Vladimir Brichta na coletiva da novela Amor de Mãe (AgNews)
Vladimir Brichta na coletiva da novela Amor de Mãe (AgNews)

Após ter voltado às novelas no ano passado, como o Remy de Segundo Sol, Vladimir Brichta parece ter pegado gosto mais do que nunca pelo gênero. Um dos protagonistas de Amor de Mãe, substituta de A Dona do Pedaço na Globo, ele se prepara para viver o ativista ambiental Davi na trama de Manuela Dias.

O galã espera que a luta do personagem, defensor ferrenho da baía de Guanabara, possa chamar a atenção da audiência para essa importante questão ambiental. “Eu fico absolutamente envolvido com essa história. Preciso antes de tudo, como ator, tornar esse personagem não só crível, mas criar empatia para que as pessoas olhem e comprem o ‘barulho’ dele. A partir daí sim, a gente consegue fazer essas coisas reverberarem de uma forma que a sociedade abrace e coloque em prática“, torce.

Confira a entrevista completa.

OBSERVATÓRIO DA TELEVISÃO – A luta pela baía de Guanabara é algo marcante no seu personagem. Você acredita que, assim como Bom Sucesso, na faixa das 7, tem ajudado a despertar o interesse pela leitura, esta abordagem através do Davi possa abrir os olhos para a importância da causa que ele defende?

VLADIMIR BRICHTA – Espero muito por isso. A novela tem esse poder. A novela repete muito os assuntos e, no entanto, repetir determinados assuntos é um benefício à sociedade. A questão da literatura, como você falou, olha que coisa maravilhosa! As pessoas se interessarem por ler, nos tempos de hoje, por causa de uma novela. Antigamente se dizia que a televisão ia afastar as pessoas do livro. E agora vemos isso, é bacana demais! Eu me lembro que, em Segundo Sol, a Adriana resolveu que a personagem dela leria muito, estaria sempre com um algum livro diferente. Ela combinava sempre algo assim com o pessoal da direção de arte, levantou vários livros [para esse intuito], principalmente literatura baiana. Nesse caso, sobre a baía de Guanabara, existe um consenso de que ela está poluída e todos merecemos que ela seja devidamente limpa. Eu fico absolutamente envolvido com essa história. O que eu puder fazer, para além do meu personagem, que eu pretendo que cause empatia… Porque a primeira coisa que eu preciso fazer, antes de ir até a baía de Guanabara e começar a tirar lixo – coisa que aliás já cheguei a fazer em cena -, eu preciso antes de tudo, como ator, tornar esse personagem não só crível, mas criar empatia para que as pessoas olhem e comprem o ‘barulho’ dele. A partir daí sim, a gente consegue fazer essas coisas reverberarem de uma forma que a sociedade abrace e coloque em prática.

Você tem estudado a respeito da baía de Guanabara e de quais seriam as melhores opções, do ponto de vista ambiental, para as questões que a envolvem?

Eu já tinha lido até algumas coisas antes [da preparação para a novela]. Mas, honestamente, a solução eu não sei. Eu sei de coisas que foram feitas, projetos que haviam prometido, na época das Olimpíadas, limpar o local. Havia, se não me engano, um ciclo de seis a oito anos para limparem. Teve dinheiro estrangeiro, talvez até dinheiro nacional, acho que até o Japão doou dinheiro, tudo por causa dos esportes náuticos que seriam feitos ali. E as pessoas se apavoraram, viram que não estava surtindo efeito, que não estava nada sendo feito – ou quase nada -, e criou-se uma solução ridícula de jogar um monte de produto químico na baía de Guanabara, que fez com que baixasse a poeira, a fuligem, e matou um monte de peixes junto. A água ficou translúcida – limpa jamais! Conseguiram praticar os esportes, foi um paliativo… Mas, se você pensar no que as Olimpíadas poderiam deixar de legado ambiental, foi zero! Isso a gente sabe e é um negócio de cortar o coração.

Você acha que seria interessante uma mobilização como a que está acontecendo no Nordeste, contra o derramamento de óleo nas praias?

Sim. A população de lá está dando show, está dando exemplo! Mas é muito triste. É lamentável a postura do governo, que demorou 40 dias até mandar a força nacional pra ajudar, enfim… Aí a população deu um belo de um exemplo e foi lá dizer: ‘cara, isso aqui é a minha vida! É o peixe que eu consumo, que eu vendo, é minha barraca de praia onde eu exploro o turismo…’ Deram um baite de um exemplo, que ao mesmo que é lindo, é lamentável ter que chegar nesse ponto. A gente foi fazer uma cena onde juntamos o elenco, a figuração, etc. e tal, pra limpar uma das praias. E ai foi exatamente o que eu estava falando: a gente foi limpando a praia, depois começamos a limpar o próprio lixo que estava na praia, prestamos até um benefício à praia… E tudo isso aconteceu de forma rápida, num espaço pequeno de tempo. Isso prova como a união faz a força – e a diferença – em casos assim.

(entrevista realizada pelo jornalista André Romano)

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