Vencedora do concurso Garota do Fantástico, em 1987, e colecionando personagens marcantes nas novelas, como a Islene, de América, em 2005, Paula Burlamaqui é, sem dúvidas, uma das atrizes mais belas do Brasil.

Aos 52 anos de idade, a atriz que sempre foi uma sex symbol para a sua geração, emplaca Dra. Letícia, médica em Órfãos da Terra, que atualmente se relaciona com um rapaz muito mais jovem na história e encara a aceitação do público sobre essa união.

Em entrevista exclusiva ao Observatório da Televisão, Paula Burlamaqui fala sobre sua personagem em Órfãos da Terra, conta sobre o relacionamento com um garoto de dezoito anos na trama e desabafa sobre o desafio de envelhecer sem abalar a autoestima.

Como você está vendo o retorno de Órfãos da Terra e sua personagem, a Dra. Letícia?

A novela é maravilhosa. Fala de algo muito importante e necessário, que são os refugiados. Eu acho que a gente teve um retrocesso incrível com esse governo novo, que está revendo a lei que abrigava os refugiados aqui no Brasil. É um tema que tem que ser falado, a gente tem que receber as pessoas refugiadas, porque elas não saem do país delas porque elas querem, elas saem em decorrência de uma guerra, em decorrência de uma ditadura… Acho que a União Europeia, e todos os países que possam abrigar essas pessoas, deveriam abrir as fronteiras e não atirar nos muros e fechar as portas como temos visto nos noticiários.

Os atores da novela se reúnem para fazer benfeitorias para os refugiados. Como foi pra você fazer esse trabalho em grupo?

Tivemos uma experiência no Instituto que realiza esse trabalho em São Paulo. Eles recebem os refugiados, dão alimentação, dão aulas de português para eles, fazem entrevistas para empregos, então é um trabalho maravilhoso. A Thelma e a Duca (autoras da trama) fizeram uma pesquisa nesse Instituto e tem um padre que é doce igual ao nosso padre, só que ele é mais carequinha e mais magrinho, mas é a mesma energia. Estive lá fazendo laboratório. É um trabalho realmente necessário porque quando você chega num país sem falar a língua, sem conhecer ninguém, é um ponto de apoio fundamental para reconstruir a vida. E é isso o que acontece no Instituto da trama.

Envolvimento com Benjamin

Você sabia que a Letícia teria esse envolvimento com o Benjamin em Órfãos da Terra? Como foi?

Eu não sabia, e adorei! Eu acho que a Letícia estava meio estagnada naquela relação com o Faruq, que já não tinha mais para onde ir. Ela já tinha ajudado ele, feito tudo e ele não se apaixonou por ela. Foi maravilhoso quando a Thelma me disse, porque na verdade eu fiz um espetáculo que se chama Vou Deixar de Ser Feliz Por Medo de Ficar Triste, eu fiquei um ano inteiro em cartaz, de 2018 até agora, antes da novela estrear. A peça contava a história de uma mulher de cinquenta anos que se apaixonava por um menino. Só que o diretor colocou isso num picadeiro de circo. Era um espetáculo lúdico, que falava de amor., mas o tema era esse: uma mulher mais velha, com medo de amar um garoto de dezoito anos. A Thelma e a Duca foram no espetáculo, e aí num determinado momento a gente foi jantar, a Thelma falou: ‘Vou botar você com o Benjamin, que é um menino de dezoito anos. Quero falar daquele tema do espetáculo, eu adorei a peça’. E eu achei maravilhoso. Eu não conhecia o Filipe Bragança, que é um grande ator. Comecei a prestar atenção nele, contracenar com ele, e fiquei completamente apaixonada por ele. Quero namorar ele, casar e ter filhos (risos).  

Paula e o marido

Você já se relacionou com alguém mais novo?

Meu marido é doze anos mais novo que eu. Nos conhecemos em São Paulo, quando ele fazia um espetáculo por lá, continuamos nos falando. Fiquei com medo porque meu marido é muito bonito, um árabe, morenão e eu pensava que eu estaria com 70 anos quando ele estivesse com 48, ou seja, ele vai estar no auge e eu uma vovozinha. Imaginava que chegaria uma gata de 30 e faria uma peça com ele, mas são fantasmas que temos que enfrentar. Ou você enfrenta e vive o que você está sentindo, ou você fica em casa fechadinha esperando a vida passar na sua frente sem você ter coragem de viver, né?! Por isso que saindo daqui eu vou no dermatologista fazer um laser (risos).

