Rock (Caio Castro), de A Dona do Pedaço
Rock (Caio Castro), de A Dona do Pedaço (Divulgação/Globo)

O ator Caio Castro é hoje um dos mais famosos do país e isso se deve muito ao personagem Rock, de A Dona do Pedaço. O rapaz concedeu entrevista ao Observatório da Televisão e concluiu que nunca trabalhou tanto em uma novela. Apesar de não ser protagonista, transitou sobre o núcleo central.

Além disso, ele conta detalhes, como a sua preparação para o personagem, que é boxeador, e revela que gosta de ser uma pessoa reservada, quando se trata de sua vida pessoal. Confira a entrevista completa na sequência.

Como é que foi todo o processo dessa novela? Curtiu bastante? Teve cenas maravilhosas para você?

Ah, eu estou muito cansado, final de novela todo mundo já dando o gás final, assim. Foi uma novela muito interessante de fazer. Foi uma novela que eu também me envolvi em outras histórias, como nenhuma outra antes. Resolvi muito o problema dos outros, resolvi muita história que não era minha diretamente.

Isso, consequentemente, me rendeu muitos dias de gravação. Então, eu acho que eu nunca trabalhei tanto numa novela, eu nunca fiz tanta frente dupla, frente tripla, como hoje. Também não esperava que meu personagem tomasse esse tamanho todo, né? Mas tirando o cansaço, tirando hoje, em específico, que é final da semana, que eu estou com a energia baixa. Mas estou contente, sim, sem dúvida.

Repercussão da personagem

E o que você mais ouviu durante o seu trabalho? O que você ouviu de bom?

“Vai ficar com o Agno, né?”. Escutava bastante isso. O público pediu bastante para ter alguma coisa entre o Rock e o Agno. Muita negativa também com a Fabiana. “É, você não tem que ficar com a Fabiana”. Então, era para não ficar com a Fabiana, para ficar com o Agno.

Aí quando apareceu a Joana… Acho que agora todo mundo torcendo. E acho que é um final que ele merece. Ele é um personagem muito bom, um cara muito legal. Acho que ele merece uma família, um final feliz, como um bom final de novela.

Esse encontro com a Joana foi bom, né? Eu acho que ele merecia.

Também acho que ele merece. E adicionando também que a Bruna [Hamú] é uma baita artista, uma excelente companheira de trabalho, então, as coisas ficaram muito encaixadas. Ele merece esse final, sim.

Após a novela

Depois da novela, o que você vai fazer? Tira umas férias… Para onde você vai? Porque você é viageiro, você gosta de viajar.

Se eu falaria hoje, eu acho que eu pegaria uma semana em casa sem fazer nada, que eu estou até com preguiça de viajar. Mas eu tenho um negócio em São Paulo e, hoje, me encontro em uma divisão bem grande, um divisor de águas na minha empresa, e que precisa da minha dedicação.

Então, também estou um pouco ansioso para voltar para São Paulo para tocar esses negócios. Férias mesmo para descansar, para não fazer nada, eu não estou pensando para esse final de ano, não. Estou pensando em resolver algumas coisas antes. De repente, depois do carnaval, para março.

Por mais que eu esteja hoje, acho que dá para perceber um pouco na minha voz, que eu estou com a energia já bem cansadinha mesmo, mas eu não estou cansado mentalmente. Eu estou levando bem. Hoje mesmo que eu estou cansado, mas, no geral, não estou precisando de férias, não.

Mas ninguém te envolveu em algum projeto, não, né?

Não, não, não. Por enquanto, não.

A história de Rock

Caio, a gente percebe que esse personagem te marcou tanto que você até tatuou ele na mão. Eu queria saber em relação ao público, porque a gente vê que o Rock é o nítido brasileiro, que leva na cabeça, mas sempre levanta e segue na frente, sempre atrás do patrocínio. Mas, agora, não. Agora ele, realmente, descobriu a luz. Queria saber para você, como é representar esse cara.

Literalmente, batendo perna. Ele foi e ele insistiu. É engraçado que eu não tive muitas cenas mostrando a história dele, como é, na verdade, nua e crua, assim. É até triste, mas sei lá… É tão a realidade da maioria das pessoas hoje, foi uma realidade para mim também, acho que podia ter tido um pouquinho mais, assim, da batalha dele diária.

Mas acho também que não é muito uma linguagem televisiva, não é muito uma linguagem de folhetim. Mas podia ter uma abordagem um pouco mais incisiva nesse sentindo.

Os perrengues

Mas você construiu essa abordagem para mostrar esse Rock, né? Para você, ele passou por todos esses perrengues, na sua construção?

Ah, passou. O que eu digo assim… teve cenas que mostraram isso, mas de uma forma rasa. Então, você subentendia que passava, realmente, por dificuldades, a questão dele de pedir o patrocínio, incansáveis vezes. No começo da novela, eu até comentei uma outra vez que “ah, vamos ver de que maneira eu vou pedir o patrocínio essa semana”. Esse era o mote do Rock.

Mas acho que ele é uma personagem muito real, muito vivo. Como eu disse, minha realidade, no começo, era assim também, de luta e tal. Não pedia um patrocínio, mas era na batalha.

Na vida real, você é fã de luta, MMA, luta de boxe, você acompanha?

