Figura fácil nas novelas de Walcyr Carrasco, Rainer Cadete encara agora mais um trabalho de sucesso com o autor em A Dona do Pedaço. Não que isso signifique uma zona de conforto para ele. Camaleônico por profissão e por natureza, ele enxerga no fotógrafo Teo um leque de novas oportunidades a explorar como ator.

Trabalhar com Walcyr é isso, é uma caixinha de surpresas. Então você precisa estar aberto, precisa estar pronto pra encarar o que vier. E eu acho que ainda tem muita coisa pra acontecer“, sinaliza o bonitão, que ainda acredita na chance de um final feliz entre seu personagem e a ingrata Josiane (Ágatha Moreira).

Eu torço para o Teo ser feliz, seja com a Jô ou até mesmo sozinho. Que ele se apaixone e seja correspondido“, admite.

Confira a íntegra do nosso bate papo com o ‘fotógrafo’ do horário nobre global.

OBSERVATÓRIO DA TELEVISÃO – A Dona do Pedaço se aproxima do 100º capítulo e é sucesso absoluto de audiência. Como tem sido para você lidar com tanto êxito?

RAINER CADETE – Ah, estou muito feliz. O personagem tem enfrentando desdobramentos incríveis, eu realmente não esperava que fosse acontecer tudo isso. Um personagem complexo, de muitas camadas. Agora ele está aí, ajudando a Maria da Paz a dar um jeito na Josiane… Vamos ver se ele consegue! [risos]

De fato, foi uma mudança e tanto. Mas, durante o tempo em que o Teo estava sendo enganado pela Jô, o que você via e ouvia na internet a respeito do personagem?

Eu escuto diariamente – inclusive agora, quando estava vindo pra cá – ‘pedidos’ pra eu tomar cuidado com a Josiane, que ela não presta… [risos] Pra eu abrir meu olho com ela, abrir o olho da Maria da Paz… Essas coisas. É legal isso, ver que o público acredita tanto no personagem, que chega dando conselhos, como se a gente fosse, de fato, aquele personagem.

Como você se preparou para interpretar um fotógrafo na telinha?

A parte que mais gosto do meu trabalho é justamente essa: a parte de composição do personagem. É uma preocupação minha mudar bastante de um personagem para outro – ganhar peso, perder peso, ver como ele fala… Eu tenho toda uma equipe que trabalha comigo, com fonoaudiólogo, coach, preparador corporal, além dos diretores. Então a gente cria todo o psicológico do personagem. Eu conheci vários fotógrafos legais. Participei do São Paulo Fashion Week, com um fotógrafo ‘de grife’ – que ficava na primeira fileira, fotografando cada detalhe, e ainda expunha dentro do próprio evento as fotos que ia fazendo. E eu fui observando como era o olhar dele, desse fotógrafo badalado… Conheci vários outros também. Conheci um fotógrafo que faz fotos analógicas de eventos sociais, manifestações. Conheci outro que tira fotos com o próprio iPhone mesmo. Então, tem várias formas de tirar foto, e tudo é singular e único. Isso é o mais bacana. Porque a sua foto é o seu ponto de vista em relação àquela coisa.

Você já sabia, desde o início, que o Teo teria essa parceria com a Maria da Paz?

Não. O que veio na sinopse do meu personagem era ‘fotógrafo de moda conceituado’. E aí eu construí tudo isso. [risos] Eu estava no núcleo da Vivi Guedes (Paolla Oliveira) e a minha história realmente aconteceu no núcleo da Maria da Paz. Trabalhar com Walcyr é isso, é uma caixinha de surpresas. Então você precisa estar aberto, precisa estar pronto pra encarar o que vier. E eu acho que ainda tem muita coisa pra acontecer. Tem muita água pra rolar ainda, porque o Walcyr não segura história, viu?

Você acha que existe alguma chance de o Teo se apaixonar outra vez pela Josiane? Ou ele realmente vai dar o troco?

Eu espero que os dois aconteçam. Que ele dê o troco e que ele se apaixone… E que alguém se apaixone por ele também. Que ele se apaixone e seja correspondido.

Como você vê essa insistência do personagem em seguir tendo sentimentos pela Josiane, mesmo conhecendo a falta de caráter dela?

Eu acho que o amor muitas vezes cega. Amor tanto de mãe ou de pai, como de marido, mulher, de namorado. O amor faz a gente ver no outro o que a gente quer ver, por mais que o outro esteja mostrando a sua essência na carne viva, a gente projeta o que a gente quer ver nas pessoas. E aí a gente vai se iludindo. Eu acho que não existe um sem o outro, sabe?