Vai ter muita batalha pra Letícia ficar com o Benjamin, né?

A Letícia a princípio vai ficar com ele, mas a mãe dele vai ter um ataque histérico, e vai agredi-la. Vai ser uma barra pesada. E a Letícia vai resolver terminar com ele porque tem uma cena que ela é bem clara e diz: ‘Eu não tô afim de brigar com a sua família, eu não sei se eu seguro essa barra, realmente…’. E vão ter aquelas situações que ela sai com ele e um cara pergunta: ‘O que você vai querer pro seu filho?’, que são situações típicas, e com isso, ela resolve não ficar com ele. E aquele sofrimento básico na novela, cada um separado, sofrendo, etc. Ele bonitinho vai fazer mil serenatas para ela, porque o Benjamin na novela é muito maduro. Desde o início ele fala ‘Você tá sendo careta, você tá sendo preconceituosa’, e ele continua com essa postura. E eu espero que eles voltem, porque ele é uma graça.

Torcida do público

Como o público reage a esse casal?

As pessoas amam! Me mandam milhões de tweets, dizendo ‘Tô shippando’. Eu nem sabia o que era isso. Eu liguei pro Filipe e perguntei, ele me explicou. Quando teve a cena do primeiro beijo, porque ele é muito mais ligado à rede social do que eu, ele me disse: ‘A gente tá no top não sei o quê do Twitter’, que eu nunca ia saber o que é isso. Eu falei ‘Ah tá!’ pra não ficar também como burra, depois eu fiquei sabendo o que era. Às vezes eu posto alguma coisa da gente e vem não sei quantos milhões de comentários. Não vi nenhum comentário negativo.

Você acha que as pessoas estão mudando e aceitando essa diferença de idade melhor?

Acho que estão. Quando fiz a peça, ouvia de muita gente que essa era a história que a pessoa vivia, e sofria preconceito. Confesso que fiquei com medo da não aceitação, receio de as pessoas ficarem me chamando de velha, mas elas estão amando, e aceitando. Os comentários são em sua maioria de mulheres, e acho que elas estão se empoderando dos desejos delas. Uma vez me perguntaram se eu teria uma relação com um garoto de dezoito anos. Eu realmente não sei, porque meu marido tem trinta e oito. Não sei se eu teria coragem, por isso é realmente corajoso demais.

Paula Burlamáquina

O povo ainda te chama pelo apelido antigo de Paula Burlamáquina?

Graças a Deus ainda rola. Envelhecer é a coisa mais difícil do mundo, ainda mais quando você é extremamente vaidosa. Para mim isso é muito difícil. Eu rezo para que meus amigos me parem e me deem remédio para que eu não fique que nem uma louca estilo Michael Jackson, toda esticada, e que eles falem: ‘Linda, parou! Vamos botar você em uma camisa de força’ (risos). Claro que o envelhecimento se compensa com a maturidade, aceitação, mas fisicamente é uma merda. Seu colágeno acaba, você vai pra uma festa e no dia seguinte tem que dormir três dias para compensar o que bebeu. Estou brincando, mas qualquer elogio para mim com cinquenta e dois anos é bem-vindo. Quando comecei a fazer as cenas com o Filipe, eu falei: ‘E aí Filipe, você tá feliz? Tu saiu da Laila, que é uma deusa para ficar comigo, né?!”, e ele falou ‘Eu to adorando’, porque ele realmente está interessado no conflito para o personagem dele. Então acho que para ele foi bom, porque o personagem deu uma virada, ele ficava vivendo muito as situações dos outros. E ele é um ator maravilhoso!

Você teve uma das playboys mais vendidas da sua época e naquele momento, se fazia muito uso de photoshop…

Mas hoje eu ainda uso muito photoshop. No Instagram então, amor…

Relações

Normalmente, o homem quando é mais novo, se imagina com uma mulher mais velha, mas quando este homem se torna mais velho as coisas se invertem. O que acha disso?

Todo mundo acha normal quando vê homens mais velhos com garotinhas, mas quanto é uma mulher com um garotinho, todo mundo pensa ‘coitada, aquela velha’. Graças a Deus isso está mudando, percebo pela reação do público. Eles se sentem potentes quando estão ficando mais velhos, e aí vêem aquela deusa querendo ficar com eles, deve fazer bem ao ego.

Se você tivesse solteira, você acha que teria dificuldade para se relacionar?