Eu sou faixa preta em judô. Tenho uma relação com arte marcial desde pequeno. Na medida do possível, também pratico jiu-jitsu, sou graduado em faixa azul. O boxe, eu nunca tive um contato direto, nunca lutei boxe, a novela que me deu a oportunidade de eu ter mais contato…

Boxe em Las Vegas

Mas, assim, assistir, acompanhar no ringue…

Eu vou chegar lá. Eu tive esse contato e aí, a partir daí, eu comecei a assistir muito boxe. Mas eu gostei, gosto de MMA, fui bastante em luta de UFC, aqui, Brasil e até fora. Vi uma luta de boxe, também, clássica assim…

Como manda o figurino, fui de terno, fui de gravata, fui vestido do jeito que tinha que ser, foi em Las Vegas, uma luta do [Floyd] Mayweather com o [Conor] McGregor. Não vi Mike Tyson lutar, infelizmente, mas pude conhecer ele também.

E fez parte da minha preparação para o Rock. Eu acho que o mundo do boxe, ele se tornou mais presente, obviamente, por uma necessidade também de construção de personagem.

Caio, estar no ar em uma novela das nove deixa a vida de um ator mais exposta. Aconteceu há pouco tempo com você, no Rock in Rio, você com a Grazi [Massafera], virou manchete de jornais. Queria saber se isso te incomoda. Você entende o interesse das pessoas pela sua vida pessoal. Isso te incomoda, você entende, como você lida com isso?

Eu acho que depois que você faz uma novela das nove, obviamente que uma novela das nove te causa uma exposição muito maior. Mas não que minha vida fique mais exposta, mas, sim, o interesse, a curiosidade das pessoas ficam um pouco maiores.

A pessoa de expor a minha vida pessoal continua da mesma maneira. Eu sou um cara um pouco mais reservado. Não gosto muito de… E acho que nem tenho que ficar falando da minha vida, das minhas coisas. Mesmo porque não é minha vida que é pública, mas, sim, meu trabalho.

Então, eu acho que o interesse um pouco muda, sim. Realmente, todo mundo quer saber o que está acontecendo, o que estou fazendo fora do meu trabalho. Mas acho que é uma coisa que cabe única e exclusivamente a mim.

Cara reservado

Mas você sempre teve essa postura, desde que começou ou foi notando com o tempo, começando se filtrar mais, a se cuidar mais ou não dar bola mesmo?

Eu sempre fui um cara reservado. A partir do momento que eu comecei a fazer novela… são quase 15 pessoas, aqui, perguntando sobre o meu respeito, né? Então, eu tive um pouco mais de malandragem também, de ter maturidade de saber responder, às vezes, uma pergunta despretensiosa, com uma resposta curta, ela poderia vir contra mim. Acredito que não é o caso de vocês, aqui, mas tem gente que faz de tudo por um clique, por um acesso na matéria sensacionalista e não pensa no outro lado.

Simplesmente, está pensando e visando o seu lucro, única e exclusivamente. E não importa como a pessoa vai sair dali sendo vista, mesmo que não tenha sido dita alguma coisa, a intenção é que seja dita para que seja vendida essa matéria e tudo mais. Então, eu aprendi com o tempo… Óbvio, mantive a minha característica de ser um cara mais reservado, mas também comecei, infelizmente, a ter uma malandragem para esse tipo de gente.

Pão-duro

Caio, você falou que, no início, você se virava nos 30, andava de trem e tal. E hoje em dia, você é o rei da publicidade no Instagram, na publicidade em geral. Eu queria saber como você lida com o dinheiro, porque nós vivemos num país muito desigual, tem gente que ganha muito menos do que um salário mínimo. Eu sei que não é problema seu, mas como você lida com isso? Você compra um tênis de mil dólares, você esbanja? Você é pão-duro?

Eu não sou pão-duro, mas eu também não sou muito gastão, não.

Com o que você gasta, em que você coloca dinheiro? “Vou comprar com vontade”.

Cara, eu sou muito apaixonado por automobilismo, eu gosto muito de velocidade, eu gosto muito de carro, de motor e tudo mais. Eu acho que é uma das únicas coisas que eu não tenho dó de gastar é com carro e tudo mais.

Paixão por carros

Você se lembra de alguma coisa que comprou assim “estou ciente de que isso aqui é supérfluo, mas vou gastar e pronto”?

Acho que um carro, um carro de luxo esportivo é um supérfluo, eu não preciso daquilo, eu posso ter outro carro, muito mais barato e tal. Só que é uma questão de gosto, uma questão de eu gostar muito, assim.

Desde criança, eu lembro que a minha mãe comprava carrinho para mim e tudo mais. E aí, depois de anos e anos, eu comprei um carro há um tempo atrás e eu tinha essa miniatura quando eu era criança. Aí, nem lembrava disso. Minha trouxe e falou assim “olha como as coisas são, há quase 30 anos atrás, o seu brinquedo era esse aqui”. Ela veio com o carrinho e tudo. “Hoje você tem um carro desse”.

Caio, o Rock é todo romântico, né? Ele encontrou a Joana, tudo… Você tem isso dele também, esse lado romântico?

Eu tenho, acho que não só eu, acho que as pessoas, elas têm várias possibilidades dentro de si. Aí depende de como a outra pessoa vai tirar isso, né? Depende de qual é o estímulo, né?

Lado romântico

Você tem esse lado fofo dele, assim?

É o que eu estou dizendo, se todo mundo tem um lado fofo, um lado romântico, todo mundo tem um lado um pouco mais agressivo, um pouco mais seco. Depende do que a outra pessoa te atrai, te tira. O Rock não era nada romântico com a Fabiana, muito pelo contrário, ele era na dele, ele era muito seguro, ele dominava ali a situação.

E com a Joana é totalmente diferente, ele se sente frágil, ele se sente inseguro, ele se sente em um ambiente em que parece que ele nunca teve uma mulher de verdade. Então, ele fica numa segunda, ele tenta conquistar, ele tem o lado romântico. É isso que ela extrai dele, o que a Fabiana não fazia.

*Entrevista concedida ao jornalista André Romano

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