eu nunca seria o Aladdin, seria sempre o amigo esquisito do Aladdin.

O Osmar é um grande cantor, artista e trabalha muito bem, fica lindo do jeito que ele canta. Eu dou uma enganada e como a novela é muito linda e eles colocam uma música, fazem uma cena e aí todos acham que eu sou ótimo.”

Mas o Popstar te ajudou bastante, não?

“O Popstar me ensinou bastante, eu só consigo ter cara de pau e me aceitar cantando assim, porque no Popstar eu fui obrigado a fazer isso.”

Como foi construir o Zeca?

“Meu pai me falou esses dias que está adorando o personagem, porque ele é ótimo, uma pessoa maravilhosa e completamente diferente de mim (risos). Eu sou bem mais quietinho. Eu conheço algumas pessoas que são iguais ao Zeca, que adoram servir ao outro e que estão sempre de prontidão.

Ele não tem mais uma família, os pais dele já morreram e eu meio que pego a família da Lola para ser minha família. Eu realizo o sonho de conseguir casar com a Olga e ter uma família, até onde eu li eles casam e até então está dando certo.”

Segunda fase

E como vai ser essa segunda fase para você?

“A gente começou a pouco tempo, eu não gravo tanto, mas gravo bem. A Glorinha grava trinta cenas por dia, o meu máximo são 15 ou 18 e eu já fico querendo desistir (risos). É muito difícil para mim ouvir: ‘Tá bom, cena’. E eu com vários dilemas, mas o Pânico também me ajudou muito nessa coisa de desapegar e ir para frente.

Mas eu sei que a gente tem filhos, a gente começa com quatro filhos e eu não sei o que vai acontecer. Eu não sei se alguém falou para me sacanear, mas disseram que eles terão mais filhos. Eu estou torcendo para que seja esse casal que tenha muitos filhos. Hoje em dia ninguém quer ter filhos mais e daqui a pouco seremos um país de velhinhos.”

E como está sendo a troca com a Maria Eduarda?

“Eu fiz Shippados com a Tata (Werneck), que é minha amiga de teatro das antigas e a Tata conhece muito a Duda (Maria Eduarda). Eu perguntei se eu faria novela, para ela e outros amigos. ‘Será que vai dar certo, será que as pessoas vão odiar?’, ainda não estão odiando, mas é possível. A Tata me perguntou com quem que era e eu falei a galera da direção, o elenco que também é esquisitissimamente maravilhoso, só tem eu sobrando (risos).

E aí a Tata me falou que a Duda é maravilhosa, uma atriz absurda, muito boa e eu não a conhecia muito bem, porque a gente que faz televisão não vê praticamente nada. Começamos e entendemos que a gente gosta de inventar e se apropriar do personagem. Esses dias um diretor falou: ‘Vocês só precisam entender que acabou a cena’ (risos), porque a gente continua falando e isso é bom, porque é melhor sobrar do que faltar. Está sobrando afinidade, está sobrando afeto e isso é muito legal. Com as crianças também e eu estou muito feliz, acho que sou sortudo.”

Filhos

Você pensa em ser essa pessoa que tem muitos filhos?

“Eu não penso nisso, mas como eu casei há uns quatro anos e toda a galera está tendo filhos… a Tata acabou de ter filho e aí você começa a ver todo mundo e entender: ‘Opa, acho que é para eu ter filho…’ (risos). Você fica meio numa pressão da sociedade, não entende e começa a jogar um verde para a sua mulher, ver se ela também quer.”

Mas vocês querem ter filhos?

“Sim, super queremos ter, mas a gente não pensa nisso, porque não é um objetivo. A gente sabe que vai acontecer, é uma coisa natural… Se a gente puder ter filhos vai acontecer e se a gente vai ter um, dois ou cinco, se vamos adotar uns cinco e vamos ter um… Eu não sei, eu tento deixar o universo definir um pouco. Toda vez que eu tento definir, vem o universo e me dá uma rasteirinha.”

Você está sendo bastante elogiado, não só pelo público. Como está sendo isso para você?

“Eu acho que o público está se rendendo, acho que eles me fecharam em uma caixinha e eu acho natural, porque a graça do artista é sair da caixinha. A ideia é propor uma dinâmica diferente, eu gosto dos artistas que fazem isso e talvez por isso eu queira fazer isso, só não sei se eu sei fazer.”

Sotaque

Você não acha que ele tem o sotaque pesado na novela?

“É porque ele é o único que a autora diz que é caipira. Eu fui para Itapetininga e conheci as pessoas lá, que nem tem sotaque, mas eles falam algumas coisa no diminutivo. Os jovens de hoje não tem sotaque, mas quando você vai para uma fazenda, umas fronteira e bem numa área rural, você percebe que os mais velhos falam com mais sotaque.

Eu deixei à vontade para compor o meu Zeca, porque o Osmar me falou assim: ‘Deixa o seu Zeca aparecer, cola na Duda, fiquem juntos, almocem juntos, tomem café juntos para vocês terem essa coisa de entrosamento e deixa o seu Zeca aparecer’. Foi nesse momento que eu me senti abençoado. Sobre a coisa do drama, eu nunca tinha feito comédia antes do Pânico, não que eu seja um ator de drama.

Eu nunca tinha feito comédia antes do Desnecessário, que me apresentou ao Pânico, tanto que meu personagem era um sem graça, porque ele não entendia o porque as pessoas estavam rindo. Quando rolou o Pânico e como foi um fenômeno, quando eu sai do Pânico eu quis mostrar que eu sabia fazer de tudo.”

Como está sendo as cenas com a Susana Vieira?

“Eu sou fã da Susana Vieira, quem não entende que ela é uma diva, não consegue entender a Susana Vieira. Ela é maravilhosa, ela faz isso aqui há muito tempo e ela tem um amor por fazer isso aqui que é impressionante a energia dela trabalhando. A gente fica vendo muito a figura, a celebridade Susana Vieira e acaba não levando em consideração a artista que é muito maior.”

O Zeca dá uma leveza naquele ambiente com a Justina, né?

“Eu acho que Itapetininga vai ser meio como um spa energético para a Justina, não só para ela, mas para a família. As cenas ficam muito mais românticas, sair da cidade e ir para o interior e o Zeca é meio que a energia do interior, que não se preocupam em ser melhor ou mais rico.”

Passado

Você chegou a sofrer um pouco de bullying do elenco por ter vindo do Pânico e por eles já terem sofrido muito com você?

“Eu sou muito atento, mas também sou muito desligado, eu acho que pode ter acontecido. O Pânico era muito presente na vida da galera da Globo, mas eu nunca gostei de por exemplo, fazer festas. Tanto que quando eu fazia o prateado, eu só fazia com segurança, manobrista e o meu show era com quem estava do lado de fora.

O Carioca ficava entrevistando os artistas e falava: ‘Pô, a Taís Araújo não quer falar comigo…’. Mas meu… ela estava entrando, porque eu ficaria chamando ela? Eu nunca fui essa pessoa de pegar muito com os artistas, eu fui mais de pensar personagens, de fazer coisa no estúdio, de criar quadros novos.

Aqui não senti preconceito, porque eu acho que a pessoa que vem do tablado, que faz teatro desde os três anos e veio do Pânico, eu acho que é casca grossa também. Então por pior que eu seja, tem que respeitar, porque eu aprendi fazer televisão na porrada, sangrando.”

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano.

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