Você, Rainer, já se deparou com pessoas como a Josiane no seu dia a dia?

Já. Claro que eu já encontrei pessoas-vampiras, pessoas que despertavam coisas ruins ou até relações abusivas em mim. Já vivi sim. Mas sempre repeti pra mim, como mantra, para ficar perto de pessoas que despertam o que tenho de melhor dentro de mim. Porque tem tudo dentro da gente, né? E aí, o que você alimenta é o que cresce. As pessoas que você convive ajudam muito nesse sentido. É preciso saber se defender de relações tóxicas.

O Merlin (Cadu Libonatti), irmão do Teo, também tem crescido na novela. Você acha que a relação deles deve se desenvolver mais nos próximos capítulos?

Então, eu estou esperando o que está para acontecer por aí. Alguma coisa vai explodir aí. O Walcyr não colocou essa história pra nada, né? Estou aguardando, vamos ver…

Quando você faz as cenas de foto, você fotografa de verdade ou apenas simula?

Sim, eu fotografo. Eu tenho feito fotos lindas, a galera toda adora… Até a Ju [Juliana Paes] já postou uma esses dias.

Tem fotos suas no perfil real da Vivi Guedes?

Não. Eu tirei fotos dos casamentos [que acontecem na novela] e algumas delas eles postaram. Mas as do estilo Vivi tem um fotógrafo profissional que vai lá e faz. Apesar que eu poderia fazer também, viu?

Você já gravou as cenas que marcam a derrocada da Josiane?

Eu não comecei a gravar isso ainda não. Mas confesso que chegaram coisas aí bem interessantes… [risos] Que eu não posso contar ainda.

Você torce pro Teo se entender com a Jô?

Eu torço para o Teo ser feliz, seja com a Jô ou até mesmo sozinho. A gente fica muito nessa ideia de precisar de alguém pra ser feliz, né? Acho que não é muito por aí.

Mas você acha que ele é capaz de, quando a vir no chão, querer ajudá-la?

Com certeza! O Teo tem um coração gigante. É um personagem bom, íntegro. Acho que qualquer pessoa que precisasse da ajuda dele, ele ajudaria com certeza. Acho inclusive que essa vingança é muito mais pela Maria da Paz – por ele ver como ela se destroçou com essa história toda – do que por ele. É por ele também a vingança, porém é mais por ela.

Nas cenas recentes da novela, rolou uma certa química entre o Teo e a Sílvia (Lucy Ramos). Você acha que daí pode sair alguma coisa?

Olha… Eu adoro essa atriz, a Lucy Ramos, é uma querida. Amo ela de paixão. E a gente, quando se olha, ilumina tudo mesmo, né? Mas não sei, vamos ver. A gente está ali só fotografando.

Por falar nisso, interpretar um fotógrafo mudou um pouco o seu olhar a respeito das coisas, as imagens à sua volta?

Sim! Completamente. Eu fico o tempo inteiro imaginando fotos em cima das coisas ao meu redor. Eu fiz faculdade de Cinema, onde tive algumas cadeiras de foto. Então já conhecia um pouco desse universo. Mas é óbvio que me aprofundei muito mais agora. Eu me entrego muito pros personagens, então fico muito pensando como os meus personagens. [risos]

Uma cena muito marcante foi quando, ao se dar conta de que tinha sido vítima de um golpe da Jô, o Teo partiu pra cima dela e quase a estuprou. Como você enxerga essa nuance do personagem?

Eu acho que ele teve um surto de adrenalina ali muito grande. Aquele capítulo foi muito tenso, muito intenso. Não aconteceu de fato o estupro, e teria sido um absurdo se acontecesse.

O que reforça a nossa teoria de que ela pode despertar no Teo algo muito ruim, mesmo ele sendo um cara muito bom, certo?

Exatamente! As pessoas têm tudo dentro delas, né? O que você vai alimentar? E uma pessoa tóxica daquela [como a Jô]… Não que justifique, né? Mas eu acredito que ele teve um surto ali muito grande. Não acho que seria capaz [de concretizar o estupro]. Ele estava muito mais focado ali em gritar com ela do que em fazer qualquer outra coisa. Uma cena forte, um embate tenso… Não passou desse ponto, graças a Deus.

Teve alguma cena que mexeu mais com você?

Essa sequência [do confronto entre Jô e Teo] foi muito forte pra mim, foi muito intenso. Toda a descoberta do que realmente acontecia entre a Josiane e o Régis, e do que eles fizeram com a Maria da Paz… Essa sequência toda foi muito intensa, muito forte de gravar, acho que pro elenco inteiro.

(entrevista realizada pelo jornalista André Romano)

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