Eu acho que com a idade a gente vai ficando mais exigente, e por isso os encontros tornam-se mais difíceis. Creio que existe um chinelo velho para cada pé, é só se abrir, não ser uma pessoa complicada e tão exigente. Conheço casais que se formaram através das redes sociais. Tenho amigos que estão casados, e cada vez mais vejo pessoas marcando de se encontrar pelo Tinder. Sei que tem um aplicativo que você está passando pela pessoa e consegue marcar ela, isso é muito louco. São gênias as pessoas que desenvolvem isso.

Você teria coragem de entrar num aplicativo desses ou tem medo dos psicopatas?

Eu fiquei um pouco assustada com aquela história daquela moça na Barra, que foi espancada por um cara que conheceu no aplicativo, então eu teria medo. Mas parando para pensar já peguei gente em festa que eu nunca tinha visto na vida, pessoas que também poderiam ser psicopatas. Mas o perigo está aí, você sai para viver, e está exposto.

Mentir idade para a imprensa

A história sobre mentir a idade pras revistas aconteceu de verdade?

A jornalista me ligava todo dia para perguntar a minha idade, eu tinha 48 e mentia que tinha 45. Ela disse que viu no Wikipédia, e eu disse para ela que haviam mentido lá. Uma amiga minha me disse ‘Paula, você está maluca de mentir que trocaram sua idade do Wikipédia, não existe isso’, mas eu sustentava a mentira dizendo que tinha uma amiga que também teve a idade trocada.

Saiu uma vez uma matéria no Ego com belas mulheres com cinquenta anos e você estava lá.

Quando fiz 50, a moça do Ego me ligou dizendo que gostaria de fazer essa matéria, e eu comecei a dizer ‘mas eu não tenho 50, só daqui 2 anos’. Minha amiga me aconselhou a procurar a moça e falar a verdade, e a moça me disse ‘Você confirmando ou não, a matéria vai sair, só queria dizer que vamos colocar fotos horrorosas que talvez você não goste’, (risos). Aí disse ‘Ok, vamos fazer’

Você já passou por uma crise real por causa desse lance da idade?

Eu passo até hoje. Eu brinco, mas eu tenho depressões. Às vezes eu vejo rugas no meu pescoço que me dão angústias, pés de galinha… Eu ligo para a minha dermatologista dia sim, dia não e pergunto o que vamos fazer, e ela responde: ‘vamos procurar uma psicóloga para você trabalhar isso, porque só vai piorar’.

E os elogios que você recebe do público?

Eu recebo vários. Mas quem é mais velho sabe, a falta de colágeno é uma coisa horrorosa, é horrível.

Treinamento

Você faria algum ensaio sem maquiagem, com nenhum tipo de make como esses que estão fazendo sucesso entre pessoas mais velhas?

Eu não faria. Eu tiro fotos na minha casa com meu marido e falo que não dá para postar. Vou ao banheiro antes e faço uma maquiagem porque tenho senso crítico. Em 1987 eu ganhei um concurso de beleza, e por mais que eu tenha corrido atrás, tentado ser uma boa atriz, sempre estive no nicho da bonita, da gostosa, então é difícil aceitar. A peça que faço me ensinou bastante, e só existem dois caminhos: morrer ou ficar velha. Por enquanto prefiro ficar velha, não sou mais aquela menina que saía na Viradouro. Estou com 52, rugas, pescoço enrugado, mas conquistei outras coisas, faço trabalho social, vou para passeatas que acho importantes, sou mais interessante do que eu era.

Você continua fazendo aquele treinamento pesado para manter seu corpo?

Não. Agora estou fazendo crossfit, porque você faz duas vezes por semana e fica magra. Não precisa ir mais de cinco vezes. Quando estou fazendo novela, não dá tempo.

Procedimentos estéticos

Você trabalha esse medo de envelhecer na terapia? Você já fez algum procedimento estético para ajudar a combater o envelhecimento?

Fiz vários procedimentos. Todo mundo mente dizendo que não faz nada. Eu fiz vários. Eu faço botox sempre, não existe viver sem botox, e laser, porque eu tomo muito sol. Botox sempre. A primeira ruga que dá na minha testa, eu saio correndo igual uma louca. Já fiz botox no pescoço, já tentei botar aquele negócio na boca e fiquei com a boca horrorosa e tive que tirar, porque daí realmente não dá, você não trabalha, você vira uma monstra. Aquele negócio que você coloca na boca, eu nunca mais botei, não tive coragem, porque da primeira vez fiquei igual à Rosana (risos).

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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